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Invasões de terra mostram 'desencantamento' com Lula, diz jornal | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Uma recente onda de invasões de terra por camponeses destaca, segundo reportagem publicada nesta quarta-feira pelo jornal americano The Christian Science Monitor, o desencantamento de antigos aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que acusam o governo de não ter conseguido combater os problemas sociais do país. O jornal comenta que movimentos sociais esperavam que Lula, que defendeu a reforma agrária por décadas como sindicalista e líder da oposição, acelerasse a distribuição de terra ao tomar posse, em janeiro de 2003, mas até agora distribuiu pouco mais da metade do que havia prometido. Lula havia recebido o apoio eleitoral de grupos como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), após prometer distribuir pedaços de terra a 400 mil famílias e conceder títulos de propriedade para outras 500 mil famílias que já têm terra, mas não têm a documentação legal. Segundo o jornal, as invasões têm como objetivo pressionar o governo num período pré-eleitoral. A reportagem destaca, porém, que apesar dos problemas com a reforma agrária e dos escândalos de corrupção envolvendo seu governo e seu partido, Lula mantém uma alta popularidade e permanece como o favorito nas pesquisas para a eleição de outubro. Bush e o Iraque Os principais jornais americanos destacam nesta quarta-feira as declarações feitas na véspera pelo presidente George W. Bush a respeito do Iraque. Em sua primeira página, o New York Times diz que “Bush admitiu que a guerra no Iraque corrói seu capital político”. Para o jornal, as declarações do presidente foram “a sua mais absoluta admissão sobre os custos do conflito para sua presidência”. O jornal diz ainda que a afirmação de Bush de que a retirada das tropas americanas do Iraque será uma questão deixada aos próximos presidentes foi uma das poucas indicações sobre “o que ele pensa sobre a duração do comprometimento americano no Iraque”. O Washington Post, por sua vez, diz que a forma com que o governo americano vem lidando com a crise no Iraque parece “preguiçosa”. “Apesar de pedir publicamente aos políticos iraquianos a formação de um governo de união, Bush não parece estar fazendo tudo o que poderia para promover um acordo; por exemplo, tem havido poucos esforços visíveis para mobilizar a pressão internacional sobre os partidos iraquianos”, diz o editorial do Washington Post. O jornal prossegue dizendo que “o foco no treinamento das forças iraquianas e na consolidação das bases americanas desde as eleições de dezembro podem ter permitido aos insurgentes iraquianos e terroristas estrangeiros recuperar terreno, mesmo na cidade citada por Bush na segunda-feira como um exemplo, Tal Afar”. Para concluir sua argumentação, o editorial diz que “apesar de a geração de energia e a produção de petróleo no Iraque permanecer abaixo dos níveis de antes da guerra, o governo parece ter abandonado de vez a reconstrução financiada pelos Estados Unidos”. Apesar disso, a declaração de Bush de que a retirada das tropas ficará para outros presidentes é vista pelo jornal como uma indicação de que ele “não perdeu de vista a enorme importância da missão no Iraque para a segurança dos Estados Unidos e também para a sua presidência”. “Sua reposta não foi das mais políticas, talvez, mas sim uma que mostra que Bush permanece envolvido em um evento no qual o comprometimento e a liderança americana ainda são desesperadamente necessários”, conclui o editorial. Protestos na França Os crescentes protestos na França contra a proposta de uma nova lei trabalhista são destaque nesta quarta-feira em diversos jornais europeus. O projeto pretende incentivar a contratação de jovens ao estabelecer um período de dois anos no qual o empregador pode demitir sem pagar compensações. Os diários franceses se concentram principalmente na declaração do premiê Dominique de Villepin de que não retirará o projeto nem o suspenderá por causa dos protestos populares. Em sua primeira página, o Figaro diz que a afirmação do premiê mostra que os membros do partido governista eliminaram suas divergências sobre a questão após uma reunião com Villepin na residência oficial de Matignon. O Libération, porém, diz que as preocupações sobre o projeto têm sido expressadas entre os próprios aliados de Villepin, enquanto os protestos aumentam. Segundo o jornal, o primeiro-ministro rejeitou propostas feitas por sindicatos, deputados e empregadores para mudar o projeto e obrigar os empregadores a dar razões para a demissão de jovens com menos de 26 anos durante o período de teste. Para o Libération, a posição de Villepin ameaça criar uma situação na qual “os jovens e os sindicatos têm sido desmoralizados e o diálogo tem sido destruído em um país que está mais dividido do que nunca”. O jornal alemão Die Welt diz que os protestos na França são um sinal de que “a sociedade francesa está em declínio”. Para o jornal, metade da França “dissimula um medo da globalização e busca conforto nas memórias dos anos dourados dos 1970”. O Die Welt diz que os franceses não querem correr riscos e não querem nada de novo. “O mais importante é que eles não querem entender que a França não pode continuar como está”, afirma o jornal, acrescentando que os alemães não devem pensar por isso que estão em situação melhor. O Berliner Zeitung, por sua vez, diz que os protestos mostram que a França é apenas um país contrário a reformas, em lugar de ser um país “de revoluções”. Um editorial no austríaco Die Presse afirma que a cultura de protestos na França está impedindo os esforços por reforma. “A cultura de protestos, que é celebrada com alegria, corta as germinações por reformas que são necessárias há décadas”, diz o jornal. “Os próprios jovens, que se sentem ameaçados, têm um papel significativo em paralisar o país.” |
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