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Perfil: Mahmoud Zahhar, líder do Hamas | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A trajetória de Mahmoud Zahhar, um dos principais líderes do Hamas, é representativa de décadas de conflito entre Israel e os militantes islâmicos palestinos. Cirurgião e professor de medicina na Universidade Islâmica de Gaza, Zahhar ajudou o xeque Ahmed Yassin a fundar o Hamas em 1987. Ele se tornou um dos integrantes da "liderança coletiva" do movimento após Israel ter assassinado outros dirigentes, como Yassin e Abdel-Aziz Rantissi. Zahhar é um dos principais responsáveis pela ideologia do grupo e acredita-se que seja mais radical que Ismail Haniya, outro líder que encabeçou a lista nacional de candidatos do Hamas ao Parlamento nas eleições desta semana. Médico Nascido em 1945 na Cidade de Gaza, filho de pai palestino e mãe egípica, Zahhar passou grande parte da infância no Egito, onde estudou medicina na Universidade Ain Shams do Cairo. Ele voltou aos territórios palestinos ocupados por Israel para ensinar medicina na então recém-criada Universidade Islâmica de Gaza, onde Rantissi também trabalhava. Foi ali que Zahhar se associou à Irmandade Muçulmana, a maior e mais antiga organização radical islâmica do Egito. Em 1987, a primeira intifada (levante palestino contra a ocupação) começou em Gaza e se espalhou para a Cisjordânia. Líderes do braço palestino da Irmandade Muçulmana em Gaza começaram a perder influência para grupos militantes mais extremistas, como o Jihad Islâmico, e reagiram fundando o Hamas. Zahhar e Rantissi tornaram-se líderes da organização após o xeque Ahmed Yassin ter sido preso e condenado à prisão perpétua por Israel, em 1989, por ter ordenado o assassinato de palestinos acusados de colaborar com os israelenses. Em 1990, Zahhar também passou a ser o representante extra-oficial do Hamas na Organizaçao para a Libertação da Palestina (OLP). Em dezembro de 1992, Zahhar, seu irmão, Fadel, e Rantissi estiveram entre os cerca de 400 militantes do Hamas deportados por Israel para o sul do Líbano. Eles passaram mais de um ano acampados em Marj al-Zahour, onde o Hamas ganhou grande exposição na imprensa internacional e passou a ser uma legenda conhecida.
Zahhar e Rantissi receberam depois de uma ano permissão para voltar a Gaza. Ao voltar, Zahhar teve de enfrentar o governo da recém-criada Autoridade Palestina e foi preso várias vezes pelas forças de segurança palestinas. Com o início da segunda intifada, em setembro de 2000, a popularidade do Hamas disparou, à medida que o braço armado do grupo, as Brigadas Izzedine al-Qassam, lançaram nova campanha de ações suicidas, matando dezenas de israelenses. Israel respondeu com uma política de "assassinatos seletivos" contra a liderança do Hamas. Em 10 de setembro de 2003, três dias após uma tentativa fracassada de matar o xeque Ahmed Yassin, Israel bombardeou a casa de Zahhar em Gaza, destruindo-a completamente. Zahhar e Yassin sobreviveram, mas seu filho mais velho de 25 anos, Khaled, morreu, assim como um de seus guarda-costas. Yassin foi morto num bombardeio israelense em 22 de março de 2004. E Rantissi também foi encontrado e atingido fatalmente semanas após anunciar que ele seria o sucessor do xeque à frente do grupo islâmico palestino. Novos líderes Temendo novos ataques de Israel, o Hamas manteve em sigilo o nome do sucessor de Rantissi. Fontes palestinas, porém, disseram que os novos líderes são Zahhar, Ismail Hanya e Sayyid al-Sayyam. Desde ser alçado à liderança, Zahhar tem cumprido um papel importante no envolvimento do Hamas no processo político palestino. O grupo acertou uma trégua informal com Israel em fevereiro de 2005 e, pela primeira vez, o Hamas tomou parte em eleições. Embora a comunidade internacional pressione o Hamas para renunciar ao uso da violência, Zahhar argumenta que o grupo tem o "direito de resistir" aos ataques israelenses. "Não estamos praticando terrorismo ou violência. Estamos sob ocupação", afirma ele. "Os israelenses continuam a agressão contra nosso povo, matando, prendendo, demolindo e, para barrar esses processos, praticamos autodefesa efetiva por todos os meios, incluindo o uso de armas." Apesar de sustentar o "direito à resistência", Zahhar já admitiu a possibilidade de realizar negociações de paz com Israel por meio de terceiros. |
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