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Análise: Crise libanesa aumenta fosso entre EUA e ONU | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, pede um cessar-fogo imediato na crise libanesa. O governo americano pede paciência com a ofensiva israelense contra as milícias do Hezbollah. Um fosso entre as Nações Unidas e os Estados Unidos não é notícia bombástica, mas é curioso que se amplie nesta crise libanesa, quando se estreita a distância entre Washington e atores-chaves da ONU no duelo com o Irã na questao nuclear. Nesse caso nuclear, o presidente Bush se curvou a uma abordagem multilateral na falta de opções atraentes. Na crise libanesa, ele optou por seguir os passos que justificaram a invasão do Iraque. Para Bush, a prioridade é ganhar tempo para a ofensiva israelense, pois ele a encaixa em um contexto mais amplo da chamada "guerra contra o terror". O argumento justificou a invasão de março de 2003. Esmagar grupos como o Hezbollah seria a única maneira, na visão de Bush, de trazer uma paz duradoura para o Oriente Médio. Isso ajuda a explicar como Bush atua diferentemente de seus predecessores, que agiam rapidamente para conter uma escalada de violência nas crises do Oriente Médio. Nem mesmo as crescentes pressões internacionais e o cenário de uma catásrofe humana alteram o modus-operandi de Bush. Em entrevista ao jornal The Washington Post, um ex-alto funcionário do governo americano, não identificado, disse que Bush ficou até mais encorajado para se contrapor a esses apelos das Nações Unidas pela cessação imediata de hostilidades. Para o presidente, tais apelos são meros lances táticos. Esse ex-alto funcionário disse que Bush acredita que "esteja jogando um jogo a longo prazo". Na sua visão estratégica, não se trata de administrar ou controlar um conflito, mas de usá-lo como oportunidade para alterar o status quo no Oriente Médio. Mas, como o Iraque demonstra, essas oportunidades podem ser altamente arriscadas, para não dizer desastrosas. A visão estratégica que permite o sinal verde americano para a ofensiva israelense por tempo indeterminado não impede algumas movimentações diplomáticas cosméticas para inglês (ou o mundo) ver, como a viagem que a secretária de Estado Condoleezza Rice fará ao Oriente Medio a partir de domingo. Mas vale repetir que a viagem faz parte dos esforços para ganhar tempo. Na quinta-feira à noite, Condoleezza Rice teve um jantar de trabalho com Kofi Annan. Antes mesmo do encontro, a diplomacia americana já havia rechaçado a proposta de um cessar-fogo imediato, visto como prematuro. Isolamento americano Como no Iraque, Bush pode pagar um preço alto na crise libanesa por sua "visão estratégica". Novamente, existe um crescente isolamento americano. De novo, Bush é secundado basicamente por Tony Blair, embora haja um consenso internacional de que grupos como o Hezbollah não podem agir impunemente e de que devem ser criados mecanismos para a segurança de Israel na sua fronteira. Mas também no Iraque pouca gente no mundo morria de amores por Saddam Hussein. Novamente, o dilema é o método para eliminar atores que trazem desordem à ordem regional ou mundial. Em algum momento, os bombardeios israelenses e os disparos dos foguetes do Hezbolla devem parar. Os Estados Unidos estão crescentemente isolados nesta crise, mas qualquer esforço diplomático jamais será bem-sucedido sem o engajamento americano. Parafraseando Clausewitz, a diplomacia é a continuação da guerra por outros meios, mas o governo Bush carece de interlocutores fundamentais na crise libanesa para travar batalhas diplomáticas, leia-se Síria e Irã. No ar está a possibilidade de expansão das operações israelenses no Líbano com uma ofensiva terrestre. No esforço para ganhar tempo para Israel, os americanos correm contra o tempo para impedir um conflito regional no Oriente Médio. |
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