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Eleição marca redistribuição de poder no Iraque | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
As eleições no Iraque são um marco no processo político iniciado depois da queda do ex-líder Saddam Hussein, ocorrida depois da invasão liderada pelos Estados Unidos no início de 2003. Apesar de o país já ter tido eleições em janeiro de 2005, elas serviram para eleger um Parlamento de transição, cuja principal missão era elaborar a nova Constituição do Iraque. As eleições de dezembro são as primeiras depois do fim da era do partido Baath, do ex-líder Saddam Hussein. Com esta votação o período de governo provisório e de instituições de transição será encerrado. O novo Parlamento terá um programa completo e uma grande legislação para aplicar, e também terá o direito de fazer emendas à Constituição, algo que principalmente as facções sunitas querem fazer. Maioria Antes de tudo isso, o Parlamento terá a tarefa importante de eleger o novo presidente da República (por uma maioria de dois terços) e aprovar o gabinete de governo (por maioria simples). A demografia, em um país onde cerca de 60% da população é formada por muçulmanos xiitas, indica que a Coalizão do Iraque Unificado (CIU), formada principalmente por facções religiosas xiitas, deve conseguir a maioria das cadeiras, mais do que as outras 20 coalizões que também disputam as eleições. Há mais de 200 outras entidades políticas na disputa, entre partidos simples ou independentes. Mas a CIU, que conseguiu mais das metades das 275 cadeiras no atual Parlamento de transição, deverá conseguir a maioria absoluta desta vez. Na teoria, supondo que a CIU não consiga a maioria absoluta, quase todas as outras facções que tenham conseguido cadeiras no Parlamento deverão se reunir para aprovar um governo, excluindo a coalizão xiita. Mas este quadro seria muito improvável, e a CIU deve fornecer o núcleo de um novo governo de coalizão, assim como fez, junto com os curdos, na administração interina. Alianças As alianças xiita e curda devem conseguir menos cadeiras do que nas últimas eleições devido a duas grandes mudanças que alteraram a forma desta eleição. Na votação de janeiro, para o Parlamento de transição, o Iraque foi considerado como uma única seção eleitoral, com cadeiras no Parlamento distribuídas em relação ao tamanho do eleitorado de cada província. Isto significou que as três principais províncias sunitas, Nineveh, al-Anbar e Salahuddin, garantiram um número fixo de parlamentares, sem levar em conta o comparecimento dos eleitores. A outra grande mudança que também deve aumentar o número de cadeiras sunitas é a própria atitude dos partidos sunitas. Esses partidos, que boicotaram a votação em janeiro, estão tomando parte da eleição em dezembro e fizeram uma campanha ativa mesmo nas áreas mais problemáticas ao norte e oeste de Bagdá. As facções sunitas devem conseguir uma fatia de cerca de 50 cadeiras, transformando estas facções em um bloco importante, talvez apenas um pouco menor do que o bloco dos curdos. Críticas e acusações As facções sunitas acusaram o governo, dominado pelos xiitas, de permitir que suas milícias se infiltrem nos ministérios do Interior e Defesa, o que levaria a represálias sectárias contra sunitas, com a aprovação do governo. Os sunitas também insistem na elaboração de um cronograma para a retirada das forças estrangeiras do país. Grupos xiitas e curdos são mais flexíveis, argumentando que uma retirada sem preparação podem levar o país ao caos. Mas também há acusações de corrupção. Alguns dos políticos em campanha, principalmente o ex-primeiro-ministro interino Iyad Allawi, um xiita secular, acusou a administração atual de incompetência. Alguns membros da atual administração acusaram os ministros do gabinete de Allawi de corrupção. Campanha A campanha eleitoral no Iraque foi limitada principalmente à televisão e propaganda nos jornais, além de cartazes nas ruas. Mas ocorreram alguns discursos e comícios em algumas áreas. A situação de segurança no país afetou a campanha e também os assuntos abordados na campanha. A votação nas eleições de janeiro seguiu linhas étnicas e sectárias, apesar do partido de Iyad Allawi, que cruza estas barreiras, ter conseguido 40 cadeiras. Allawi e seu principal adversário, Ahmad Chalabi, estão oferecendo alternativas às facções religiosas árabes nos campos sunitas e xiitas. Entretanto as tensões sectárias estão aumentando e algumas facções xiitas estão defendendo o separatismo regional, seguindo o exemplo curdo. Muitos sentem que o resultado das eleições será crítico para determinar se o Iraque permanece como um país ou se desintegra em várias partes. |
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