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Atualizado às: 07 de abril, 2006 - 09h52 GMT (06h52 Brasília)
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Os sapos e os rosbifes
Ivan Lessa
Melhor que Fla x Flu ou Brasil x Argentina é a birra secular entre ingleses e franceses.

Ingleses contra alemães é coisa natural, faz parte da vida, feito dar uma topada no meio-fio.

Os dois lados pegam em armas, mandam bala, matam-se bonitinho.

No campo de futebol, idem. Embora, nele, arma ainda não esteja valendo.

A FIFA, no entanto, encara a possibilidade de deixar que arma branca passe a ser legal nas pelejas, apenas entre ambos, a partir da copa de 2014.

Eu gostaria de estar vivo para ver, na TV claro, ao menos um tempo de um jogo desses.

Historicamente, inimigos mesmo da Inglaterra são os franceses. E vice-versa, assim também como versa-vice.

Não adianta. Eles não se topam. É coisa de pele, de santo não combinar. Por aí.

Isso não significa que o desprazer que os ingleses sentem na companhia dos franceses não se compare ao desprazer – às vezes ódio mesmo – que os franceses sentem diante de outros franceses.

Em vez de ir ao Louvre, ou uma besteira dessas, muito mais interessante é ficar parado numa esquina, lá por volta das baixarias do alto dos Champs-Elysées, observando o tráfego e esperando a primeira barbeiragem, com batida e cusparada na cara, de preferência, que soco e tapa eles não trocam de jeito nenhum.

Parece que dá cadeia. Ou é considerado de maus modos, gaucherie.

Falando assim, parece que, nessa história, eu torço mais pelos ingleses. É inevitável.

Meu passaporte continua auri-verde e com lábaro estrelado embutido mas, com mais de 30 anos, ao todo, desta ilha, passei a torcer pelos ilhéus.

Menos, é claro, no futebol. No futebol, eu torço sistematicamente contra a Inglaterra.

Culpa dos torcedores ingleses (nem busco refúgio chamando-os de hooligans), do excesso de bandeiras, das páginas esportivas dos jornais, dos chamados "comentaristas".

É coisa de pele, de santo não combinar, feito eu disse que se passa entre ingleses e franceses.

A atualidade em marcha

É feito esse pau comendo nas ruas de Paris e, agora, pelo país inteiro.

Tá todo dia aqui, com destaque, nos telejornais e nas primeiras páginas.

Eles fingem que estão explicando as causas das desavenças, viram e mexem nas reformas estudantis e trabalhistas que causam as desavenças todas, adotam um ar muito neutro e pragmático, lecionam, coisa e tal, mas, no fundo, no fundo, estão morrendo de rir.

Não entendem por que a polícia não emprega cassetetes mais longos e pesados e, em vez de apontar mangueira com água jorrando na rapaziada – para alegria da turma que, à boca pequena, mui pequena, goza dizendo que "é a única maneira deles tomarem um banhinho" --, por que a polícia, dizia eu, não usa, ao invés, lança-chamas? Muito mais prático, segundo almas mais belicosas.

O negócio é ver sangue rolar e churrasco arder pelas ruas de Paris.

O negócio não é conferir o mais recente restaurante agraciado com três estrelas do Guia Michelin.

Um empresário empreendedor

Os ingleses, chamados pelos franceses de rosbifes, devido à coloração de sua pele e seus apetites culinários, chamam os franceses de sapos, ou rãs, também devido aos prazeres da mesa, uma vez que são chegados a traçar um bufonídeo.

À mesa todo mundo se desentende, como poderia ter dito Oscar Wilde ou então Victor Hugo.

Agora, no meio, dessa estudantarada toda na França, o principal executivo de uma pequena e empreendedora companhia de transporte aéreo, a "Jet2.com", que faz o percurso Yorkshire-Paris, tentou opinar sobre os "acontecimentos" atuais no país do outro lado da Mancha (mais precisamente, o British Channel, conforme se aprende aqui) e, com seus negócios interrompidos, devido aos excessos estudantil-sindicalistas, publicou em seu site na Net, onde se passam e voam seus negócios, uma charge política algo controvertida.

Na caricatura, um sapão francês impede o movimento numa pista de aviação. O bufo porta um cartaz dizendo, “Eu sou preguiçoso”.

Sindicalistas franceses protestaram. Oficialmente.

Depois da pequena folga, voltaram a enfrentar, junto com os velhos amigos de sempre, os estudantes, as mangueiras e os cassetetes policiais.

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