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FMI quer reforma para se tornar mais relevante | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Comitê Monetário e Financeiro do Fundo Monetário Internacional (FMI) concordou, numa reunião neste sábado, em reformar a instituição para ampliar seu papel de supervisão da economia mundial e mudar a distribuição de cotas para dar mais poder de decisão aos países emergentes. Os 24 países-membros do comitê, entre eles o Brasil, decidiram que o FMI precisa de uma reforma para tornar mais efetivo seu papel de supervisor da estabilidade econômica mundial. O diretor-gerente do Fundo, Rodrigo de Rato, ficou encarregado de apresentar uma proposta detalhada na reunião anual da institutição, marcada para 17 de setembro, em Cingapura. “A reunião de Cingapura será uma reunião de reformas”, afirmou o ministro da Fazenda da Grã-Bretanha e presidente do Comitê, Gordon Brown. Ele disse que as reformas vão permitir que o Fundo se prepare para o futuro. Desequilíbrios A necessidade de uma revisão das funções do Fundo vem da percepção, por parte tanto de países ricos quanto em desenvolvimento, de que o sistema financeiro internacional carece de um organismo com poderes para pressionar países que não sejam devedores a seguir políticas recomendadas pela instituição. O diagnóstico do FMI é que a economia mundial vive um momento de desequilíbrios entre países com muita poupança e países que estão gastando muito. A correção desses desequilíbrios, de acordo com os economistas da instituição, passa por uma série de medidas que têm que ser tomadas em conjunto para não provocar uma crise e colocar em risco o crescimento econômico, que vive um bom momento, com expansão estimada em 4,9% este ano. O Fundo prega o aumento da poupança e redução do déficit fiscal nos Estados Unidos, reformas estruturais para aumentar o crescimento na Europa e no Japão, maior flexibilidade da moeda nos países emergentes da Ásia (principalmente China) e uso responsável dos recursos provenientes da alta do petróleo em países exportadores. Pela primeira vez, como lembrou o ministro da Fazenda, Guida Mantega, todos estes desequilíbrios estão nos países desenvolvidos (com exceção da China, que não é poderosa, mas é a economia que mais cresce no mundo). “Hoje nós podemos dar lições aos países desenvolvidos e dizer que eles não estão contribuindo”, disse Mantega. O problema é que o poder de pressão do Fundo sobre estes países é limitado. “É diferente de quando era com países que precisavam de ajuda do Fundo. O que o FMI pode fazer contra os Estados Unidos?”, questiona Mantega. Déficit comercial E as dificuldades em convencer os países a adotarem as medidas recomendadas pelo Fundo já ficaram evidentes nesta reunião. A balança comercial entre Estados Unidos e China é um dos maiores exemplos deste desequilíbrio. No ano passado os Estados Unidos tiveram um déficit comercial de US$ 202 bilhões, segundo os americanos porque os chineses mantém a moeda desvalorizada artificialmente. O presidente do Banco Central chinês, Zhou Xiaochuan, rejeitou mudanças mais profundas. Ele disse que a China já começou a desvalorizar a moeda do país, o yuan, mas diz que cada país tem direito a escolher o sistema cambial que mais convém ao seu próprio desenvolvimento econômico. “Se a supervisão é erroneamente focada na avaliação da moeda, vai deixar de abordar aspectos mais fundamentais. Isto seria o oposto da manutenção da estabilidade econômica e financeira e pode se desviar da função do Fundo”, afirmou. O secretário do Tesouro americano, John Snow, disse na reunião que os Estados Unidos sozinhos “não podem e não devem” resolver todos os problemas e, embora ele reconheça que o país tem um papel importante na economia internacional, deixou claro que os Estados Unidos não tem uma meta de conta corrente em mente. A mudança no sistema de cotas, com aumento da participação – e de votos – para alguns países emergentes que assumiram uma importância maior na economia mundial nos últimos anos também será discutida na reunião de setembro. Os Estados Unidos defendem um sistema em duas etapas, com a mudança já na próxima reunião dos países que estão subrepresentados. O Brasil, de acordo com Guido Mantega, é favorável a uma mudança completa de uma vez. “Não queremos que uma parte seja feita e depois o assunto fique esquecido”, afirmou. Ele também teme que, dependendo dos critérios que forem utilizados para a redistribuição das cotas, o Brasil perca espaço em vez de ganhar. Atualmente o país tem 1,5% do total. |
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