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Atualizado às: 31 de agosto, 2006 - 11h35 GMT (08h35 Brasília)
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Rival de Chávez diz que não vai 'sentar no colo' de Bush

Manuel Rosales
Manuel Rosales é governador do estado de Zulia, no oeste do país
Manuel Rosales quer derrotar o presidente Hugo Chávez com o respaldo de 42 organizações políticas, uma marca histórica em eleições venezuelanas.

Embora não seja o único candidato da oposição – há outros 21 – sua campanha o coloca como "o candidato unitário".

Em entrevista à BBC, Rosales refutou o título de "candidato do império", que lhe atribui o governo, e assegurou que se chegar ao palácio de Miraflores mudará a política exterior venezuelana para eliminar o que considera "manipulação partidária" da diplomacia atual.

Rosales, governador do Estado petroleiro de Zulia, assegura que os planos sociais conhecidos como Missões – bandeiras do atual governo – continuarão sob sua presidência, "porque isto sempre existiu com outros nomes". A seguir os melhores trechos da entrevista com o candidato.

BBC - O presidente Chávez parece que não lhe dá muita importância, porque sempre insiste em dizer que só há dois candidatos: ele e o presidente americano, George W. Bush.

Rosales - Isso é uma bravata do presidente Chávez. É um conto velho. Essa pretensa confrontação com Bush e isto que ele chama de império, que já virou uma chatice. Com isso, ele quer minimizar o país, que aspira à mudança. De todo modo, vamos ver no desenrolar da campanha como tudo começará a mudar.

BBC - No entanto, o presidente Chávez é um político experiente e, se usa o recurso do imperialismo, é porque deu resultado no passado. Como o senhor pretende se livrar do rótulo de candidato do imperialismo, que ele quer lhe colocar?

Rosales - Não tenho porque me livrar dele, porque não o sou. Não vou sentar no colo de Bush nem de Fidel Castro. Terei respeito pelos Estados Unidos e respeito por todos os países. Manterei relações a partir da soberania nacional, do benefício de nosso país e de outros países, no que tange à democracia, a liberdade e os direitos humanos.

BBC - Se o senhor eventualmente chegar ao poder, pode-se esperar uma completa revisão das relações exteriores venezuelanas?

Rosales - Uma mudança completa. O primeiro que temos que mudar é essa chancelaria e a coordenação da diplomacia venezuelana, que substituiu a profissional, meritocrática, e agora caminha pela via partidária.

BBC - Em relação às alianças, o presidente Chávez se converteu em um fator notável na promoção do chamado Terceiro Mundo.

Comício de Manuel Rosales
Candidato tem apoio de 42 organizações de oposição

Rosales - O que for bom, manteremos. O que tivermos de revisar, revisaremos. O que não vamos fazer nunca é marcar um tema ideológico para as relações da Venezuela com outro país.

BBC - Honestamente, o senhor imagina o presidente Chávez na oposição?

Rosales - Bem, em uma oposição que será respeitada, dentro do conceito democrático e do equilíbrio.

BBC - Alguns dizem que o presidente Chávez está há oito anos na oposição, a julgar pelo discurso (radical) que às vezes usa. O senhor imagina como seria o discurso de um eventual ex-presidente Chávez?

Rosales - Seria um discurso bastante débil. O que poderia reclamar o presidente Chávez na oposição, se como presidente ele não fez o que tanto prometeu e anunciou? Seriam palavras vazias, mentiras repetidas. Porque o que ele iria criticar é o que não fez e não cumpriu.

BBC - Mas o presidente Chávez fez. Por exemplo, isso que chamam Missões, que deram alívio a setores pobres da população.

Rosales - Isso o fizeram todos os governos. São programas sociais que tinham outros nomes. Por exemplo, o programa Mercal (de distribuição de alimentos), antes Corpomercadeo.

É que antes os presidentes não usavam isto para atividade política partidarista. Agora querem obrigar as pessoas, jogando com a fome, com a necessidade do povo, obrigá-los a participar politicamente em troca de um programa social.

Isso é o que temos que erradicar. Vou liberar os membros das Missões desse estrangulamento, desse acosso a que são submetidos de maneira mais indigna, em troca do benefício que o governo e o estado têm de dar por força da constituição e das leis.

BBC - Vão eliminar as Missões?

Rosales - Vamos manter as boas, vamos ampliá-las e implementarei muitas que implementei (no estado de) Zulia, que são muito melhores que as do presidente Chávez.

Manuel Rosales em comício
Críticos acusam Rosales de ter estilo populista como Chávez

BBC - Se dissermos que o senhor segue como segundo lugar atrás do presidente Chávez, não estaríamos faltando com a verdade. Três meses de campanha não são pouco para reverter essa vantagem?

Rosales - O tempo nos ajuda, mas esta não é uma campanha eleitoral nova. Se fôssemos falar de temas que surgiram há um mês, diríamos que esta é nova. Mas a discussão neste país existe há oito anos. E as pessoas sabem se querem continuar com isto, ou se procuram uma saída.

Se as pessoas querem ficar com o atraso ou ir à modernidade; se querem a violência ou a paz; se querem ficar com o que significa desunião, divisão, ou se querem a unidade do país. Se as pessoas querem justiça social de verdade, em termos de distribuição de riqueza, ou se vão ficar com algumas migalhas que distribui o governo nacional.

BBC - O senhor não compete apenas com o presidente Chávez. Também tem de convencer uma parte do eleitorado que não parece muito convencida da utilidade de votar: os que optam pela abstenção.

Rosales - Mas esses vêm despertando e se somando a minha candidatura, e sou otimista. Vamos vencer o presidente Chávez, vamos vencer a abstenção, vamos ganhar as eleições de 3 de dezembro.

Manuel RosalesContra Chávez
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