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Análise: Irã dá cartada final em crise com Grã-Bretanha | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, anunciou a libertação de 15 marinheiros e fuzileiros navais britânicos como um jogador mostrando suas cartas para vencer uma partida. O Irã tinha boas cartas e jogou bem com elas. O país deixou claro sua posição de proteger as fronteiras, dominou o noticiário internacional de televisão com imagens dos prisioneiros e suas "confissões" e, quando talvez julgou que tinha conseguido tudo o que era possível do confronto, encerrou com um floreio. O Irã vai projetar este episódio como uma vitória (as medalhas entregues publicamente aos oficiais que lideraram a operação foram um exemplo imediato) contra um país ainda visto com suspeita em Teerã devido às suas intervenções passadas. O país também fez um alerta indireto de que qualquer ataque contra suas instalações nucleares teria uma resposta rigorosa. Ao mesmo tempo, o governo britânico pode argumentar que conseguiu pressionar o Irã para forçar o país a encerrar o confronto sem que a Grã-Bretanha tivesse que fazer qualquer declaração formal, mesmo que fosse de arrependimento, a respeito do incidente. Também não houve nenhuma alusão ligando o incidente a qualquer outra coisa, principalmente às cinco autoridades iranianas presas no Iraque. Se isso fez diferença, não se sabe. Mas, certamente, o Irã reclamou a respeito. Então, foi notado. Até o papa se juntou aos pedidos com referências aos marinheiros estarem de volta ao lar para a Páscoa, e isso pode ter sido um apelo aos sentimentos religiosos do presidente Ahmadinejad. Fim de jogo O momento decisivo veio com a interferência de Ali Larijani, uma figura importante no Conselho Nacional de Segurança do Irã e o negociador-chefe da questão nuclear, no que tinha sido, até então, uma troca diplomática inconclusiva e formal entre embaixadas. Ele entrou em contato com a emissora Channel 4, em Londres, cujos funcionários tinham se encontrado com ele em uma visita ao Irã há alguns meses. Larijani deixou claro em uma entrevista na segunda-feira que o Irã queria uma solução diplomática. Isso foi contra o humor no Irã, no dia anterior, quando partidários da linha dura organizaram uma manifestação em frente à embaixada britânica. A intervenção de Larijani indicava que o pragmatismo tinha prevalecido. Este foi acompanhado do lado britânico por uma queda na temperatura, que provou ser importante, pois permitiu que o Irã dissesse que a Grã-Bretanha estava sendo menos arrogante. Quando mais fotos dos prisioneiros apareceram, mostrando como eles estavam jogando xadrez e sentados no chão conversando e sorrindo, o Ministério do Exterior britânico não fez reclamações, como ocorreu quando as primeiras imagens foram divulgadas. O apresentador do Channel 4, Jon Snow, contou a autoridades britânicas a origem da entrevista com Larijani depois de uma palestra para correspondentes dada pela ministra do Exterior, Margaret Beckett, na terça-feira. Isso parece ter galvanizado os diplomatas britânicos, levando-os a entrar em contato com Larijani. Naquela noite, Nigel Sheinwald, secretário particular do primeiro-ministro Tony Blair para negócios exteriores, falou com Larijani pelo telefone. A entrevista coletiva de Ahmadinejad estava marcada para o dia anterior, mas foi adiada. Presume-se que uma decisão coletiva foi tomada durante o atraso.
O presidente iraniano disse que não queria um confronto e sugeriu que a libertação havia sido adiada devido à atitude britânica. Mas, em seguida, Ahmadinejad anunciou a libertação com entusiasmo. Lições Uma lição que o governo britânico e outros governos ocidentais vão tirar deste episódio é que o Irã não pode receber oportunidades como esta sem um preço a ser pago em termos de propaganda. Aos observadores, parece que, durante a crise, a Marinha britânica adotou a atitude que estava certa e que isso era tudo o que podia ser feito. A confiança da Marinha se refletiu no fato de que o helicóptero que estava monitorando a busca de um barco, que ocorreu antes da captura, voltou para o navio HMS Cornwall sem permanecer sobrevoando a área enquanto os marinheiros eram capturados. Ainda assim, pelos cálculos britânicos, tudo aconteceu em três minutos da chegada dos barcos iranianos, mais potentes. É improvável que tal confiança volte a acontecer. E o incidente foi colocado contra um cenário de hostilidade em relação ao Irã pelas forças britânicas e americanas no Iraque. Eles acusaram os Guardas Revolucionários iranianos, cuja unidade naval capturou os britânicos, de ajudar milícias xiitas em seus ataques a soldados estrangeiros. Este incidente é um lembrete de que todas as forças operam em um contexto político. Questão nuclear A decisão iraniana neste caso provavelmente não vai se refletir na questão maior, de sua discussão no Conselho de Segurança da ONU a respeito do enriquecimento de urânio. Notou-se que o presidente Ahmadinejad passou boa parte do seu tempo na entrevista coletiva fazendo denuncias contra o Conselho de Segurança, afirmando ser este um instrumento dos Estados Unidos. Ele acusou o ocidente de tentar negar "conhecimento científico" ao Irã, mesmo que apenas o processo de enriquecimento esteja em questão. Sua atitude indica que o Irã, provavelmente, vai voltar ao confronto quando o próximo prazo do Conselho de Segurança, para que o Irã se submeta às suas determinações, se esgote no dia 23 de maio. |
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