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Onda de violência se agrava e chega ao centro de Paris | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A onda de violência na França chegou à região central de Paris pela primeira vez na 10ª noite consecutiva de ataques realizados por jovens dos subúrbios pobres. Segundo informou a polícia no início da manhã deste domingo, 28 carros foram queimados na área central da capital francesa, incluindo quatro veículos perto da Praça da República, frequentada por turistas. Até a última sexta-feira, dia 4, os ataques ocorriam nos subúrbios de Paris, que se localizam fora dos limites oficiais da capital, embora já se espalhassem desde a noite de quinta-feira para outras cidades francesas. Foi a noite mais violenta desde que a revolta de jovens das comunidades de imigrantes árabes e africanos tomou conta das ruas da periferia de Paris dez dias atrás. Mesmo com o reforço de milhares de policiais, o governo francês parece impotente diante da raiva coletiva que explodiu nos subúrbios pobres de Paris. Além de policiais, carros, ônibus e lojas, agora os alvos se multiplicam, incluindo albergues, escolas, depósitos e restaurantes e até mesmo uma estação de reciclagem. A despeito dos chamados por calma durante marchas realizadas neste sábado, 1.295 carros foram incendiados na Grande Paris e em outras cidades francesas, superando os 897 veículos queimados na noite de sexta-feira. Foram presas 312 pessoas, bem mais que as 253 prisões efetuadas pela polícia na noite anterior. Albergue e McDonald´s viram alvos Nas redondezas de Paris, entre os vários incidentes, uma explosão deixou um albergue de imigrantes em chamas e fogo foi ateado em duas escolas, uma academia de ginástica e um restaurante da rede McDonald´s. Até uma estação de reciclagem foi alvejada pelos jovens em Essone, nas proximidades de Paris. O fogo se alastrou no local queimando 800 metros quadrados de papel e pelo menos 35 veículos. A maiorias das linhas de ônibus noturnos no norte e no leste da capital francesa foram suspensas na madrugada deste domingo como medida precaução contra emboscadas, que foram vistas em ao menos dois coletivos, que foram incendiados e destruídos. De acordo com relatos, os mais recentes ataques fora da Grande Paris ocorreram na região de Essonne, ao sul da capital francesa, e na cidade de Toulouse, no sudoeste do país, depois de terem sido registrados também em Dijon, Lille, Marselha, Nantes e Rennes. Em Evreux, na Normandia (noroeste da França), quatro policiais foram feridos em um conflito com cerca de cem jovens, alguns armados com bastões de baseball, enquanto dezenas de carros e três lojas torravam em chamas e coquetéis Molotov eram atirados em uma escola, de acordo com policiais e bombeiros. Declarações polêmicas Após os atos de violência de sexta-feira, o ministro do Interior da França, Nicolas Sarkozy, advertiu que sentenças severas serão reservadas àqueles que realizarem ataques. Dilil Boubakeur, o clérigo muçulmano que comanda a principal mesquita de Paris, disse querer ouvir "palavras de paz" das autoridades francesas, em especial do ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, e do primeiro-ministro do país, Dominique de Villepin. A declaração do líder islâmico se deu após um encontro com o primeiro-ministro francês. O comentário foi uma referência à declaração de Nicolas Sarkozy, que chamou os autores dos atentados de "escória". Muitos na França acreditam que as afirmações do ministro do Interior contribuíram para as cenas de violência que estão ocorrendo no país. A crise começou após dois adolescentes de origem africana terem acidentalmente morrido eletrocutados em uma sub-estação de energia na região de Clichy-sous-Bois, na periferia de Paris, ao tentarem se esconder de uma suposta perseguição policial perto de um transformador. Bouna Traore, de 15 anos de idade, era filho de imigrantes vindos do Mali, país situado no noroeste do oeste da África. Já a família do outro jovem morto, Zyed Benna, de 17 anos, tem suas raízes na Tunísia, país majoritariamente muçulmano no norte do continente africano. |
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