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Atualizado às: 14 de março, 2006 - 08h31 GMT (05h31 Brasília)
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Análise: Bush volta a pedir paciência dos americanos no Iraque

Bush em discurso na segunda-feira (Foto: Associated Press)
Bush acusou o Irã de fomentar a violência no Iraque
Existe algo de exasperante quando o presidente George W. Bush exorta os americanos a serem pacientes com a situação no Iraque, apesar das imagens de "violência, raiva e desespero". É exasperante porque Bush deixou de discursar. Ele faz ladainhas.

Na segunda-feira, o presidente falou em Washington, no primeiro grande pronunciamento de uma série nas próximas semanas para marcar o terceiro aniversário da invasão do Iraque. Trata-se de mais uma ofensiva de relações públicas para convencer um país cético que a causa é justa e que existe luz no fim do túnel, embora uma luta difícil esteja adiante.

No final do ano passado, o nome deste tipo de ofensiva de relações públicas foi "estratégia para vitória". Está difícil ver tanto a estratégia, como a vitória. Os discursos e as eleições no Iraque há três meses ajudaram Bush a conter a hemorragia de desencanto dos americanos por algumas semanas. As boas notícias (em termos de marketing) duraram pouco.

É possível que desta vez nem ocorra uma fugaz recuperação. Bush está no patamar mais baixo de aprovação popular desde que assumiu o poder em janeiro de 2001. Na segunda-feira, ele disse não acreditar que o Iraque desemboque em guerra civil. Esta é a opinião de quatro em cinco americanos na pesquisa recente do jornal The Washington Post e TV ABC.

Críticas à imprensa

Nenhuma surpresa na discrepância de percepções. Afinal, o secretário de Defesa Donald Rumsfeld dias atrás preferiu alvejar o mensageiro, dizendo que a imprensa exagera a gravidade dos problemas iraquianos, enquanto o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general Peter Pace, observou que as coisas "vão muito, muito bem" nas bandas de lá.

Tudo pode ser dito no contexto não de uma ingrata realidade mas da ansiedade para justificar os planos de redução de tropas americanas no Iraque no futuro próximo. Neste cenário é condizente a decisão britânica de cortar suas forças em 10%, ou 800 soldados, em maio, com o argumento de que as tropas iraquianas são cada vez mais capazes de lidarem com o desafio de segurança.

Em meio a pronunciamentos surrealistas, Bush enfrenta dramas bem concretos na crise iraquiana. As tropas republicanas mostraram na semana passada que podem perfeitamente se distanciar da agenda presidencial quando ela dá prejuízos nos cálculos eleitorais.

O partido desertou Bush quando o presidente concluiu que dar a gestão de seis portos americanos a uma empresa estatal árabe não representava um risco à segurança nacional. A mesma deserção pode acontecer na frente iraquiana. Basta ver que mesmo neoconservadores que se entusiasmaram inicialmente com a campanha iraquiana agora estão dizendo que o nobre esforço se transformou em missão fracassada.

A realidade parece não intimidar George W. Bush. Em meio à situação exasperante do Iraque, o Washington Post revela que o presidente devota cada vez mais tempo à crise iraniana. Aliás, no discurso de segunda-feira, Bush acusou o regime de Teerã de fomentar a violência no Iraque, fornecendo explosivos improvisados para militantes xiitas. De acordo com o jornal, o debate interno que marcou o primeiro mandato de Bush entre os advogados de mais engajamento com o regime xiita e os que preferem um confronto parece que se sedimentou a favor dos últimos.

Isto obviamente não significa uma cartada militar imediata. Mas para um governo que tem um chefe militar que ousa dizer em público que as coisas "vão bem, muito bem" no Iraque, nada mais natural do que se aquecer para o próximo embate.

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