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Bush promete vitória no Iraque, mas tom é menos triunfalista | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente George W. Bush avalia que fez a sua parte. Foram quatro grandes discursos sobre o Iraque nas últimas semanas, com o objetivo básico de reverter o desencanto da opinião pública americana sobre a guerra e os custos de construção de um novo país. Num gesto ousado para os seus padrões, Bush até topou participar de espetáculos menos coreografados e acolheu perguntas da platéia após discursar. Foi quando o presidente deu pela primeira vez as estimativas americanas sobre o número de mortes iraquianas desde a invasão de março de 2003 (30 mil). O resto (e parte muito mais importante) cabe aos iraquianos que deverão eleger o novo governo com mandato de quatro anos, no estágio final do processo político engendrado com o fim do regime de Saddam Hussein. Resultados A chave em Bagdá e em Washington é atrair a minoria sunita para o processo político e assim abafar a insurgência. Com os sunitas dentro, fica mais fácil para os americanos caírem fora, embora Bush insista que não irá fixar um calendário para a retirada de suas tropas do Iraque. Nos pronunciamentos, Bush repetiu que tem uma estratégia para a vitória e que a invasão foi uma causa justa, embora ele tenha assumido responsabilidade pelas falhas de inteligência. O presidente teve um tom menos triunfalista, reconhecendo que a empreitada enfrenta mais dificuldades do que ele apregoara até agora. E, de, fato, a nova postura surtiu algum efeito. As pesquisas mais recentes mostram que a erosão de credibilidade foi contida e que a taxa de aprovação do presidente até teve uma ligeira ascensão. 'Vitória' Estas modestas boas notícias não devem ser confundidas com a reversão do estado de espírito dos americanos, que em sua maioria agora acreditam que a invasão do Iraque tenha sido um erro. Em linhas gerais, Bush alterou mais o tom do que a substância. Ele tem basicamente uma estratégia de relações públicas, supostamente mais eficiente, nas linhas sugeridas por um acadêmico da Universidade Duke, Peter Feaver, novo integrante do Conselho de Segurança Nacional. Feaver entende de pesquisas de opinião pública e não de guerra. Ele concluiu que a sociedade americana terá mais estômago e paciência para a escalada de violência no Iraque se Bush martelar com esta idéia de vitória, vitória, vitória. Claro que a definição desta dita cuja é sempre elástica. Para a Casa Branca republicana, o fundamental é dissipar sentimentos derrotistas e acusar o grosso dos políticos da oposição democrata de simplesmente defenderem uma retirada atabalhoada do Iraque. E sentimentos derroristas ganham força com a simples menção à palavra Vietnã. A guerra no sudeste asiático, de onde as tropas americanas se retiraram em 1975, é sinônimo de atoleiro para os americanos. Em entrevista ao jornal USA Today, o professor George Herring, autor de um importante livro sobre o Vietnã ("America's Longest War"), disse que na sociedade americana "existe um crescente desejo de cair fora do Iraque, quase que independentemente das consequências. Foi assim que as coisas começaram a se desenvolver no Vietnã em 1967". John Mueller, outro acadêmico versado nessas coisas vietnamitas, trata a evolução do quadro iraquiano com determinismo histórico. O argumento do professor é o seguinte: hoje a maioria dos americanos acredita que a guerra no Iraque tenha sido um erro. Depois que isso aconteceu no caso do Vietnã em 1968, não houve mais recuperação da confiança popular na missão. Mueller desconfia de marcos como essas eleições iraquianas e uma nova e vigorosa campanha de relações públicas da Casa Branca para sacudir essa falta de vontade dos americanos. Num texto publicado na edição corrente da revista Foreign Affairs, Mueller concluiu que "se a história é um indicador, há pouco que o governo Bush possa fazer para reverter o declínio. Como no Vietnã, a guerra no Iraque foi motivo de amplo entusiasmo no começo, declínio acentuado na seqüência e, então, lenta erosão. George W.Bush quer desafiar essas leis da história. |
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