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Independent destaca pedido da Anistia pelo fim do 'Caveirão' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O jornal britânico The Independent destaca na edição desta terça-feira o protesto da organização Anistia Internacional contra o uso do "Caveirão" em operações da polícia militar no Rio de Janeiro. Segundo a Anistia o veículo pintado com o símbolo de uma caveira é usado sistematicamente pelo Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) para “aterrrorizar” moradores de favelas. De acordo com a reportagem do Independent, a polícia do Rio comprou seu primeiro caveirão há quatro anos. Hoje já são dez desses veículos em operação. O caveirão tem uma parte superior que gira 360 graus e permite várias posições de tiro. O veículo pesa 8 toneladas e tem uma velocidade máxima de quase 200 quilômetros por hora. A polícia alega que seu uso é necessário para proteger os policiais em sua luta contra os narcotraficantes que dominam muitas favelas, mas a Anistia alega que o veículo é usado em operações que freqüentemente resultam na morte de pessoas inocentes. Marcelo Freixo, pesquisador da organização de direitos humanos brasileira Global Justice, disse ao Independent que o caveirão se tornou o símbolo da falência da segurança pública no Rio de Janeiro. “O uso da violência para combater a violência é contra-produtivo”, disse ele. “Não somente ela leva a mortes trágicas de transeuntes, como também não resolve os problemas da crescente violência do crime no Rio de Janeiro.” O pesquisador-chefe da Anistia Internacional para o Brasil, Tim Cahill, destaca que a denúncia feita por sua organização marca o lançamento de uma campanha internacional pelo fim do uso do caveirão e também contra outras táticas adotadas pela polícia do Rio. “Ao utilizar um veículo para atingir agressivamente e indiscriminadamente comunidades inteiras, as autoridades estão usando o caveirão como um instrumento de intimidação”, disse ele ao jornal. Segundo Cahill, “a polícia tem o direito legítimo de se proteger ao fazer seu trabalho, mas também tem o dever de proteger as comunidades às quais serve”. Caso Ian Blair A polêmica em torno das ações do chefe da polícia metropolitana britânica, Ian Blair, que na segunda-feira teve de pedir desculpas por ter gravado secretamente uma conversa por telefone com o procurador-geral da Grã-Bretanha, é tema de vários editoriais publicados pelos jornais do país nesta terça-feira. Para o Daily Telegraph, este não foi o primeiro nem o pior erro do chefe da polícia. “Blair deve deixar o cargo”, diz o editorial do jornal. O Daily Telegraph diz ainda que o desempenho de Blair no episódio da morte do brasileiro Jean Charles de Menezes, quando ele inicialmente disse que a polícia havia matado um suspeito de terrorismo, foi “um desatino – e muitos diriam desonesto”. Para o jornal, o caso Jean Charles “deveria ter trazido o seu fim, mas ele sobreviveu” para cometer novos erros. “A única razão para lamentar se ele for forçado a renunciar agora seria que ele já teve muitas outras e melhores razões para ter deixado o cargo antes”, conclui o editorial. O jornal The Guardian, por sua vez, defende Ian Blair, dizendo que a repercussão sobre o caso é uma “trapaça da mídia”. “Há uma grande diferença entre gravar uma conversa telefônica que você mesmo está fazendo e grampear um diálogo entre outras duas pessoas”, diz o editorial, argumentando que as ações do chefe da polícia não foram ilegais. Para o Guardian, Blair gravou suas conversas pela mesma razão que ministros e outros membros do governo gravam as suas e agora é atacado pela mesma mídia que “constantemente grava conversas entre repórteres e outras pessoas sem avisá-las”. O editorial conclui dizendo que o que o chefe da polícia precisa agora é “combater seus críticos dentro da polícia, que querem derrubá-lo por meio de vazamentos maliciosos para a mídia”. O jornal Daily Mail sugere em seu editorial que o apoio ao chefe da polícia manifestado pelo governo na segunda-feira poderia ter como objetivo adiar sua saída com o objetivo de diminuir o impacto negativo, nas próximas semanas, dos resultados de investigações sobre a atuação da polícia em diversos casos polêmicos – entre eles o de Jean Charles de Menezes. “Será que é muito cinismo sugerir que cai bem aos propósitos do governo manter Ian Blair em seu lugar para absorver as críticas? Nós achamos que não”, diz o texto. O tablóide popular The Sun, destaca o caso em sua manchete, que diz “Blair está perdido. Não, não Tony... seu companheiro na polícia metropolitana”, numa brincadeira pelo fato de o chefe da polícia e o primeiro-ministro terem o mesmo sobrenome. O editorial do Sun segue linha parecida à do Daily Mail, dizendo que Blair já é “um pato morto”, mas que o governo tem interesse em sua permanência no cargo por mais um tempo. “Ele já estava ameaçado de perder o cargo por causa do assassinato de Jean Charles de Menezes. Quando a hora chegar, os ministros querem que sua renúncia passe a régua sobre a tragédia”, diz o texto. “A última coisa que eles querem é que ele saia logo, deixando outra pessoa para levar o fardo.” |
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