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Anúncio do ETA representa 'oportunidade inédita', diz jornal espanhol | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O cessar-fogo anunciado na quarta-feira pelo grupo nacionalista basco ETA é o principal assunto do dia nos jornais espanhóis desta quinta-feira. O diário El País diz em seu editorial que “o cessar-fogo permanente do ETA é uma oportunidade inédita” e que seria “irresponsabilidade não tentar aproveitá-la”. Para o jornal, a novidade não foi o anúncio em si, mas o fato de ele ter acontecido após “um período prolongado, de quase três anos, sem atentados mortais”. O diário considera, porém, que “a experiência obriga extremar a cautela”. “Antes de dar qualquer passo será preciso verificar se é um compromisso firme de renúncia definitiva à violência, incluindo o recurso à extorsão e a outras formas de coação”, diz o editorial. Uma reportagem do jornal ABC, por sua vez, lembra que o comunicado dos líderes do ETA aconteceu apenas um dia após a comissão constitucional do congresso espanhol ter reconhecido a Catalunha – outra região espanhola com aspirações nacionalistas – como uma “nação”. Em seu editorial, o ABC diz que “os sucessivos governos democráticos, apoiados por uma opinião pública espanhola resistente ao sofrimento e por um heróico setor constitucionalista no País Basco, são os detentores do mérito de terem derrotado o ETA até o ponto de alcançar uma situação como a anunciada ontem pelo grupo”. O jornal pede cautela, porém, uma vez que o anúncio de cessar-fogo não incluiu “o abandono das armas, somente uma suspensão de suas atividades criminosas”. O editorial lembra ainda que as manifestações populares pedindo que o governo não negocie com o ETA devem ser levadas em consideração e que “a paz não tem preço político”. "Preocupação" O também espanhol El Mundo diz que o comunicado do ETA “inspira mais preocupação que esperança” e não fala de “nada sobre o que o Estado possa negociar”, levando ao questionamento sobre as razões do grupo para declarar um cessar-fogo. O jornal diz em seu editorial que “pela primeira vez em décadas, existe o risco de que quem representa o Estado esteja disposto a realizar concessões políticas ao ETA”. O editorial pede ainda que os processos judiciais contra o grupo não sejam relaxados e que a oposição apóie o governo no processo de paz. O diário La Razón, de Madri, diz que o ETA “pede um tempo, encurralado pelo Estado de direito, mas ainda não se rendeu”. Para o jornal, o anúncio deve ser recebido como “a promessa de uma organização que assassinou mais de 800 pessoas nos últimos 40 anos e não cumpriu suas promessas em várias ocasiões”. O catalão La Vanguardia diz que o anúncio do grupo basco pode ser “o princípio do fim”, mas deve trazer “cautela e esperança”. O basco Gara, por sua vez, diz que o anúncio “não significa o fim de um caminho, como alguns pretendem fazer acreditar em função de seus próprios interesses, mas exatamente o oposto, o início da partida se utilizarmos uma metáfora esportiva”. Vestimenta islâmica A decisão da Câmara dos Lordes britânica de rejeitar um apelo de uma adolescente proibida pela escola de usar uma vestimenta islâmica da cabeça aos pés é destacada nesta quinta-feira pelos principais jornais britânicos. A família de Shabina Begum, de 17 anos, foi representada no processo pela advogada Cherie Blair, mulher do primeiro-ministro britânico. Ela argumentava que a exigência da escola para que ela utilizasse um uniforme violava seus direitos à educação e a manifestar livremente sua religião. Em um editorial intitulado “O senso comum vence”, o Daily Telegraph diz que “por fim, a Câmara dos Lordes trouxe alguma lucidez ao caso de Shabina Begum, a estudante que insistia que era seu ‘direito humano’ desafiar o código de vestimenta de sua escola”. Em um outro artigo publicado pelo jornal, o deputado conservador Boris Johnson argumenta que o caso não estava relacionado com a “proteção da modéstia” da adolescente, como argumentava a primeira-dama, mas sim ao “poder”. “O caso era sobre quem realmente administra as escolas no país e o quão longe o Islã militante pode seguir intimidando o aparato mentalmente espongiforme, pobre, amedrontado e gelatinoso do Estado britânico”, argumenta o deputado. Para ele, ao rejeitar o apelo de Shabina, a Câmara dos Lordes “forneceu uma pequena mas importante vitória para o bom senso, para a coesão britânica e para o direito dos professores de administrar suas próprias escolas”. O Times, por sua vez, diz que o caso da adolescente foi inflamado pelo grupo radical muçulmano Hizb ut-Tahrir. “O grupo, que luta para que a Grã-Bretanha seja sujeita a um regime islâmico, confirmou ontem (quarta-feira) ter aconselhado Shabina Begum a insistir em usar uma vestimenta islâmica completa em suas aulas”, diz a reportagem. O jornal diz, porém, que “o partido extremista, o qual Tony Blair quer banir em resposta às bombas em Londres, afirma que não se envolveu com sua batalha legal”. Em uma reportagem de duas páginas, o Daily Mail destacou o custo do processo, dizendo que “a estudante, derrotada, gastou 100 mil libras (R$ 375 mil) do nosso dinheiro para que ela pudesse utilizar uma vestimenta islâmica completa”. “O direito de toda escola de estabelecer sua própria política de uniformes foi sustentada enfaticamente ontem (quarta-feira), quando uma garota muçulmana perdeu sua batalha legal para poder usar uma vestimenta islâmica da cabeça aos pés”, diz a reportagem. |
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