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Começam negociações para novo governo palestino | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, disse que as negociações para a formação de um novo governo palestino terão início imediatamente, depois que o grupo militante Hamas conquistou uma vitória incontestável nas eleições de quarta-feira. O Hamas garantiu 76 das 132 cadeiras do Parlamento palestino, contra 43 do partido governista Fatah, segundo resultados divulgados pelo comitê eleitoral. Líderes do Hamas disseram que pretendem manter sua "política de resistência" contra Israel quando assumir o governo. "Por um lado manteremos nossa política de resistência à agressão e ocupação e, por outro, procuraremos mudar e reformar o cenário palestino", disse Sami Abu Zuhur, porta-voz do Hamas. "Queremos estar abertos ao mundo árabe e à comunidade internacional." Hanan Ashrawi, considerado um político moderado do Hamas, disse que o sucesso do grupo pode ser em parte atribuído a alegações de corrupção dentro do Fatah e ao fracasso do processo de paz. As autoridades eleitorais disseram que 77% dos 1,5 milhão de eleitores registrados compareceram às urnas. O correspondente da BBC Jeremy Bowen diz que o primeiro grande teste para o Hamas será a transferência de poder. Se for feita sem atritos, os palestinos ainda poderão ter esperança de união nacional. Se não, o futuro é incerto. A vitória pode dificultar os esforços para a retomada das negociações de paz com Israel, na opinião de analistas. O governo israelense insiste que não irá negociar com uma autoridade palestina que inclua o Hamas. Mahmoud Abbas, que pertence ao Fatah, disse que continua comprometido com uma solução pacífica para o conflito com Israel. "O nosso principal objetivo é acabar com a ocupação e ter um Estado palestino independente", afirmou. Reprovação internacional Os Estados Unidos e a União Européia vêm repetindo que não estão dispostos a negociar com o Hamas a menos que o grupo renuncie à resistência armada. O presidente americano, George W. Bush, afirmou que o Hamas não será parceiro para a paz enquanto não retirar de sua plataforma política a destruição de Israel. O quarteto (grupo formado para apoiar o processo de paz no Oriente Médio, formado pela ONU, Rússia, União Européia e Estados Unidos) emitiu um comunicado dizendo que há uma "contradição fundamental entre grupo armado e atividades de milícia e a construção de um Estado democrático". Amr Moussa, presidente da Liga Árabe, advertiu Washington a não condenar o grupo vitorioso no pleito palestino. "Os Estados Unidos não podem promover a democracia mas depois rejeitar os resultados dessa democracia", afirmou Moussa. Durante as comemorações da vitória do movimento islâmico em Ramallah, houve confusão entre simpatizantes do Hamas e do Fatah. Tiros foram disparados para o alto e há relatos de pessoas feridas. Os choques começaram quando seguidores do Hamas tentaram hastear a bandeira da organização sobre o Parlamento palestino. A polícia acabou conseguindo controlar a situação. Parceria O porta-voz do Hamas disse que o grupo quer negociar com outros grupos a possibilidade de formar parcerias políticas. "Queremos formar uma entidade palestina que una todos os partidos em torno de uma agenda política independente." O principal negociador palestino, Saeb Erekat, já admitiu a derrota de seu partido, o Fatah, para o Hamas e afirmou que a legenda não vai participar de um governo de coalizão. "No que diz respeito ao meu partido (o Fatah), nós vamos ficar na oposição. Não vamos ser parte de nenhum governo de união e vamos focar na reconstrução do nosso partido." Mea-culpa Erekat confirmou que o primeiro-ministro, Ahmed Qurei, e seu gabinete renunciaram e que o pedido foi aceito pelo presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas. "As leis básicas (da legislação palestina) são bem claras sobre a divisão de poderes na Autoridade Palestina", afirmou. "O presidente Abbas vai continuar a cumprir sua funções de presidente." Para Erekat, o Fatah terá que avaliar "por que foi tão mal nas eleições" e se colocar como oposição ao Hamas. "Vamos ser uma oposição leal". O negociador afirmou ainda que o único culpado pela derrota é o próprio partido. "Não estamos culpando ninguém. Deus nos livre de colocar a culpa nos israelenses por não terem nos visto como parceiros. Assumimos toda a culpa", disse. E completou: "Talvez eles possam encontrar um parceiro no novo gabinete." |
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