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Rival de Chávez diz que não vai 'sentar no colo' de Bush | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Manuel Rosales quer derrotar o presidente Hugo Chávez com o respaldo de 42 organizações políticas, uma marca histórica em eleições venezuelanas. Embora não seja o único candidato da oposição – há outros 21 – sua campanha o coloca como "o candidato unitário". Em entrevista à BBC, Rosales refutou o título de "candidato do império", que lhe atribui o governo, e assegurou que se chegar ao palácio de Miraflores mudará a política exterior venezuelana para eliminar o que considera "manipulação partidária" da diplomacia atual. Rosales, governador do Estado petroleiro de Zulia, assegura que os planos sociais conhecidos como Missões – bandeiras do atual governo – continuarão sob sua presidência, "porque isto sempre existiu com outros nomes". A seguir os melhores trechos da entrevista com o candidato. BBC - O presidente Chávez parece que não lhe dá muita importância, porque sempre insiste em dizer que só há dois candidatos: ele e o presidente americano, George W. Bush. Rosales - Isso é uma bravata do presidente Chávez. É um conto velho. Essa pretensa confrontação com Bush e isto que ele chama de império, que já virou uma chatice. Com isso, ele quer minimizar o país, que aspira à mudança. De todo modo, vamos ver no desenrolar da campanha como tudo começará a mudar. BBC - No entanto, o presidente Chávez é um político experiente e, se usa o recurso do imperialismo, é porque deu resultado no passado. Como o senhor pretende se livrar do rótulo de candidato do imperialismo, que ele quer lhe colocar? Rosales - Não tenho porque me livrar dele, porque não o sou. Não vou sentar no colo de Bush nem de Fidel Castro. Terei respeito pelos Estados Unidos e respeito por todos os países. Manterei relações a partir da soberania nacional, do benefício de nosso país e de outros países, no que tange à democracia, a liberdade e os direitos humanos. BBC - Se o senhor eventualmente chegar ao poder, pode-se esperar uma completa revisão das relações exteriores venezuelanas? Rosales - Uma mudança completa. O primeiro que temos que mudar é essa chancelaria e a coordenação da diplomacia venezuelana, que substituiu a profissional, meritocrática, e agora caminha pela via partidária. BBC - Em relação às alianças, o presidente Chávez se converteu em um fator notável na promoção do chamado Terceiro Mundo.
Rosales - O que for bom, manteremos. O que tivermos de revisar, revisaremos. O que não vamos fazer nunca é marcar um tema ideológico para as relações da Venezuela com outro país. BBC - Honestamente, o senhor imagina o presidente Chávez na oposição? Rosales - Bem, em uma oposição que será respeitada, dentro do conceito democrático e do equilíbrio. BBC - Alguns dizem que o presidente Chávez está há oito anos na oposição, a julgar pelo discurso (radical) que às vezes usa. O senhor imagina como seria o discurso de um eventual ex-presidente Chávez? Rosales - Seria um discurso bastante débil. O que poderia reclamar o presidente Chávez na oposição, se como presidente ele não fez o que tanto prometeu e anunciou? Seriam palavras vazias, mentiras repetidas. Porque o que ele iria criticar é o que não fez e não cumpriu. BBC - Mas o presidente Chávez fez. Por exemplo, isso que chamam Missões, que deram alívio a setores pobres da população. Rosales - Isso o fizeram todos os governos. São programas sociais que tinham outros nomes. Por exemplo, o programa Mercal (de distribuição de alimentos), antes Corpomercadeo. É que antes os presidentes não usavam isto para atividade política partidarista. Agora querem obrigar as pessoas, jogando com a fome, com a necessidade do povo, obrigá-los a participar politicamente em troca de um programa social. Isso é o que temos que erradicar. Vou liberar os membros das Missões desse estrangulamento, desse acosso a que são submetidos de maneira mais indigna, em troca do benefício que o governo e o estado têm de dar por força da constituição e das leis. BBC - Vão eliminar as Missões? Rosales - Vamos manter as boas, vamos ampliá-las e implementarei muitas que implementei (no estado de) Zulia, que são muito melhores que as do presidente Chávez.
BBC - Se dissermos que o senhor segue como segundo lugar atrás do presidente Chávez, não estaríamos faltando com a verdade. Três meses de campanha não são pouco para reverter essa vantagem? Rosales - O tempo nos ajuda, mas esta não é uma campanha eleitoral nova. Se fôssemos falar de temas que surgiram há um mês, diríamos que esta é nova. Mas a discussão neste país existe há oito anos. E as pessoas sabem se querem continuar com isto, ou se procuram uma saída. Se as pessoas querem ficar com o atraso ou ir à modernidade; se querem a violência ou a paz; se querem ficar com o que significa desunião, divisão, ou se querem a unidade do país. Se as pessoas querem justiça social de verdade, em termos de distribuição de riqueza, ou se vão ficar com algumas migalhas que distribui o governo nacional. BBC - O senhor não compete apenas com o presidente Chávez. Também tem de convencer uma parte do eleitorado que não parece muito convencida da utilidade de votar: os que optam pela abstenção. Rosales - Mas esses vêm despertando e se somando a minha candidatura, e sou otimista. Vamos vencer o presidente Chávez, vamos vencer a abstenção, vamos ganhar as eleições de 3 de dezembro. |
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