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Atualizado às: 19 de junho, 2006 - 09h29 GMT (06h29 Brasília)
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Ivan Lessa: Julgamento em Nuremberg
Ivan Lessa
Sir Peter Torry é embaixador da Grã-Bretanha há três anos em Berlim. Há três anos aguardava, com justa trepidação, a Copa do Mundo e a passagem, por algumas semanas, de cerca de 40 mil de seus conterrâneos pela Alemanha.

Quinta-feira passada, pouco antes do embate – chamemos de embate na falta de palavra mais adequada – da seleção inglesa contra Trinidad e Tobago, que, embora sejam dois, jogam por meio, sir Peter deixou-se de diplomacias e pôs a boca no proverbial trombone (na Glória!) ao se referir à torcida de seu país como uma “gentalha gorda e grosseira”.

Assim se expressou o insigne diplomata ao criticar os cânticos dos torcedores ingleses, com suas nada sutis referências à segunda guerra mundial e ao nazismo, pelas ruas, bares e campo de futebol do hoje amicíssimo país: “Se ao menos essa gente se visse. Gentalha gorda e grosseira.”

A polícia alemã, mais diplomata que o diplomata, já fizera circular entre os torcedores ingleses um livrinho de etiqueta onde se explicava que entoar cânticos futebolísticos não tinha nada demais, mas que seria mais interessante se os apreciadores do nobre esporte bretão se abstivessem de fazer incessantemente a saudação nazista e não usassem das insígnias populares nos tempos de Adolf Hitler.

O livrinho de boas maneiras era explícito: “Sair pelas ruas marchando a passo de ganso ou usar capacetes nazistas, mesmo que inautênticos ou de brincadeira, não constitui crime passível de prisão, mas a maior parte dos alemães considera tais ações altamente insultuosas.”

Sir Peter acrescentou, por conta própria, que “na Inglaterra ir a uma festa a fantasia usando as insígnias nazistas poderia ser considerado uma brincadeira sem maiores consequências, mas aqui na Alemanha é crime.”

A imprensa interpretou o parêntese desnecessário como uma alusão nada sutil ao fato de que, ainda recentemente, o príncipe Harry foi a uma festa, aqui na Inglaterra, usando uma braçadeira com suástica, para deleite dos tablóides sensacionalistas. Diante de alguns repórteres, entre espantados e encantados, sir Peter prosseguiu: “Quando as pessoas tomam um porre, conforme sei por experiência própria, elas tendem a fazer coisas que, mais tarde, se arrependem amargamente.”

Não ficou claro a história de “saber por experiência própria”. Sua excelência andou tomando umas e outras e depois fez besteirada da grossa? É isso?

De resto, o embaixador britânico continuou a embaixar, a polícia alemã a admoestar, os torcedores a cantar e usar tudo que lhes desse na cabeça ou no braço, e o futebol das seleções da Inglaterra, de Trinidad e de Tobago a praticar no campo precisamente aquilo de que são capazes. Azar o de quem viu o jogo.

A passos largos, e manquitolando, prossegue o mais popular esporte na face do planeta. Nós merecemos.

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