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Atualizado às: 24 de janeiro, 2005 - 13h48 GMT (11h48 Brasília)
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'Eles gritavam e nos empurravam', conta ex-refém do Al-Mujahedin

Nahoko Takato diz entender os motivos de seu seqüestro
Nahoko Takato diz entender os motivos de seu seqüestro
A japonesa Nahoko Takato, de 35 anos, foi mantida como refém em abril de 2004 pelo mesmo grupo que assumiu a autoria do seqüestro do engenheiro da Odebrecht no Iraque.

Takato, que trabalha como voluntária em projetos de ajuda humanitária, contou à BBC Brasil como o grupo agiu durante seu período de cativeiro.

Ela disse que, inicialmente, os seqüestradores do Saraya Al-Mujahedin se mostraram agressivos, mas que depois passaram a tratar bem os três reféns japoneses.

"Fomos levados de carro por homens armados que tentavam nos intimidar. Eles gritavam muito e nos empurravam. Um deles disse que seu filho, um bebê, tinha sido morto pelos americanos. Me pareceram ser pessoas que, depois de terem sido vítimas de ataques americanos, resolveram lutar", contou a voluntária.

Ela disse que, durante os dias que passou no cativeiro, argumentou com os seqüestradores que os métodos que eles usavam estavam errados e que o mundo pensaria que os iraquianos são todos "terroristas" vendo imagens de reféns.

"Eu disse que eles acusavam os americanos, mas que estavam fazendo a mesma coisa. Disse que eu queria colaborar com os iraquianos, que queria ajudar a reconstruir o país, mas que não colaboraria com pessoas que usam a violência", acrescentou.

Ela acredita que, depois do desabafo, tenha conseguido mostrar que não era uma inimiga. "O tradutor do árabe para o inglês, que estava conosco no deserto, onde ficamos a maior parte do tempo, disse que queria ser meu amigo. Ele chegou a chorar quando fomos libertados", contou.

Brasil

No caso do brasileiro, Takato diz que o governo, a população e a família de João José Vasconcelos Júnior deveriam fazer um apelo pela libertação do brasileiro.

"O governo deveria vir a público deixar claro que não concorda com a ocupação e que não apoiou a guerra. Já a população deveria fazer manifestações. Se essa mensagem chegar aos seqüestradores, a situação do brasileiro ficará melhor", disse.

"A família poderia, por exemplo, gravar um vídeo pedindo a libertação do refém. Os seqüestradores acompanham as notícias e poderiam se sensibilizar com isso", aconselhou a japonesa, que passou uma semana sob poder do grupo Saraya Al-Mujahedin.

O seqüestro dos três japoneses terminou com a libertação dos reféns, após a Associação de Clérigos Muçulmanos do Iraque ter pedido que eles fossem soltos.

"Essa associação tem muita influência no país. Seria bom se eles pudessem interceder neste caso também", disse Takato.

Inimigos

Apesar de o passaporte brasileiro ser um elemento positivo, ela acredita que o fato de João José Vasconcelos Júnior estar, no momento do seqüestro, sob proteção de uma empresa de segurança britânica possa prejudicar o refém.

"Os britânicos são vistos como inimigos, como responsáveis, junto com os americanos, pela violência e pela ocupação. Quem está com eles tende a ser visto da mesma maneira", disse.

Takato, que chegou a Tóquio nesta segunda-feira depois de passar três semanas na Jordânia, continua trabalhando como voluntária em projetos sociais para o Iraque.

Ela reúne doações no Japão para dois projetos. Um deles auxilia meninos de rua e o outro investe na reconstrução de escolas em Falluja.

Takato ainda não retornou ao Iraque após o seqüestro, mas pretende voltar em breve.

"O problema é que meus amigos iraquianos dizem que não devo voltar. Eles temem pela minha segurança e pela segurança deles. Ninguém quer ser visto com um estrangeiro hoje no Iraque. Evitam até falar ao telefone em inglês", disse Takato.

"Não tenho ódio dos seqüestradores. Odeio os métodos deles, mas entendo o motivo pelo qual fazem isso. Conheço bem o Iraque e vi de perto como toda aquela raiva surge", concluiu a japonesa.

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