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EUA vêem 'falta de ambição' do Brasil em cortes de tarifas | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os Estados Unidos acreditam que o Brasil ainda não expôs ''uma posição ambiciosa', em relação à intenção de cortar tarifas industriais para destravar a Rodada Doha. A opinião é do vice-representante comercial dos Estados Unidos, Peter Allgeier. Durante uma entrevista coletiva na sede da representação comercial americana nesta terça-feira, em Washington, Allgeier afirmou que o Brasil ainda não ''deixou claro o que está disposto a cortar em relação a tarifas industriais''. De acordo com o representante americano, a suposta posição pouco ambiciosa do Brasil é compartilhada por outros grandes países em desenvolvimento, como China, Índia e Argentina. O embaixador Allgeier comentou que os americanos ''ainda não estão satisfeitos com os sinais que têm recebido sobre o quanto eles (os países em desenvolvimento) estão dispostos a cortar''. ''Para que nós possamos arcar com o fardo político de fazer cortes em subsídios agrícolas, precisamos de alguma coisa significativa nas áreas de serviços e produtos industriais'', afirmou Allgeier. Impasse A Rodada Doha, de liberalização do comércio internacional, chegou a um impasse em meados do ano passado, devido principalmente a divergências entre Brasil, Estados Unidos e União Européia a respeito de subsídios agrícolas e de tarifas agrícolas e industriais. Allgeier disse que progressos foram feitos na recente reunião realizada em Nova Delhi, na Índia, a primeira cúpula ministerial desde que as conversas da Rodada foram retomadas, em fevereiro passado. A reunião contou com a presença de representantes do Brasil, Índia, União Européia, Estados Unidos, Japão e Austrália. Após o encontro, representantes das seis nações firmaram um compromisso para tentar obter um consenso que permitiria a conclusão da Rodada Doha até o final de 2007.
Apesar de ter apontado avanços, o embaixador acrescentou que temas cruciais para destravar a Rodada ainda estão pendentes. ''A grande peça faltando são as negociações a respeito de acesso a mercados.'' Exigindo pouco O vice-representante americano acredita que ''os países em desenvolvimento que integram o G20 estão exigindo pouco de si mesmos em termos de acesso a seus mercados agrícolas''. O G20 é liderado pelo Brasil e pela Índia. O bloco reivindica a abertura dos mercados agrícolas nas nações ricas. Allgeier acredita que a abertura do setor é necessária até mesmo para o bem estar das próprias nações que integram o bloco. "Estes países se tornarão grandes mercados agrícolas nos próximos 20 anos, na medida em que eles se tornarem mais prósperos." As críticas de Allgeier em relação ao protecionismo agrícola não se limitam aos países em desenvolvimento. Na visão dele, o Japão segue sendo excessivamente protecionista neste setor e precisa reduzir suas tarifas agrícolas. O embaixador comentou que a oferta de liberalização de serviços por parte dos países em desenvolvimento também ainda deixa a desejar, o que vem impedindo que se obtenha um "pacote ambicioso". Medo Allgeier disse concordar com os comentários feitos na segunda-feira em Washington por Pascal Lamy, o diretor da Organização Mundial do Comércio (OMC). Lamy havia dito que os países que integram o G4 demonstram medo em tomar a dianteira na hora de fazer concessões por temer que qualquer medida possa ser explorada por uma das outras partes envolvidas nas negociações, sem gerar uma ação recíproca. ''Eu concordo que é difícil agir quando não se sabe o que mais os outros podem fazer. É um processo no qual você tem de reduzir a área de incerteza. Não é algo bidimensional.'' Ele acrescenta: "Você precisa saber qual a posição deles em relação ao corte de tarifas, mas também em relação a produtos." |
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