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Visita de Bush enterra discussão sobre antiamericanismo, dizem analistas | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A visita do presidente americano, George W. Bush, ao Brasil consolidou a boa relação entre os dois países e "enterrou" as discussões sobre um possível viés antiamericanista no governo que ganhou força nas semanas anteriores à visita, na avaliação de analistas ouvidos pela BBC Brasil. "De certa forma, enterra isso", diz o historiador José Flávio Sombra Saraiva, professor da Universidade de Brasília (UnB) e coordenador do Instituto Brasileiro de Relações Internacionais (Ibri), sobre as discussões em torno do antiamericanismo na política externa brasileira. Saraiva considera que este debate, levantando pelo ex-embaixador brasileiro em Washington Roberto Abdenur aconteceu a partir "de interesses feridos e expectativas frustradas" e não concorda com o argumento. O cientista político Carlos Pio, também professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), avalia que a viagem "não tem nenhum impacto do ponto de vista prático", mas diz que ela "abafa a celeuma" sobre o antiamericanismo. "De certa maneira, esta visita apazigua os corações", diz Pio. Etanol O acordo entre os dois países para pesquisas conjuntas na área de etanol é o assunto mais importante da viagem na avaliação dos dois especialistas, mas eles divergem sobre os ganhos reais que o Brasil terá a partir do desenvolvimento de um mercado mundial de etanol. "O petróleo já é passado. Esta visita é um marco. Este espaço para cooperação é muito importante", afirma Saraiva. Pio é mais pessimista e avalia que o Brasil pode não saber aproveitar as oportunidades que serão abertas e perder a liderança tecnológica que tem hoje, tornando-se um produtor menor no mercado mundial. "Acho que o Brasil vai ver o barco passar", diz. O cientista político Rogérgio Schmidt, da consultoria Tendências, avalia o resultado da visita como "moderado para bom", porque o Brasil não conseguiu derrubar a barreira contra o etanol, mas lembra que o diálogo sobre o tema continua e que isso pode acontecer no futuro. O historiador Marco Antonio Villa, professor da Universidade Federal de São Carlos, afirma que havia uma expectativa irrealista por parte do governo brasileiro, de que o presidente Bush pudesse pelo menos anunciar seu apoio ao fim da sobretaxa ao etanol brasileiro, embora o assunto seja da alçada do Congresso americano. "Esperava-se ao menos uma posição simpática em relação às teses brasileiras", diz Villa. "Mas eu acho que era esperar demais." Parceria Além do etanol, a visita reafirma a parceria entre os dois países e confirma a importância do Brasil na região, política antiga dos Estados Unidos. Os dois países também declararam seu interesse em destravar a Rodada de Doha de liberalização do comércio, embora não tenham conseguido resultados concretos para a retomada das negociações. Ainda mais significativo da boa relação entre os dois presidentes, na opinião dos analistas, é o encontro em Camp David, a casa de campo do presidente americano, para onde Lula vai no dia 31. "É o único presidente fora do G8 a ser recebido lá", nota Saraiva. "É um sinal de prestígio político e econômico do Brasil. O reconhecimento da liderança do Brasil na América do Sul", afirma. |
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