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Para especialistas, indústria não estimula avanço do etanol | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A falta de interesse da indústria automobilística e dos distribuidores de derivados de petróleo é o maior obstáculo à disseminação de veículos com combustíveis renováveis entre a frota americana, na avaliação de especialistas do setor. "O grande obstáculo (para a adoção de combustíveis como o etanol) é a lentidão de Detroit (sede das grandes montadoras) em fazer essas grandes mudanças", diz o presidente do Conselho Coordenador de Biomassa do Conselho Americano de Energia Renovável, Bill Holmberg. Ele lembra que já existem 5 milhões de carros com motor flex fuel, capaz de rodar com gasolina ou E85 (combinação de 85% de álcool e 15% de gasolina), e apenas cerca de 500 postos que vendem o combustível em todo o país. "O grande desafio para que as pessoas realmente usem etanol é ter mais postos vendendo o combustível", afirma. "Isso está começando a acontecer, mas aconteceria mais rápido se todos os carros que saem das montadoras tivessem esse tipo de motor. Gostaria que estivéssemos seguindo o modelo do Brasil", afirmou, numa referência ao bicombustível brasileiro, modelo para os que defendem um mercado semelhante nos Estados Unidos. Distribuição "O problema é que o etanol tem que ser vendido às empresas de petróleo, que têm a rede de distribuição", diz o diretor executivo da Coalizão para o Desenvolvimento de Combustíveis Limpos, Douglas Durante. Ele acha que a situação vai melhorar com a Lei de Energia, que obriga as refinarias a aumentar a proporção de etanol adicionado à gasolina nos próximos anos, até chegar ao dobro do volume atual em 2012. "Isto é muito importante, porque ao garantir um mercado para o produto, estamos criando um incentivo", afirma. Mas Donald Hillebrand, chefe do setor de sistemas de veículos e combustíveis do Centro de Pesquisa em Transportes do Laboratório Nacional Argonne, em Chicago, do Departamento de Energia americano, diz que não se pode esperar que a indústria automobilística se encarregue de pensar no futuro. "A indústria produz os carros que o consumidor quer comprar agora. Nós e os formuladores de políticas públicas do governo é que temos que pensar no que vai acontecer daqui a dez anos", afirma. Uma das consequências desta visão de curto prazo é que nos últimos anos a indústria se dedicou a construir carros grandes, com grande potência e consumo elevado, atendendo ao gosto americano. Alguns especialistas, principalmente os ligados à defesa do meio ambiente, também criticaram bastante o presidente George W. Bush por não ter mencionado a economia de combustível como um ponto na estratégia de redução da dependência do petróleo importado. "Nos últimos 30 anos, os carros ficaram 60% mais potentes, 35% mais pesados e apenas 1% mais econômicos", diz Hillebrant. "E como as pessoas passaram a comprar veículos maiores, na verdade houve um aumento do consumo médio de cada carro." O gerente de combustível do Instituto Americano de Petróleo, Al Monado, diz que as empresas de petróleo também estão envolvidas no desenvolvimento de novas tecnologias, principalmente de combustíveis menos poluentes. Ele não teme que as empresas que representa percam mercado. "Achamos que os principais combustíveis para transporte ainda vão ser gasolina e diesel pelo menos nas próximas três décadas", afirma. Ele cita como exemplo os carros híbridos, que usam uma bateria para reduzir a necessidade de combustível, mas continuam usando gasolina. Ele disse que as empresas também estão trabalhando no desenvolvimento de hidrogênio. Na semana passada, a Ford e a produtora de etanol VeraSun anunciaram uma parceria para ampliar em 30% o número de postos vendendo etanol nos Estados de Illinois e Missouri neste ano, criando um "corredor de etanol" no Meio Oeste americano, justamente a maior região produtora de álcool de milho do país. |
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