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Atualizado às: 15 de março, 2006 - 10h31 GMT (07h31 Brasília)
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PSDB lança Alckmin contra 'Carismático da Silva', diz Wall Street Journal
Jornais
A escolha do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, como candidato do PSDB à Presidência foi destacada numa reportagem publicada nesta quarta-feira pelo jornal econômico dos Estados Unidos The Wall Street Journal.

Com o título “Principal partido da oposição lança o pró-mercado Alckmin contra Carismático da Silva”, o jornal observa que o governador do Estado mais rico do Brasil é pouco conhecido fora da região.

Para o Wall Street Journal, Alckmin não tem o mesmo carisma do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e terá que usar sua imagem de competência administrativa, em contraste com os escândalos de corrupção que atingiram o partido do presidente, para tentar vencê-lo em outubro.

Segundo o jornal, o governador de São Paulo é um defensor das mudanças econômicas defendidas por empresários, entre elas a redução da carga tributária, a mudança no sistema de seguridade social e a redução da burocracia.

'Elogios de Wall Street'

“Apesar de o sr. Da Silva ter ganho elogios de Wall Street ao ter mantido a política econômica de seu antecessor, líderes empresariais acreditam que o comprometimento do presidente com as políticas de livre mercado é limitado, já que seu esquerdista Partido dos Trabalhadores freqüentemente questiona seu governo”, diz o texto.

Para o Wall Street Journal, Alckmin, que aparece atrás de Lula nas pesquisas, terá uma tarefa dura pela frente. “Ele enfrentará um sr. Da Silva que mostrou grande capacidade de sobrevivência frente a um escândalo envolvendo seu partido que já dura oito meses”, diz o jornal.

Segundo a reportagem, Lula deve ainda receber “um crédito por produzir uma economia estável – apesar do lento crescimento -, um boom de crédito que deu a muitos brasileiros o acesso a empréstimos para o consumo e o programa governamental de transferências de dinheiro, que deve servir 11 milhões de famílias por ano”.

O jornal conclui dizendo que, apesar da declaração do governador de que a campanha só começa de verdade após a Copa do Mundo, Alckmin não tem o carisma de Lula nem “a habilidade do presidente de se relacionar com os pobres por causa de sua história pessoal”.

Integração latino-americana

Em um artigo de opinião publicado nesta quarta-feira pelo jornal britânico The Guardian, o lingüista americano Noam Chomsky comenta a integração regional na América Latina e na Ásia e sua “libertação” da influência de Washington.

“A integração regional na Ásia e na América Latina é um tema crucial e importante que, da perspectiva de Washington, sinaliza um mundo desafiador que saiu do controle”, diz Chomsky.

No caso específico da América Latina, Chomsky diz que “os governos de esquerda prevalecem da Venezuela à Argentina” e que “as populações indígenas se tornaram muito mais ativas e influentes, particularmente na Bolívia e no Equador, onde eles querem que o petróleo e o gás sejam controlados domesticamente ou, em alguns casos, se opõem a qualquer produção”.

“Muitos indígenas aparentemente não vêem nenhuma razão pela qual suas vidas, sociedades e culturas deveriam ser perturbadas ou destruídas para que novaiorquinos possam ficar presos em congestionamentos em seus veículos 4x4”.

Chomsky comenta ainda o fato de a Venezuela – o maior exportador de petróleo do hemisfério ocidental – planejar aumentar suas vendas do produto à China para reduzir sua dependência do governo americano e de ter se associado ao Mercosul, no que foi chamado de “novo capítulo na integração regional” pelo presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva.

O artigo lembra também que, além de fornecer petróleo à Argentina, a Venezuela comprou quase um terço dos papéis da dívida argentina lançados em 2005, num “esforço regional para libertar os países dos controles do FMI após duas décadas de conformidade desastrosa com as regras impostas pelas instituições internacionais de crédito controladas pelos Estados Unidos”.

Chomsky, um crítico contumaz do neoliberalismo econômico e um dos ídolos dos movimentos antiglobalização, conclui dizendo que “os crescentes movimentos populares, principalmente no sul, mas com crescente participação nos países industrializados, estão servindo como as bases para muito desses desenvolvimentos em direção a mais independência e preocupação pelas necessidades da grande maioria da população”.

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