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Atualizado às: 17 de fevereiro, 2006 - 08h33 GMT (06h33 Brasília)
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Petróleo caro fortalece novos combustíveis nos EUA

Barris de petróleo
EUA buscam combustíveis alternativos ao petróleo
O discurso do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, no fim de janeiro, em que ele prometia investir para desenvolver novas tecnologias para reduzir a importação de petróleo do Oriente Médio nos próximos anos, agradou aos que há tempos defendem o uso de energia renovável, seja para estimular a agricultura no interior do país, reduzir a poluição do ar ou mesmo para diminuir a dependência do petróleo importado.

Apesar do poderio da indústria automobilística e da capacidade de pesquisa do país, pouco foi feito nas últimas décadas para estimular o uso de combustíveis alternativos à gasolina. O que provocou a mudança, na avaliação de especialistas, foi o aumento do preço do petróleo nos últimos cinco anos e a expectativa de que o preço se mantenha em torno dos atuais US$ 60,00 por barril por pelo menos uma década.

"Petróleo caro é o motor das pesquisas de novas fontes de energia", diz Donald Hillebrand, chefe do setor de sistemas de veículos e combustíveis do Centro de Pesquisa em Transportes do Laboratório Nacional Argonne, em Chicago, do Departamento de Energia americano.

"Quanto mais cara a gasolina, mais estas tecnologias vão se desenvolver e serão buscadas pelo consumidor", afirma Hillebrand.

Alternativa

"Durante muito tempo, a gasolina custava em torno de US$ 1,50 o galão (R$ 0,90 o litro), enquanto o etanol custava US$ 1,70. Com gasolina a mais de US$ 2,00 o galão (R$ 1,20 o litro), o etanol parece muito bom. Chegamos a um ponto em que o etanol parece uma alternativa inteligente", diz Douglas Durante, diretor executivo da Coalizão para o Desenvolvimento de Combustíveis Limpos.

"Todas essas alternativas agora parecem melhores num mundo com o petróleo a US$ 60 o barril. Tudo o que parecia caro agora parece viável."

O economista Daniel Santini, também do Laboratório Nacional Argonne, concorda que o aumento recente dos preços deu um impulso ao desenvolvimento de novas tecnologias e despertou a atenção do consumidor para comprar carros que usem combustíveis alternativos.

Mas ele acha que o nível atual de preços ainda não é crítico. "Comparativamente, os preços ainda são menores do que na década de 70, e muitos economistas acham que não é alto o suficiente para provocar uma mudança mais profunda na economia", afirma Santini.

Com 4,5% da população e 25% do consumo mundial de petróleo, os Estados Unidos importam hoje 60% do combustível fóssil que utilizam em sua frota de mais de 220 milhões de veículos, um terço do total de veículos em circulação.

Pesquisas

As pesquisas do Argonne em combustíveis alternativos à gasolina começaram há pouco mais de dez anos, quando o governo americano decidiu que era importante ter uma alternativa à dependência do país do petróleo importado. Mas foi com o discurso de Bush no fim de janeiro que o uso de combustíveis alternativos ganhou espaço na mídia americana.

Nos últimos 30 anos, os Estados Unidos triplicaram o consumo de derivados de petróleo, ao mesmo tempo que reduziram pela metade a extração de petróleo doméstico. "Todo mundo que olha para estes números vê que esta é uma grande ameaça à nossa economia", diz Hillebrand.

Bush disse no discurso que os Estados Unidos "estão viciados em petróleo". Na avaliação de Hillebrand, esse "vício" não vai acabar do dia para a noite. Mas ele diz que o laboratório espera liderar as pesquisas na oferta de alternativas aos derivados de petróleo.

Os carros americanos do futuro, segundo ele, vão usar uma mistura de vários combustíveis, dependendo da região do país e do tipo de uso. Entre eles estão o etanol, um carro híbrido de gasolina e elétrico ou etanol e elétrico, um carro totalmente elétrico, cuja bateria seria recarregada na garagem de casa e, no futuro, um carro movido a hidrogênio.

"No curto prazo, a gasolina será parcialmente substituída pelo etanol", diz Hillebrand. Nos Estados Unidos, o álcool combustível é produzido a partir do milho e já é usado como componente da gasolina - numa proporção média de 3% e, em alguns Estados, de 10% - e também numa combinação de 85% de etanol e 15% de gasolina, batizada de E85.

A frota que roda com E85 já é de 5 milhões de veículos, e as duas maiores montadores do país, General Motors e Ford, lançaram nas últimas semanas novos modelos com o combustível.

O problema é que o E85 pode ser comprado somente em pouco mais de 500 dos 180 mil postos de combustíveis dos Estados Unidos. A maioria deles fica no Meio Oeste, nos Estados produtores de milho, onde o álcool é produzido. Na costa oeste, onde mora a maior parte da população, é difícil encontrar um posto onde o combustível é vendido.

Carros híbridos

O carro híbrido de gasolina e motor elétrico também já está disponível nas lojas, embora a frota circulante corresponda a apenas 1% do total. O carro tem um tanque de gasolina, como um carro regular, mas os primeiros quilômetros do percurso são feitos com a bateria, que é recarregada com a energia gerada pelo freio. "É um carro ideal para cidades grandes, onde o motorista tem que acelerar e brecar o tempo todo, sem percorrer grandes distâncias", afirma Hillebrand.

Um relatório da ExxonMobil prevê que, em 2030, a frota americana de carros híbridos possa chegar a 10% do total, respondendo por 30% das vendas dos carros novos.

Já para quem mora nos subúrbios dessas cidades, diz ele, o ideal seria o híbrido plug in, um carro que ainda está em desenvolvido, com uma bateria com uma capacidade maior. O carro seria recarregado à noite, numa tomada dentro da garagem da casa, e teria autonomia para rodar os primeiros 20 a 30 quilômetros somente com a bateria. "Estudos mostram que a maioria dos motoristas dirige menos de 30 quilômetros por dia", diz o cientista do Argonne.

O obstáculo para plug in é que os cientistas ainda não conseguiram desenvolver uma bateria que seja ao mesmo tempo potente e pequena o suficiente par caber dentro do carro. Além disso, é preciso criar a infra-estrutura de geração de energia para recarregar todas essas baterias a partir de uma simples tomada doméstica.

No Meio Oeste, onde já está concentrada a produção de milho e de etanol e as distâncias são maiores, os combustíveis ideais, segundo Hillebrand, são o álcool e o biodiesel, uma versão não poluente do diesel derivado de petróleo.

Futuro

Mas o combustível do futuro, aquele que os cientistas acreditam que vai abastecer veículos a partir da segunda metade deste século e nos próximos, é o hidrogênio. Vários fabricantes e institutos de pesquisas trabalham, em várias partes do mundo, para desenvolver veículos movidos a hidrogênio, uma energia limpa, renovável e não poluente.

Neste caso, a tecnologia já é conhecida, mas o obstáculo é o custo. No estágio atual, um carro movido a hidrogênio custaria cerca de US$ 2 milhões (R$ 4,5 milhões). "A estimativa é de que demore de 10 a 50 anos para ter um carro pronto para ser comercializado", diz Hillebrant. "É difícil estimar, porque é possível que daqui a um mês se descubra uma coisa que seja decisiva."

A General Motors já está mais avançada neste setor. A empresa tem uma frota de seis veículos rodando em Washington e no Estado da Virgínia, num programa para mostrar que o combustível é seguro e funciona. Eles têm sido usados para transportar parlamentares e para distribuir correspondência numa cidade vizinha à capital.

Para o motorista, o carro tem poucas diferenças. A mais visível é o câmbio, totalmente automático, com apenas dois botões que indicam se o carro deve andar para a frente ou de ré.

De resto, tudo funciona como em um carro a gasolina ou a álcool. Os carros da frota de demonstração podem ser abastecidos num posto da Shell que participa do programa junto com a GM. Com o tanque cheio, têm uma autonomia de 250 quilômetros, mas os engenheiros dizem que a autonomia pode ser ampliada em novos modelos.

"O sistema ainda é muito caro e estamos trabalhando agressivamente para baixar o preço para poder colocar o carro no mercado por um valor semelhante aos outros veículos", diz o gerente de operações e políticas do setor de células de combustível de hidrogênio da GM, Raj Choudhury.

"Nosso objetivo é, até o fim desta década, conseguir produzir o carro numa linha de produção por um valor compatível com os outros no mercado", afirma. A empresa estima ter gasto cerca de US$ 1 milhão para produzir os carros de demonstração.

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