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Atualizado às: 25 de janeiro, 2005 - 18h20 GMT (16h20 Brasília)
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Grupo islâmico admite fazer apelo por brasileiro no Iraque

Carteira de mergulhador de João José Vasconcelos, exibida pela Al-Jazeera
Al-Jazeera exibiu carteira de mergulhador de brasileiro
A Associação dos Clérigos Muçulmanos do Iraque afirmou que - caso seja procurada - pode analisar um pedido do governo do Brasil e fazer um apelo pela libertação de João José Vasconcellos Jr., desaparecido desde quarta-feira da semana passada.

"Nós não participamos no passado como intermediadores na negociação pela libertação de reféns nem vamos fazer isso no futuro. A nossa participação seria somente na forma de apelos pela libertação de reféns", disse à BBC Brasil o xeque Omaar Raagheeb, porta-voz da organização sunita iraquiana.

"Mas os brasileiros não fizeram contato conosco até o momento nem nos pediram para fazer nada", afirmou Raagheeb.

Em abril de 2004, três reféns japoneses foram soltos depois de a associação ter divulgado um comunicado pedindo a libertação dos civis em cativeiro no Iraque. Eles estavam em poder do grupo Saraya (Brigadas) Mujahedin, o mesmo que assumiu o seqüestro do brasileiro.

Brigadas Al-Mujahedin

O próprio Saraya (Brigadas) al-Mujahadin, segundo a rede de TV Al-Jazeera, enviou um fax para a redação da emissora dizendo que libertaria os três reféns em resposta a um apelo feito pela associação.

Em outros casos, reféns foram entregues à organização ao serem libertados pelos seqüestradores.

O xeque Raagheeb disse ainda à BBC Brasil que o fato de Vasconcellos ser brasileiro pode suscitar alguma simpatia nos iraquianos.

"Pode haver alguma solidariedade já que o governo brasileiro não participou da guerra nem das forças de ocupação do Iraque", afirmou.

O porta-voz acrescentou ainda que o governo brasileiro deveria impedir a ida de cidadãos ao Iraque.

"O governo não deveria deixar brasileiros virem ao Iraque por causa dos riscos e da falta de segurança que eles vão enfrentar", disse o xeque, que desconhecia a existência de uma recomendação do Itamaraty para manter distância do país.

Acusações

Na semana passada, a Associação dos Clérigos Muçulmanos publicou outra nota com um apelo pela libertação de todos os reféns no Iraque e pelo fim dos seqüestros no país.

"Divulgamos um comunicado antes da festa de Eid al-Adha pedindo o fim da cultura de seqüestros. Este fenômeno é recente e horrível, mas acreditamos que seja um tipo de reação à ocupação das forças americanas", afirmou o religioso.

Por outro lado, Raagheeb defendeu o seu grupo das críticas que vem sofrendo por sua participação na libertação de reféns.

"Queremos ficar o mais longe dessa questão de seqüestros porque já fomos acusados até de levar suborno para intercedermos pela libertação, o que é falso."

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