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Atualizado às: 02 de setembro, 2006 - 05h10 GMT (02h10 Brasília)
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Chávez diz que Lula reeleito seria "vitória dos povos"

Família assiste a Chávez e Fidel na TV
Visita surpresa de Chávez a Fidel foi transmitida pela TV
Milhares de venezuelanos saíram às ruas nesta sexta-feira em Caracas para receber o presidente Hugo Chávez, que regressou ao país após uma semana de viagens para Ásia e África.

Acompanhando por seus simpatizantes, Chávez percorreu cerca de cinco quilômetros no centro de Caracas em carro aberto, inaugurando a segunda fase de sua campanha para a reeleição no pleito de 3 de dezembro.

Ao detalhar os desafios de sua campanha eleitoral, se referiu às eleições presidenciais do Brasil, mencionando uma possível reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Estive acompanhando as pesquisas e vi que falta muito pouco para que o presidente Lula ganhe no primeiro turno. Poderemos em poucos meses celebrar a vitória dos povos”, disse Chávez referindo-se às eleições de outubro.

Durante horas, o presidente venezuelano explicou à população os acordos firmados durante sua viagem.

Pouco antes de desembarcar em Caracas, Chávez esteve em Cuba para visitar o presidente Fidel Castro. “Esta manhã conversamos por mais de duas horas. Fidel se recuperou bastante”, afirmou o presidente venezuelano.

"Nova ordem política"

Mais do que equilibrar a balança comercial com acordos energéticos e de cooperação econômica, Chávez viajou para a África e para a Ásia para ajudar a construir seu projeto de “nova ordem política mundial”, opinaram analistas políticos venezuelanos ouvidos pela BBC Brasil.

 Estive acompanhando as pesquisas e vi que falta muito pouco para que o presidente Lula ganhe no primeiro turno. Poderemos em poucos meses celebrar a vitória dos povos
Hugo Chávez, sobre o Brasil

De acordo com Raimundo Kabchi, analista político do Instituto de Estudos Diplomáticos Pedro Gual de Caracas, a viagem de Chávez a China, Malásia, Síria e Angola faz parte de uma antiga agenda do governo para “aprofundar” as relações da Venezuela com países “estratégicos para a construção da multipolaridade”.

Chávez tem reiterado a “necessidade de romper com o mundo unipolar” controlado pelos Estados Unidos.

No entanto, o exercício diplomático de Chávez para diversificar os centros de poder preocupa alguns analistas.

Para Maria Tereza Romero, professora de Relações Internacionais da Universidade Central da Venezuela, a proposta da diplomacia venezuelana é fruto de um processo de “radicalização”.

“Com seu projeto antiimperialista, Chávez pretende ser o líder revolucionário com incidência em todos os países. Isso preocupa”, afirma Romero.

China, gigante aliado

Mesmo que o maior interesse da viagem fosse diplomático, a economia e o petróleo também foram assuntos estratégicos para Chávez.

A China tem estabelecido relações cada vez mais estreitas com o governo venezuelano.

Durante a visita de cinco dias, Chávez acordou com o presidente chinês Hu Jintao em triplicar as exportações de petróleo venezuelano ao país asiático até o ano de 2009.

De acordo com o presidente venezuelano, seu país enviaria meio milhão de barris por dia e, na próxima década, alcançaria a marca de um milhão de barris diários. Atualmente, a Venezuela exporta 150 mil barris por dia ao país asiático.

A projeção vem em boa hora para ambos os países. A China necessita aumentar as importações e a Venezuela se apresenta como fornecedor.

Hu Jintao, presidente chinês
Venezuela quer triplicar venda de petróleo à China de Jintao

Para o governo venezuelano, que vive sob intenso enfrentamento com o governo de Washington, é fundamental estreitar relações com outro grande pólo consumidor de energia para romper com a dependência das exportações aos Estados Unidos.

Diariamente os americanos recebem 1,5 milhão de barris de petróleo venezuelano, aproximadamente a metade da produção do país, que é o quinto maior exportador mundial.

Por outro lado, a China, que é o segundo maior consumidor, atrás dos Estados Unidos, importa 50% do combustível necessário e necessita aumentar as importações para abastecer o crescente setor automotivo.

“Os acordos firmados (na China) ampliam o mercado de exportações energéticos e também abre novos mercados para as importações venezuelanas”, analisa Kabchi.

Outro fator estratégico para Venezuela é que a Faixa Petroleira do Orinoco - uma das áreas mais cobiçadas pelas transnacionais – está em processo de certificação de suas reservas.

Se confirmada as estimativas, somado ao que já é explorado no país, as reservas petrolíferas venezuelanas totalizariam 315 milhões de barris.

Com isso, a Venezuela passaria a ser o principal produtor mundial de petróleo, superando a Arábia Saudita, que tem reserva de 262 milhões de barris.

Conselho de Segurança

Ao marcar uma posição antiimperialista e ao criticar a Israel, durante a passagem pela Síria, Chávez definiu uma posição que pode determinar o número de aliados da Venezuela em outros projetos, avalia o analista político Raimundo Kabchi.

“Ao aprofundar as relações a adesão dos demais países à candidatura da Venezuela ao Conselho de Segurança das Nações Unidas se dá de maneira natural”, disse Kabchi.

Chávez angariou o voto de todos os países que visitou no último mês para sua candidatura no Conselho de Segurança.

Maria Tereza Romero compartilha da mesma opinião. “Esse é um dos objetivos centrais desta viagem, a vaga no Conselho de Segurança da ONU”.

Chávez deverá se encontrar com novos aliados para a candidatura no Conselho de Segurança durante a Cúpula do Movimento dos Países Não-Alinhados que será realizada em Havana, Cuba, neste mês.

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