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Família de Vasconcelos diz que Lula foi omisso | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A família do engenheiro João José Vasconcelos Jr., desaparecido no Iraque há um ano, faz duras críticas à atuação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em relação ao caso. Na opinião da irmã do funcionário da construtora Norberto Odebrecht, Isabel Vasconcelos, Lula não teve a consideração que deveria ter tido por um brasileiro desaparecido no Iraque. "Acho que o presidente esqueceu que era um brasileiro que estava lá fora. Nós pedimos desde o início que o presidente fizesse um apelo público e ele não fez." Isabel ressaltou que todos os líderes de países que tiveram cidadãos seqüestrados no Iraque, como Austrália, China, França e Itália, vieram imediatamente a público para pedir que eles fossem libertados. "Acho que o presidente Lula tem uma dificuldade muito grande de se manifestar quando deve. Que povo vai se preocupar com um país no qual o próprio presidente se cala na hora em que deveria falar?" Procurado pela reportagem da BBC Brasil, o Palácio do Planalto não se pronunciou sobre as afirmações dos familiares de Vasconcellos. Ações do Itamaraty A irmã do engenheiro observou que todos os civis seqüestrados no Iraque que foram devolvidos com vida tiveram suas libertações negociadas pelas vias diplomáticas, o que no episódio do irmão teria demorado para ocorrer. "Se o presidente tivesse feito um apelo de imediato, talvez houvesse algum resultado. Mas, no início do processo o governo disse que era a Odebrecht que tinha de negociar. Pedimos para o presidente nos receber, vários líderes políticos pediram, mas ele não marcou nenhuma audiência com a família." O irmão do engenheiro, Luiz Henrique de Vasconcelos, concorda com Isabel: "Quando você tem um problema de tamanha gravidade, cabe ao líder máximo da nação mostrar que ele está à frente desses trabalhos, acompanhando o dia-a-dia, e não foi o que aconteceu". No primeiro semestre do ano passado, a família de João José Vasconcelos Jr. reclamou também da falta de empenho do Itamaraty no caso. "Houve um momento em que as ações do Itamaraty foram mais mornas", disse Isabel. "Fizemos várias críticas e, depois disso, a postura tem sido de muito empenho. Eles têm feito várias ações graças ao empenho pessoal do ministro (das Relações Exteriores) Celso Amorim." As ações conduzidas pelo Itamaraty e pela Odebrecht, elogiadas também por um dos três filhos do engenheiro, Rodrigo Vasconcelos, de 26 anos, foram pedidas pela família. "Eles têm atendido todos os nossos pedidos. Até chegaram a um ponto em que perguntaram: 'O que vocês querem que a gente faça? Sugiram que tentaremos fazer'", disse o filho mais velho do funcionário da Odebrecht. A família pediu que fosse veiculado um vídeo com um apelo dos parentes do engenheiro em canais de televisão no Oriente Médio. No material, com legendas em árabe, parentes de Vasconcelos apelavam por sua libertação e davam um telefone de contato local e um e-mail. Também foram veiculados anúncios em jornais árabes e um dossiê com informações sobre o ataque contra o brasileiro foi repassado a todas as embaixadas no Oriente Médio e a países que têm serviço de inteligência atuante na região. "Houve vários contatos, mas nada de concreto", afirmou Rodrigo, que também se disse desapontado com a atitude do presidente brasileiro. "Acredito que esses grupos (insurgentes iraquianos) querem o reconhecimento internacional e o maior objetivo deles acho que é fazer o presidente se pronunciar." Esperança De acordo com Luiz Henrique, os trabalhos de busca por João José Vasconcelos Jr. continuam. "Queremos que as buscas continuem e, caso a morte seja confirmada, queremos a repatriação do corpo e dos restos mortais, porque isso poderia trazer algum tipo de conforto à família", afirmou Luiz Henrique, que acredita que a probabilidade de que o irmão esteja morto seja "altíssima". Isabel também não tem mais esperanças de que o irmão esteja vivo. "Quem tem de declará-lo morto é o governo brasileiro e a empresa, porque a família só vai reconhecer a morte dele quando aparecer o corpo. A nossa posição é de que o governo tem de continuar as buscas." Já o filho de João José afirma que ainda tem esperanças de seu pai ser encontrado com vida, sentimento partilhado pela mãe, Maria Tereza de Oliveira Vasconcelos, e pelo avô, pai do engenheiro. "A minha mãe e meu avô são os mais esperançosos. Meu avô me surpreende", disse Rodrigo. Segundo ele, a rotina de Maria Tereza, casada há 27 anos com o engenheiro, mudou completamente depois do desaparecimento do engenheiro. "Em 2005 minha mãe parou. Parece que o ano para ela não correu. Ela cortou todas as atividades que ela tinha, todos os contatos com as amigas, ficou em casa praticamente o ano inteiro." Psicóloga, Maria Tereza ainda não retomou a vida profissional, que interrompeu logo após o desaparecimento do marido, e suspendeu os estudos de uma pós-graduação que estava fazendo. "É difícil para ela falar sobre o seqüestro. Em casa, a gente evita falar sobre isso. Não queremos falar sobre coisas ruins, pensar no que pode ter acontecido, para não abalar a esperança de ninguém", afirmou Rodrigo. |
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