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Atualizado às: 20 de abril, 2006 - 20h32 GMT (17h32 Brasília)
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FMI e Bird alertam para riscos à Rodada de Doha

Paul Wolfowitz
Wolfowitz diz que pobres seriam maiores beneficiários de Doha
O Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (Bird) alertam que um possível fracasso da Rodada de Doha de liberalização do comércio teria efeitos em toda a economia mundial, com conseqüências mais graves para os países em desenvolvimento.

"Os países mais pobres serão os maiores beneficiários da Rodada de Doha", afirmou nesta quinta-feira o presidente do Banco Mundial, Paul Wolfowitz.

Além de Wolfowitz, o assunto também foi levantado pelo diretor-gerente do FMI, Rodrigo de Rato, e pelo diretor de pesquisa da instituição, Raghuram Rajan, nas entrevistas coletivas que antecedem a reunião de primavera do FMI e do Banco Mundial, neste fim de semana, em Washington.

O presidente do Bird diz que a situação atual de protecionismo, especialmente na área agrícola, é injusta.

"Os fazendeiros ricos nos países ricos estão se beneficiando da situação atual e negando a oportunidade aos fazendeiros pobres dos países pobres", disse.

Sem benefícios

Wolfowitz afirma que é preciso mudar esta situação não apenas para beneficiar os países pobres, mas a estabilidade global.

"A longo prazo, ninguém vai se beneficiar se o mundo continuar tão dividido entre pobres e ricos", declarou.

Rodrigo De Rato disse que os países mais importantes do mundo, tanto entre os países desenvolvidos como entre os emergentes são os que mais se beneficiaram da abertura ocorrida nos últimos.

Nos países desenvolvidos, disse o diretor-gerente do FMI, a abertura comercial estimulou o crescimento econômico, ajudou a criar empregos e a manter os preços baixos, beneficiando os consumidores. De Rato diz que vê o aumento do protecionismo como "um grande erro".

"Nós vemos o protecionismo como um risco, mas vamos tomar as medidas necessárias para tentar evitá-lo", afirmou.

Aprender com erros

De Rato disse ainda que países desenvolvidos e emergentes têm uma responsabilidade conjunta de chegar a um bom acordo na Rodada de Doha.

De acordo com o diretor-gerente do FMI, as economias de Estados Unidos, Europa e também dos países em desenvolvimentos precisam aprender com seus próprios erros.

"Se isso não acontecer, não será apenas uma pena, mas uma oportunidade perdida", afirmou.

O diretor de pesquisa do FMI, Raghuram Rajan, já havia feito no dia anterior uma previsão pessimista para um fracasso da Rodada de Doha.

"Temos que lembrar que foi a globalização que manteve a inflação e os juros baixos", afirmou. "O fracasso seria um importante retrocesso."

Rajan diz que seria bom chegar a um acordo no calendário atual, que prevê uma reunião no próximo dia 30, mas diz que o adiamento das negociações não seria inédito.

"Outros cronogramas já foram perdidos. Espero que no fim prevaleça o bom senso", afirmou.

Rajan alertou para os riscos do que chamou de "patriotismo econômico", uma espécie de protecionismo que considera legítimo para as empresas de determinado país buscar outros mercados ao mesmo tempo que demanda proteção no próprio país.

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