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Brasil quer entrar no mercado de etanol dos Estados Unidos | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Brasil quer aproveitar o crescimento do uso do etanol como combustível nos Estados Unidos para ampliar a presença no mercado americano, hoje muito pequena. O álcool brasileiro enfrenta barreiras comerciais, com uma sobretaxa de US$ 0,54 por galão além do imposto de importação, mas o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Luiz Fernando Furlan, acha que o país está interessado em importar combustível brasileiro à medida que o consumo aumenta. "Fiz uma reunião há duas semanas com o secretário de Comércio, Carlos Gutierrez, no Fórum Econômico, e ele perguntou se o Brasil teria condições de abastecer um eventual aumento de demanda nos Estados Unidos", contou à BBC Brasil o ministro. "Eu disse que sim, desde que com uma programação prévia", afirmou. Furlan diz que o Brasil pode dobrar a área plantada de cana no momento, de 3,6 milhões de hectares. "Estas áreas estão disponíveis como pastagens e poderiam ser deslocadas para o plantio de cana", diz o ministro. Lei de Energia O que anima o governo e os produtores brasileiros é a aprovação, no ano passado, da Lei de Energia, que prevê aumentar a produção americana progressivamente, dos 17 bilhões de galões atuais até chegar a 26,6 bilhões em 2012. A capacidade de produção brasileira, segundo o ministro, é de 18 bilhões de litros. Além disso, à medida que o uso do etanol cresce nos Estados Unidos, a expectativa é que o combustivel comece a ser utilizado também em outros países. "Brasil e Estados Unidos são os dois maiores produtores do mundo, e podemos fazer uma cooperação técnica para disseminar essas tecnologias aos países interessados", afirmou. No ano passado, Furlan liderou uma comitiva de empresários brasileiros ligados ao setor de energia aos Estados Unidos, que se reuniram com representantes do governo americano, organizações ligados ao setor e representantes de produtores de álcool. O ministro disse que o assunto também já foi tratado pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e George W. Bush, dos Estados Unidos, nas três vezes em que os dois se encontraram: na Casa Branca, em junho de 2003, na reunião na ONU, em setembro do ano passado, e na visita de Bush ao Brasil, em novembro. "Num almoço na Granja do Torto falou-se muito sobre competitividade agrícola e energia renovável e o presidente Bush recebeu muitas explicações técnicas de como o Brasil conseguiu avançar primeiro no etanol e agora no biodiesel", contou Furlan. O Brasil também negocia exportações de etanol com a China, Índia, Suécia, Tailândia e Japão. As dificuldades apontadas pelo ministro para entrar com mais força no mercado americano são as mesmas citadas por especialistas americanos. Não basta produzir o combustível, é preciso ter uma boa quantidade de modelos rodando com etanol e principalmente que ele esteja disponível em postos em todo o país. Atualmente, apenas 500 dos 180 mil postos de combustível vendem etanol. "É preciso ter uma estrutura de distribuição e o convencimento dos distribuidores de combustíveis de que o álcool faz parte da matriz energética e deve estar disponível para o consumidor", afirmou. |
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