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Vitória do Hamas gera autocrítica entre israelenses | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A vitória esmagadora do Hamas nas eleições parlamentares palestinas provocou um choque em Israel, mas também está gerando autocríticas. Líderes políticos e analistas afirmam que Israel tem uma parte significativa de responsabilidade pelo processo de enfraquecimento da liderança palestina secular e moderada e o fortalecimento do grupo militante islâmico, que culminou com os resultados das eleições. O líder do partido Meretz, Yossi Beilin, um dos arquitetos dos acordos de Oslo, declarou: "Israel contribuiu bastante para enfraquecer a Autoridade Palestina e fortalecer o Hamas, ignorou Abu Mazen (o presidente palestino, Mahmoud Abbas) em vez de negociar com ele". Beilin também afirmou que a retirada da Faixa de Gaza de maneira unilateral, e não como parte de um acordo com a Autoridade Palestina, fortaleceu o Hamas. Colapso Segundo o analista Gideon Levy, o primeiro-ministro Ariel Sharon não deu a Abbas nenhuma chance de apresentar avanços significativos para o seu povo. "Sharon não concordou em libertar prisioneiros, não levou o povo palestino em consideração quando planejou o traçado da barreira na Cisjordânia nem concordou em iniciar algum tipo de negociação com a Autoridade Palestina", afirmou Levy. De acordo com o analista, Sharon "fez tudo o que podia para destruir a Autoridade Palestina e humilhá-la aos olhos de seu próprio povo". Em abril de 2002, quando Israel reocupou as cidades da Cisjordânia, toda a infra-estrutura civil da Autoridade Palestina foi destruída, inclusive delegacias da polícia e escritórios dos diversos ministérios. Até o centro de informática do Ministério da Educação em Ramallah foi destruído pelas tropas que ocuparam a cidade. De acordo com Levy, Israel causou o colapso da Autoridade Palestina, provocando um vácuo político e social no qual o Hamas teve condições de florescer. Aspectos econômicos O porta-voz do governo israelense, Avi Pazner, disse à BBC Brasil que as alegações segundo as quais o governo israelense teria parte da responsabilidade sobre a vitória do Hamas são "absurdas". "As eleições palestinas se concentraram em assuntos internos, principalmente na corrupção que se desenvolveu na Autoridade Palestina. Israel quase nem foi mencionado durante a campanha eleitoral", disse o porta-voz. "Tenho certeza de que os palestinos que votaram no Hamas não o elegeram por causa de sua política de atentados, mas sim como uma forma de punir um governo que eles consideram corrupto", acrescentou Pazner. O especialista em assuntos do mundo árabe Zvi Barel aponta os aspectos econômicos da questão. "Não bloqueando as fontes financeiras do Hamas, Israel possibilitou que o grupo continuasse a fornecer serviços sociais à população". O Hamas montou uma estrutura de apoio social e, com a destruição da infra-estrutura da Autoridade Palestina, o grupo passou a substituir o Estado, principalmente na Faixa de Gaza. A população dessa região, onde a maioria vive em campos de refugiados, sentiu-se amparada pelo Hamas e não pela Autoridade Palestina. Amira Hass, correspondente do jornal Haaretz em Ramallah, é a única jornalista israelense que mora permanentemente nos territórios palestinos. Hass aponta a decepção da população palestina com as promessas não cumpridas do partido governista Fatah. "Depois dos acordos de Oslo, o Fatah e a Autoridade Palestina fizeram grandes promessas ao povo palestino: um Estado independente em toda a área da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, estabilidade econômica, a retirada dos assentamentos israelenses, as bandeiras palestinas hasteadas nas mesquitas e igrejas de Jerusalém. Hoje todas essas promessas se encontram enterradas sob pontos de checagem monstruosos, aldeias que Israel transformou em prisões, terras expropriadas e assentamentos ampliados." O xeque Naef Rajoub, representante eleito do Hamas pelo distrito de Hebron, disse depois das eleicoes: "A opção do Fatah pelo acordo de Oslo e pela negociação com Israel se demonstrou estéril e não trouxe benefício algum ao povo palestino". O irmão de Naef Rajoub, Jibril Rajoub, estava do outro lado da disputa, como assessor para assuntos de segurança do presidente palestino, Mahmoud Abbas. Ex-chefe das forças de segurança palestinas na Cisjordânia, ele não foi eleito e, depois do anúncio dos resultados das eleições, afirmou: "Israel não ajudou seus parceiros palestinos". O porta-voz israelense Avi Pazner afirmou que a vitória do Hamas cria uma situação nova e que Israel terá de considerar como agir em relação a um governo liderado pelo grupo islâmico. "É claro que não poderemos negociar com uma organização em cuja carta de princípios está mencionada a destruição de Israel." |
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