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Atualizado às: 07 de novembro, 2005 - 20h54 GMT (18h54 Brasília)
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Imigrantes na Espanha temem aumento do racismo

Carro queimado na França
Protestos na França preocupam imigrantes na Espanha
Os conflitos das ruas francesas ainda não chegaram à Espanha, mas os imigrantes norte-africanos já estão preocupados.

A maior colônia de estrangeiros no país (só de marroquinos há 300 mil contados pelo censo) tem medo de que a imagem dos incendiários na França se confunda com a de todos os jovens dessa nacionalidade e reacenda o racismo.

Uma reação que os espanhóis não escondem mais: segundo uma pesquisa do Centro Nacional de Investigações Sociológicas, 53% dos espanhóis confessaram que desconfiam de africanos do norte, e 40% preferem que estes não sejam legalizados.

Algumas associações de imigrantes consideram que "a desconfiança pode virar pólvora".

A pesquisa também indica que 9% dos espanhóis estão a favor de que o governo ofereça ajudas sociais aos imigrantes em função da nacionalidade. E, neste grupo, 59% defenderam os latino-americanos, 18% os do leste europeu e apenas 4,4% os marroquinos e argelinos.

Sem integração

"Certamente há medo porque o que se difunde é a imagem de jovens norte-africanos sem integração social e praticamente delinqüentes", disse o presidente da associação de integração de marroquinos em Madri, Mohamed Salah.

"Isso provoca uma sensação de que não é um problema isolado, mas que pode chegar a todos os lugares onde há colônias com as mesmas características", afirmou.

"Já somos bastante rechaçados normalmente e daqui a pouco cada distúrbio causado por um de nossos jovens vai reabrir a cicatriz da desconfiança, e isso pode virar pólvora."

O porta-voz da maior mesquita de Madri, Mohamed El Afifi, tem a mesma preocupação, lembrando que "desde os atentados de 11 de março (explosões de trens em Madri em que os acusados são marroquinos), todos somos mais suspeitos".

El Afifi responsabiliza o racismo europeu pela situação de violência na França porque acha que as barreiras para a integração dos jovens os leva a isolar-se em guetos. Precisamente onde surge o radicalismo que incita às badernas, segundo ele.

A integração no mercado de trabalho não ajuda a melhorar a imagem. Os marroquinos, por exemplo, optam por ter seus próprios negócios, atendendo majoritariamente aos compatriotas.

Documentação ilegal

Segundo o Ministério de Trabalho e Assuntos Sociais, 85% dos norte-africanos são trabalhadores por conta própria e com empresas com documentação ilegal ou insuficiente - o que deixa 73% sem qualquer tipo de ajuda social oficial.

Essas dificuldades, no entanto, têm sido combatidas através de projetos inter-culturais como campanhas públicas de conscientização ou subvenção para administrar mesquitas e tentar evitar a proliferação de radicais.

Ainda assim, o maior medo é o racismo. Os marroquinos sofreram ataques xenófobos depois dos atentados do ano passado e, apesar de a situação estar mais calma, as associações de imigrantes continuam alarmadas.

Djamila Ben Salam, que já é da quarta geração de marroquinos em Madri, perdeu a filha de 13 anos numa das explosões de 11 de março e chegou a ser empurrada na rua sob os gritos de "volte para o seu país".

"Até tentaram arrancar meu lenço (que cobre a cabeça, seguindo a ordem religiosa). Não se pode dizer que o que está acontecendo na França não chegará aqui, porque somos um coletivo tolerado, mas jamais bem aceito pelos espanhóis. Não há integração real", comentou.

A ONG espanhola Movimento Contra a Intolerância fez uma advertência ao governo sobre a possibilidade de aumento de ataques racistas contra norte-africanos, considerando o estado de alarme social pelos conflitos na França.

O Ministério das Relações Exteriores, por sua vez, adiou para a terça-feira a divulgação de um comunicado sobre a situação, para coincidir com a abertura do 5º Congresso sobre Imigração, Inter-Culturalidade e Consciência, na cidade de Ceuta.

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