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EUA 'devem passar o Brasil na produção de etanol' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os Estados Unidos devem passar o Brasil na produção de etanol neste ano e se tornar o maior produtor do mundo. De acordo com o Ministério da Agricultura brasileiro, em 2006 o Brasil deve produzir cerca de 16 bilhões de litros de etanol. Segundo o grupo Coalizão pelo Etanol, que defende os interesses dos produtores de combustível nos Estados Unidos, a produção americana deve alcançar para cerca de 18,9 bilhões de litros até o final do ano. Se esses dados se concretizarem, os americanos assumirão a liderança mundial nesse campo. E, segundo especialistas, essa liderança só deve se ampliar nos próximos anos. Graças à adoção de novas tecnologias na fabricação do produto, principalmente o etanol obtido a partir de celulose, os Estados Unidos deverão produzir em 2010 cerca de 17,3 bilhões de litros por ano. Na mesma época, a produção americana deverá exceder os 20 bilhões de litros do combustível. Consumo Além de se tornarem o maior produtor, os Estados Unidos têm como meta serem os maiores consumidores do produto, como parte do plano de diversificar a matriz energética do país. “O governo americano estabeleceu uma meta de (…) consumir cerca de 31 bilhões de metros cúbicos de etanol na virada da década”, diz José Roberto Moreira, diretor do Centro Nacional de Referência de Biomassa da Universidade de São Paulo e coordenador para o Brasil do Painel Inter-governamental sobre Mudança Climática da Organização das Nações Unidas (ONU). “O Brasil não terá como produzir tanto etanol.” “Para atingir a meta, os americanos terão que expandir radicalmente sua produção,” acrescenta Moreira. “Como produzir álcool de milho é uma coisa muito árdua, eles terão que desenvolver o etanol a partir de celulose, além de importar imensas quantidades do produto.” Para Moreira, mesmo a vice-liderança na produção mundial de etanol pode significar uma grande oportunidade de exportação para os produtores de etanol brasileiro nos Estados Unidos. Ao contrário dos EUA, onde o crescimento do consumo de etanol já provoca a escassez do produto, o Brasil, que segundo a Petrobras já exporta cerca de 1 bilhão de litros de etanol por ano, poderá expandir sua produção visando o mercado externo. “O Brasil dispõe de todos os recursos necessários para produzir uma enorme quantidade de etanol à base de cana-de-açúcar”, diz Ted Helms, diretor da Petrobras em Nova York. “Como o consumo doméstico brasileiro não vai crescer tanto como nos EUA, o Brasil terá muito etanol para exportar.” “É por isso que os fazendeiros americanos estão amedrontados. A questão [da importação] do etanol brasileiro aqui nos EUA é não da ordem da política energética, mas de política agrícola”, afirma Helms. Tarifa Atualmente os EUA cobram uma tarifa de US$ 0,54 por galão de etanol importado do Brasil. A maior parte do etanol importado pelos americanos é produzida por países da América Central, com quem os EUA têm acordos preferenciais de comércio. Segundo José Roberto Moreira, o Brasil, que já questiona o protecionismo americano agrícola na Organização Mundial do Comércio (OMC), deverá ser beneficiado pela expansão do consumo global. “Os americanos vão acabar se convencendo de que é mais interessante trocar a gasolina, que vem de apenas sete ou oito países do Oriente Médio, pelo etanol, que além de ser um combustível mais limpo, é produzido por 104 países em todo o mundo,” disse. De acordo com Moreira, é importante para os produtores brasileiros obter o apoio dos produtores de etanol americanos, “já que a indústria americana do petróleo é muito refratária.” Créditos de carbono Para os investidores, o mercado de etanol oferece a oportunidade de investimentos no mercado de créditos de carbono, um mecanismo criado pelo Protocolo de Kyoto, pelo qual países desenvolvidos e com grandes emissões de carbono podem pagar a países em desenvolvimento com índices menores de emissão. “Graças a projetos de biomassa, como o etanol, o Brasil será um dos maiores mercados potenciais para o comércio de créditos de carbono,” disse Adriana Fixel, advogada do escritório de advocacia e consultoria Thompson & Knight. De acordo com Fixel, graças à utilização de combustíveis “verdes,” o Brasil terá deixado de emitir cerca de 144 milhões de toneladas de gás carbônico na atmosfera até 2012. Hoje, o Brasil conta com 45 projetos de venda de carbono já registrados junto aos países signatários de Kyoto, além de 18 em fase de registro e 80 ainda na fase inicial de validação. O comércio de créditos de carbono deve começar em 2008. |
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