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Ajuda síria a brasileiro no Iraque é posta em dúvida | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A capacidade de países árabes, como a Síria, ajudarem nas eventuais negociações para a libertação do engenheiro João José Vasconcellos Jr., seqüestrado no Iraque, foi colocada em dúvida por analistas e líderes árabes ouvidos pela BBC Brasil. "Esses grupos (insurgentes) agem nas sombras e não têm contato direto com governos ou instituições oficiais”, disse o porta-voz da Liga Árabe, que é sediada no Cairo, Hosam Zaki. O analista político do jornal jordaniano Al-Ghadd, Mohammed Aburumman, especialista na rede do líder insurgente Abu Musab Al-Zarqawi, concorda. "A melhor maneira de tentar obter a libertação do brasileiro é através de contatos informais dentro do Iraque e não por meio de contatos institucionais", afirma Aburumman. Oferta "O governo brasileiro deve estabelecer um contato com líderes tribais sunitas, porque os insurgentes nunca confrontariam esses líderes", diz Aburumman. Na opinião de Aburumman, a maneira mais fácil de estabelecer esse contato é através de grupos religiosos, como a Associação de Clérigos Muçulmanos. Apesar de cético em relação à influência de governos ou instituições árabes sobre os insurgentes, Zaki diz que as relações do Brasil com os países árabes são "ótimas" e que a associação poderia tentar ajudar, se for procurada. “Não temos contato direto com esses grupos, mas podemos tentar falar com gente que talvez chegue até eles”, disse Zaki. O porta-voz da Liga Árabe disse que quando dois jornalistas franceses foram seqüestrados no Iraque no ano passado, a organização fez apelos aos seus contatos no país, atendendo a pedido do governo da França. Na opinião do ex-secretário geral da organização Isbat Abul-Magud, a intermediação de um país árabe pode até ajudar, mas também implica riscos. Motivação política "A situação é muito delicada. Isso tem de ser feito de maneira muito discreta e só nos bastidores, para que não haja impressão no Iraque de que há uma interferência indevida", argumenta. O analista jordaniano Mohammed Aburumman diz acreditar que o seqüestro tem motivação política. Por isso, na sua opinião, é importante convencer os seqüestradores de que o brasileiro trabalhava para uma empresa brasileira e que o governo brasileiro não apoiou a invasão ao Iraque. "Esse é um trabalho que pode ser feito através da imprensa e de grupos religiosos dentro do Iraque", afirmou. O engenheiro João José Vasconcelos Jr desapareceu na quarta-feira da semana passada quando seu carro foi atacado perto da cidade de Beiji, ao norte de Bagdá, onde ele trabalhava em uma obra da empreiteira Odebrecht. Um grupo que se autodenomina Saraya (Brigadas) Al-Mujahedin assumiu a autoria do seqüestro por meio de um vídeo transmitido pela TV Al-Jazeera no sábado. Segundo o governo brasileiro, diversos líderes países do Oriente Médio estão sendo contactados pelo Itamaraty em busca de apoio, mas até agora apenas o governo sírio estabeleceu publicamente contato com o Brasil sobre o assunto. O Ministério de Relações Exteriores iniciou a ofensiva diplomática depois ter sido criticado pela decisão inicial de deixar o caso nas mãos da Odebrecht. |
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