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Análise: Irã e Grã-Bretanha travam 'guerra de propaganda' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A Grã-Bretanha e o Irã estão em meio a uma batalha de propaganda pelos 15 marinheiros e fuzileiros navais britânicos capturados no Golfo Pérsico. A Grã-Bretanha divulgou coordenadas para tentar provar que seu grupo naval não tinha invadido águas territoriais iranianas e também para ridicularizar as alegações contrárias do Irã. O Irã respondeu mostrando os prisioneiros na televisão e entrevistando a única mulher do grupo: Faye Turney. Os iranianos estabeleceram rapidamente que ela é uma mãe e conseguiram fazer com que ela dissesse que o grupo estava em águas iranianas e que os homens que a capturaram foram "misericordiosos". A Grã-Bretanha tinha números, mas o Irã tinha a confissão. Convenção de Genebra A Grã-Bretanha quer a libertação, de uma só vez, de todos os prisioneiros, argumentando que eles não fizeram nada errado. O Irã está oferecendo, segundo seu ministro do Exterior, Manouchehr Mottaki, "um fim à questão" se os britânicos admitirem que "um erro" foi cometido, o que, é claro, a Grã-Bretanha não vai fazer. A Grã-Bretanha sugeriu que a entrevista com Turney foi feita sob coação e com a promessa de libertação. O clamor britânico contra o vídeo vem em parte de sua crença de que a Convenção de Genebra proíbe a exposição de prisioneiros à "curiosidade pública". Isso, na visão do governo britânico, inclui imagens de televisão, mesmo que não exista uma guerra. Em 2004, uma confissão semelhante de prisioneiros britânicos levou à libertação e ao retorno dos detidos. O pesadelo britânico é uma repetição da crise de reféns de 1979, que humilhou o então presidente americano Jimmy Carter. O presidente Ahmadinejad, do Irã, teria tido um papel naquele episódio e sabe muito bem o valor de reunir sua nação contra o Ocidente. Táticas A primeira tática britânica foi oferecer ao Irã uma forma fácil de sair da situação, fornecendo as leituras de GPS e sugerindo que os iranianos é que poderiam ter cometido um erro. De acordo com autoridades britânicas, o Irã inicialmente ofereceu uma coordenada diferente, e então, quando foi alertado de que aquela coordenada ficava em águas iraquianas, divulgou outra leitura, desta vez do lado iraniano. O esforço mais discreto do começo não surtiu efeito. Então, foi tomada uma decisão para aumentar os esforços. Quando a discrição falhou, a diplomacia pública foi lançada com um esforço de lobby do mundo inteiro, baseado nas leituras em GPS. Coordenadas As coordenadas fornecidas pela leitura em GPS foram feitas no local onde um navio mercante indiano foi abordado pelo grupo de inspeção britânico no último dia 23. Em uma entrevista a jornalistas no Ministério da Defesa em Londres, o vice-almirante Charles Style, subchefe dos funcionários da Defesa, disse que o incidente havia ocorrido 3,14 quilômetros dentro de águas territoriais iraquianas.
Style indicou que as águas territoriais são determinadas por uma linha imaginária que se estende do centro do canal de Shatt al-Arab, que faz fronteira entre os dois países. Esta linha estava de acordo com a lei e o costume internacional, afirmou o vice-almirante. As coordenadas britânicas foram obtidas dos barcos capturados por um link de dados com o navio HMS Cornwall. Style deu as coordenadas como 29 50.36 norte e 048 43.08 leste. (Nota: a leitura da foto acima, tirada de um helicóptero acima do navio ainda ancorado, dois dias depois, é levemente diferente, pois o capitão do navio afirmou que a âncora foi arrastada desde o incidente). As coordenadas dadas pelo Irã aos britânicos não eram detalhadas. O vice-almirante insistiu que os britânicos estavam certos, agindo sob a resolução 1723 do Conselho de Segurança da ONU (que autoriza a força multinacional no Iraque) e com a aprovação do governo iraquiano na proteção de suas instalações de petróleo, costa e navios. Não havia dúvida de que a linha divisória, segundo Style, estava nestas águas, apesar das disputas históricas de Irã e Iraque sobre estas águas. A informação foi contestada pelo ex-embaixador britânico Craig Murray. Ele afirmou que a fronteira marítima não existe de fato já que Irã e Iraque nunca definiram esta linha. Regras Uma importante autoridade do Ministério da Defesa britânico justificou a falta de reação dos marinheiros e fuzileiros navais capturados. Suas regras de procedimento são adequadas para a autodefesa, disse. Mas eles foram pegos de surpresa quando deixavam o navio que tinha sido inspecionado. Dois, e depois mais quatro, barcos iranianos com armas bem mais pesadas - lançadores de foguetes e metralhadoras pesadas contra rifles e pistolas - apareceram depois de indicar uma atitude amigável. Algumas falhas na preparação britânica foram evidentes, de acordo com o que a autoridade afirmou. Um helicóptero Lynx monitorando a abordagem tinha retornado para o navio HMS Cornwall mais cedo porque não conseguia chegar mais perto do local, que ficava em águas rasas, e, quando o Cornwall percebeu o que estava acontecendo, os britânicos estavam no lado iraniano. Barcos iranianos tiveram cerca de "três minutos" para fazer a aproximação, segundo a autoridade, mas ninguém do lado britânico os viu. Atitudes A reação iraniana a esta situação ainda precisa ser vista. Sob o presidente Ahmadinejad, o Irã não teve medo de confronto. Atualmente, o país está desafiando o Conselho de Segurança da ONU a respeito de seu programa de enriquecimento de urânio. A ministra do Exterior britânica, Margaret Beckett, afirmou que o Irã garantiu que não há ligação deste incidente com outros eventos, incluindo a aparente detenção de cinco autoridades iranianas no Iraque por forças americanas há pouco tempo. O Irã está preocupado com as ameaças de ação militar (dois porta-aviões americanos estão no Golfo Pérsico, para exercícios) e pode querer mostrar que suas forças estão de prontidão, especialmente a Guarda Revolucionária, que realizou a operação de detenção dos britânicos. |
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