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Atualizado às: 14 de maio, 2006 - 19h39 GMT (16h39 Brasília)
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Chávez busca esquerda e tenta evitar isolamento
Hugo Chávez
Hugo Chávez deve chegar a Londres neste domingo
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, chega a Londres neste domingo em uma visita particular, parte de uma viagem por vários países da Europa e da América do Norte.

Chávez vai fazer discursos para militantes de esquerda, participar de reuniões com o prefeito de Londres, Ken Livingstone (que é de esquerda como Chávez), com o Congresso de Sindicatos (TUC) e membros de esquerda do Parlamento britânico. Chávez não vai se reunir com o primeiro-ministro Tony Blair, a quem criticou muito por ser um aliado próximo do presidente americano George W. Bush.

A visita deste domingo contrasta com as duas visitas anteriores de Chávez a Londres.

Depois de uma visita em 1998, Chávez expressou muito interesse na chamada "terceira via" de Blair.

Em sua última visita, em 2001, o presidente venezuelano se reuniu com Blair e teve uma audiência com a Rainha Elizabeth. Desde então as relações entre Londres e Chávez pioraram.

Ataque

Em fevereiro de 2006 Blair lançou um forte ataque contra Chávez na Câmara dos Comuns, no qual ele criticou o presidente venezuelano por não obedecer às leis da comunidade internacional e por se aliar ao presidente de Cuba, Fidel Casto.

Chávez respondeu afirmando que a Grã-Bretanha deveria devolver as ilhas Falklands, ou Malvinas, à Argentina, e não mais apoiar o "Sr. Perigo", como Chávez chama o presidente americano George W. Bush.

Mas por que Chávez visitaria Londres, particularmente quando, para o governo britânico, a América Latina está bem abaixo na lista de prioridades internacionais?

Um documento publicado recentemente, do Ministério do Exterior britânico, destacou a importância de transferir recursos para prioridades na Ásia (significando China e Índia) e no Oriente Médio. Da América Latina, apenas Brasil e México foram citados brevemente, principalmente por serem vistos como países importantes em questões como negociações de comércio internacional e mudança climática.

Diplomatas próximos a Chávez afirmam que ele tem uma afeição especial pela Grã-Bretanha e está grato pelo apoio que tem do TUC e de alguns parlamentares britânicos.

'Ala européia'

Mas a razão principal da visita de Chávez pode ser o fato do presidente venezuelano não querer o que ele chama de "ala européia" sendo aberta para se juntar aos constantes ataques verbais do governo americano.

O governo Bush já disse publicamente que quer o apoio da Europa para suas preocupações a respeito de Chávez.

A estratégia de Chávez é parecida com a que ele adotou durante sua última visita aos Estados Unidos, em setembro de 2005: não se reunir com autoridades do governo, aparecer como um homem do povo.

Em Nova York ele participou de um discurso lotado com o reverendo Jesse Jackson e um grande grupo de ativistas contra a globalização.

O presidente venezuelano anunciou também programas especiais para entregar combustível subsidiado para uso em aquecimento doméstico para comunidades pobres no bairro do Bronx, Nova York, e da cidade de Boston. Também ofereceu empréstimos com juros baixos para instituições públicas em comunidades pobres.

Em Londres Chávez vai se reunir apenas com seus partidários de esquerda na Grã-Bretanha. Alguns analistas afirmam que não será surpresa se o presidente venezuelano anunciar alguma iniciativa semelhante para ajudar os pobres em Londres.

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