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Mantega teme que Brasil perca poder no FMI | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, teme que o Brasil perca poder de decisão na reestruturação acionária que está sendo discutida no Fundo Monetário Internacional (FMI). "Somos favoráveis a esta discussão de cotas, mas com cuidado. Porque senão o Brasil em vez de uma cota maior pode ter uma menor", afirmou o ministro em Washington nesta sexta-feira, um dia antes de reunião sazonal do FMI. A discussão sobre uma recomposição acionária dos integrantes do Fundo é uma das principais da reunião deste fim de semana, embora não se espere uma decisão final antes da reunião anual, em setembro, em Cingapura. O Brasil tem atualmente cerca de 1,5% das cotas do FMI. Mantega disse que o governo não tem uma posição fechada de quanto acha que mereceria. "Temos que definir os critérios. Se for pelo tamanho da economia, merecemos mais", afirmou. Cotas As cotas são divididas de acordo com uma fórmula que leva em conta a importância dos países na economia mundial, mas críticos dizem que essa divisão foi feita há muito tempo e está desatualizada. Países emergentes como China e Índia querem uma participação acionária maior, compatível com o tamanho de suas economias depois do forte crescimento das últimas décadas. O poder de voto é proporcional ao número de cotas que o país tem na instituição. O Brasil representa um grupo de nove países latino-americanos que têm juntos 2,46% dos votos. Os maiores acionistas são Estados Unidos (17,08%), Japão (6,1%), Alemanha (5,99%), França (4,95%) e Reino Unido (4,95%). A China tem 2,94% e a Índia menos de 2%. O ministro concorda com a reestruturação, desde que o aumento de cota para os emergentes não saia da participação brasileira. "Embora o Brasil só tenha 1,5%, é um dos países respeitados, é sempre chamado para as reuniões do G-8", afirmou. Ele diz que se a regra para a redistribuição das cotas acionárias for o tamanho do PIB, o Brasil está entre os que merecem uma fatia maior. O ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci, insistia, nas reuniões anteriores, no aumento da cota brasileira. A revista britânica The Economist concorda que é preciso uma mudança na distribuição de poder dentro da instituição, criada em 1944, e defende uma redução da fatia destinada aos países europeus. "É um absurdo que Brasil, China e Índia tenham 20% menos poder dentro do Fundo que Holanda, Bélgica e Itália, embora as economias emergentes sejam quatro vezes maiores do que as européias, ajustando-se a diferença de moedas", afirma um editorial na edição desta semana. Numa reunião nesta sexta-feira, os países do G7 (Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, França, Alemanha, Itália e Japão) concordaram com a necessidade de se discutir a recomposição acionária do Fundo para refletir melhor a participação dos sócios na economia mundial. O secretário do Tesouro americano, John Snow, disse o país apóia uma reforma em duas etapas, como proposta pelo diretor-gerente do Fundo, Rodrigo de Rato. A primeira para incluir os países mais subrepresentados já na reunião de setembro. “Peço que os ministros do G7 deixem interesses nacionais de lado e se comprometam com um FMI forte, legítimo e relevante para todos os membros”, afirmou. |
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