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Atualizado às: 29 de novembro, 2006 - 13h35 GMT (11h35 Brasília)
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Cúpula deve propor uma Otan de alcance global

Forças da Otan no Afeganistão
Vários países resistem em enviar seus soldados ao sul do Afeganistão
A pauta da reunião de cúpula da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte, a aliança de defesa ocidental), em Riga, na Letônia, deve ser dominada pela guerra que a organização está realizando contra o Talebã, no Afeganistão e pelo conceito de que a Otan deve ter um papel global crescente.

Os dois temas fazem parte de uma mesma visão - que afirma que a Otan deve ampliar seu papel tradicional, de uma aliança primariamente interessada na defesa da Europa e do Atlântico Norte para uma organização global capaz de agir e intervir em qualquer lugar. No jargão este conceito ficou conhecido como "transformação".

O fato de a reunião estar acontecendo em um país báltico, próximo à Rússia, mostra como o alcance da Otan se estendeu.

Agora, alguns países integrantes querem que a influência da aliança se espalhe ainda mais.

Acordo C-17

Um sinal de que esta transformação está sendo colocada em prática ocorreu recentemente quando 13 países integrantes da Otan concordaram em financiar a compra de três ou quatro gigantescos aviões de transporte C-17, para dar à aliança uma capacidade comum de transporte aéreo estratégico. Os aviões ficarão na Alemanha.

Na cúpula de Riga, o presidente americano, George W. Bush, pede que mais seja feito.

Mas a operação no Afeganistão já mostrou os limites da visão transformadora, que não foi aceita em sua totalidade por todos os membros. E nem todos os integrantes da aliança forneceram soldados e equipamentos - especialmente helicópteros - que as forças no Afeganistão precisam.

A idéia de aprofundar as relações com alguns países, como Japão, Austrália e Coréia do Sul no Pacífico e a Suécia e a Finlândia na Europa, causou conflito principalmente com os franceses.

Questão afegã

O Afeganistão deve ser a questão mais importante em Riga pois é uma guerra que está ocorrendo e os problemas que o conflito levantou ainda precisam ser tratados.

"Para nós a questão número um é o Afeganistão", disse Nicholas Burns, subsecretário de Estado americano para negócios políticos.

A questão número um para a Otan no Afeganistão é o limite que alguns países - Alemanha, Itália, Espanha e França - colocaram em seus soldados.

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, afirmou na semana passada que soldados alemães não trocarão novamente o norte do Afeganistão, relativamente pacífico, pelo perigoso sul do país.

"O que isso significa, essencialmente, é que se o comandante (das forças no Afeganistão) decidir enviar soldados para atender uma emergência, ele não poderá fazer isso rapidamente. Ele terá de passar pelas capitais, o que nos torna lentos e nos impede de cumprir a missão que temos que cumprir", disse Burns.

O secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, afirmou que está confiante de que a ajuda será dada de um aliado para outro, mas ele sugeriu que isto ocorreria apenas em casos de emergência.

"Em caso de emergência, cada aliado prestará assistência e ajudará outros aliados", foi o máximo que Scheffer falou.

E esta declaração não é exatamente o que os americanos, britânicos, canadenses e holandeses - que estão lutando - realmente querem.

"É importante que todas as nossas forças estejam prontas para prestar ajudar quando necessário", pediu Daniel Fried, o secretário-assistente americano para negócios da Europa e Eurásia.

Argumentos

Estas questões estão ofuscando um tema maior da transformação: a relação mais próxima com países bem além das fronteiras da Otan.

Nicholas Burns explicou a proposta: "Procuramos uma parceria com esses países para que possamos treinar de forma mais intensiva de um ponto de vista militar e nos aproximarmos deles, pois eles enviaram tropas junto com as nossas”, disse.

“Austrália, Coréia do Sul e Japão estão no Afeganistão. Eles todos estiveram no Iraque. Eles todos estiveram nos Bálcãs. Então, queremos nos aproximar deles."

Até que ponto este plano será colocado em prática ainda não está claro. O plano já provocou os franceses, que alertaram que a Otan não deve se espalhar para tão longe.

A França, que sempre foi reticente a respeito do papel da Otan e à influência americana dentro da organização, teme que o plano possa se transformar em um instrumento da política externa dos Estados Unidos.

"O desenvolvimento de uma parceria global pode diluir a solidariedade natural entre europeus e americanos em uma entidade confusa", escreveu a ministra da Defesa francesa, Michele Alliot-Marie, no jornal Le Figaro.

Os americanos insistem que não estão tentando transformar a Otan em uma aliança global. Não seria oferecida a chance de se transformar em membro para possíveis novos parceiros.

Mas a palavra "global" aparece com freqüência em informes americanos a respeito da questão e isto indica que o plano é de longo alcance.

Em seu discurso Burns falou de uma "pauta global" e de parceiros e parcerias "globais".

“Sempre a Otan”

Em uma reunião com correspondentes europeus, Fried afirmou que existe uma grande diferença entre "aliança global" e uma "aliança transatlântica", mas também se referiu à "missão global" e à Otan como sendo "o principal braço militar e de segurança da aliança transatlântica de democracias enfrentando desafios globais".

Ele classificou a Otan como “uma aliança que não deve ter limites geográficos nas suas operações, sendo potencialmente global em suas missões”. Ele observou que é raro ouvir o governo Bush falando de uma “coalizão de intenções”.

Ao contrário, segundo ele diz, “é sempre a Otan”.

Um documento que deve ser aprovado pela reunião de cúpula afirma que nos próximos dez a 15 anos o terrorismo e armas de destruição em massa "devem ser as principais ameaças à aliança". Outros desafios serão instabilidade e ameaças de Estados fracassados, armas convencionais mais sofisticadas e a interrupção do fluxo de recursos naturais.

O terrorismo – a ameaça da Al-Qaeda, no caso do Afeganistão - é a maior justificativa que os líderes da Otan usam para manter as tropas no Afeganistão.

E não é difícil ver o mesmo argumento sendo usado para ações em outros lugares no futuro, caso a transformação venha a se consolidar.

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