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Atualizado às: 03 de abril, 2006 - 09h45 GMT (06h45 Brasília)
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Salvemos o Meridiano de Greenwich
Ivan Lessa
O turista que se vê em Londres quer fazer precisamente isso: ver Londres. E, apesar do câmbio, fazer umas comprinhas, claro.

Há muito o que se ver em Londres, conforme dizem os guias.

Além do incomparável Museu de Cera de Madame Tussaud, e da National Gallery (ou Galeria Nacional, em português de boa cepa), há a fonte sempre quebrada ou em obras em memória de Diana, a Princesa de Gales, no Hyde Park.

Para não falar em atração turística predileta: o Meridiano de Greenwich.

Sito (adjetivo válido apenas para meridianos e museus militares brasileiros) no Real Observatório de Greenwich, aprazível bairro de Londres com mais de 200 mil habitantes e ora (Ora! Hora! Pegaram?) muito em moda.

Assim como o bairro boêmio de Nova York, os visitantes que quiserem demonstrar sofisticação devem ou dar a ordem para o motorista de táxi ou pedir a direção para o cidadão na esquina pronunciando “Grêniche”. São anglo-americanismos que atravessam longitudes e fusos horários (Longitudes? Fusos horários! Pegaram?).

O Meridiano de Greenwich é aquilo que aprendemos na aula de comunicação: uma obra aberta.

Ou engenho imaginário escancarado. Não há uma linha preta pintada em torno do globo terrestre.

O Meridiano de Greenwich, diria Umberto Eco, é todo obra aberta, todo entrelinhas.

Nós, simples e simplórios humanos, principalmente nós, brasileiros, é que temos de dar asas à imaginação, que isso está em nosso sangue, conforme o comprova aquele homenzinho mais pesado que o ar e de chapéu panamá, cujo nome – como o meridiano – deve permanecer imaginário, já que diz a lenda que dá azar.

Eu me afastei completamente do assunto. Perdão, leitores.

A volta ao assunto

O meridiano de Greenwich foi adotado em 1843, na Suiça (terra do relógio cuco, pegaram?), no decorrer de uma conferência de técnicos em hora certa, oriundos de 27 países e dispostos a solucionar de uma vez por todas o problema dos fusos horários, das horas diferentes, das diversas dissensões cronométricas que então afligiam o globo terrestre.

Conseguiram. Como na época a maior parte das cartas geográficas eram traçadas pelos muito pimpões (assim se falava) ingleses, decidiram os homens de ciências que as horas do mundo seriam contadas a partir do Meridiano de Greenwich, acrescentando-se ou subtraindo-se um número inteiro de horas, para cada fuso percorrido, ao horário de Greenwich, que, assim, passou a ditar a hora universal, também conhecida como TU (nada a ver com nosso pronome), tudo dependendo se os viajantes, ou turistas, quisessem ir para leste ou Oeste.

A permanência no assunto

Querem agora os americanos, apesar da coalizão com os britânicos, que resultou na invasão, ocupação e transubstanciação do Iraque, querem agora eles, gaguejava eu, acabar com o GMT, isto é, o horário médio, com pão e manteiga, de Greenwich.

Não explicaram porquê, coisa que é muito deles.

O subtexto – e aí voltamos às aulas de comunicação – é que os britânicos devem parar com essas frescuras, império já era, hora a gente acerta pelo sol.

E ponto final nessa história de 18 em 18 meses adiantar um segundo em nossos relógios à meia-noite da passagem do ano.

Parece que o pobre do Meridiano de Greenwich anda interferindo com os horários indicados pelos computadores, o que é inadmissível, ao que parece, nos dias hodiernos que correm, se escoam como as areias na ampulheta do tempo, se me permitem parnasianar um pouco a questão.

O tiro de misericórdia

Um cientista informático britânico, Stuart Polittle, disse que se mexermos no Meridiano de Greenwich a coisa pode acabar em besteira, pois os relógios certos como nossa extinta Rádio Relógio são os reguladores xavieres dos telescópios do mundo inteiro.

Acrescentou Polittle que qualquer novidade no esquema atual pode trazer sérias consequências para as futuras gerações. Talvez até mesmo o sol perderia sua posição de pino ao meio-dia, panela no fogo, barriga vazia.

Toda essa história, é evidente, não faz o menor sentido.

Pois a que horas então abriria e fecharia o magnífico Museu da Madame Tussaud?

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