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Política dos EUA no Afeganistão e no Iraque enfrenta crise | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Poucas viagens internacionais do presidente americano George W. Bush são tão melancólicas como o giro desta semana pela Europa e Jordânia, destinado a colar os cacos de sua política no Afeganistão e no Iraque. A esta altura do seu segundo mandato - utilizando um termo maldito - Bush estimava que o Afeganistão seria uma missão cumprida, mas o Talebã velho de guerra ressurgiu. E o presidente americano foi à cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em Riga, na Letônia, para exigir que os países-membros com tropas no Afeganistão abrissem mão de limitações operacionais e geográficas para ajudar tropas americanas, britânicas, canadenses e holandesas que estão sob fogo mais pesado no sul e leste do país. No entanto, aliados cruciais, como franceses, alemães, italianos, que estão em áreas menos turbulentas, concordaram no máximo com deslocamentos de emergência para as regiões onde o Talebã atua com mais vigor. Mas ao menos as tropas da Otan e outros parceiros (33 mil soldados, um terço deles americanos) seguem no Afeganistão, enquanto no Iraque ocorre a debandada dos contingentes de vários países que integram a coalizão liderada pelos EUA. Missão Ainda na escala européia da viagem, Bush renovou seu compromisso de terminar a missão no Iraque antes de trazer as tropas americanas para casa. Que missão? Que país? O discurso de Bush soa cada vez mais surrealista diante do quadro de desintegração do Iraque e das pressões dentro dos EUA para que ele altere o curso de sua política. Bush se recusa a definir a escalada de violência no Iraque como uma guerra civil, como passou a ser feito por influentes meios de comunicação americanos e foi reconhecido na quarta-feira por seu ex-secretário de Estado Collin Powell. Para o presidente americano - mais do que uma luta sectária pelo poder - a violência no Iraque é fruto de ações da rede Al Qaeda. Resultados Bush exige resultados do precário governo do primeiro-ministro Nouri al-Maliki na tarefa de conter a violência. Esta cobrança justificou a visita do presidente americano a Amã para se reunir com o dirigente iraquiano, que relutava em viajar para a Jordânia. O grande resultado foi uma nova confirmação do quadro caótico iraquiano. Na quarta-feira foi o abrupto e constrangedor cancelamento de um primeiro encontro entre os dois líderes, na seqüência do vazamento pelo jornal New York Times de um memorando do assessor de segurança nacional da Casa Branca, Stephen Hadley, ao presidente, questionando a habilidade de Maliki de colocar ordem na casa. Isto ficou claro com com a decisão de ministros e parlamentares leais às milícias xiitas do clérigo radical Moqtada al-Sadr de abandonarem temporariamente suas funções, o que coloca em questão a viabilidade da coalizão de governo, mas quem sabe seja apenas teatro político. A razão imediata para o protesto era justamente o encontro do primeiro-ministro com Bush em Amã. A Casa Branca fez o que pôde para minimizar o cancelamento da reunião de quarta-feira, insistindo que havia a outra marcada para esta quinta-feira. Desencontros Nada disso dissipa a impressão de desencontros entre Bush e Maliki, assim como a incapacidade de ambos controlarem os eventos no Iraque. Ao assumir o cargo há seis meses, Maliki foi saudado como um agente de unidade nacional. Hoje, na expressão do Wall Street Journal, ele é refém de um tribalismo anárquico. Não está muito claro o que Washington pode fazer para ajudar Maliki ou simplesmente impedir a total degringolada do Iraque. As pressões para que o primeiro-ministro se imponha diante das milícias xiitas parecem irrealistas. Publicamente, a Casa Branca sinaliza resistência às recomendações que devem ser feitas pela comissão bipartidária, sob a batuta do ex-secretário de Estado James Baker, para dialogar diretamente com Irã e Síria num esforço conjunto de contenção da violência iraquiana. O governo Bush se mostra mais inclinado a buscar os préstimos dos seus tradicionais aliados sunitas na região, a começar a Arábia Saudita. As opções de Bush se esgotam e a cada dia fica mais difícil colar os cacos. |
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