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Marcha em Paris pedirá calma a jovens da periferia | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Líderes comunitários e religiosos realizarão neste sábado uma marcha silenciosa em Paris para apelar por calma na área afetada por mais de uma semana de protestos violentos de jovens dos subúrbios. A marcha percorrerá ruas do distrito de Aulnay-sous-Bois, no nordeste da capital francesa, onde a revolta tem sido mais intensa, como marca de respeito pelos dois adolescentes que morreram eletrocutados no dia 27 de outubro numa estação de energia ao tentar se esconder da polícia. Foi a morte dos adolescentes, ambos de origem africana, o estopim dos distúrbios que vem tomando conta dos subúrbios pobres de Paris há nove dias e desde sexta-feira se espalha por outras cidades da França. É a mais grave onda de violência a ocorrer na França em décadas, segundo a AFP. Nona noite de protestos Na madrugada deste sábado, 754 veículos foram incendiados e a polícia prendeu 203 pessoas, algumas delas menores com bombas caseiras, de acordo com agência de notícias AFP. A polícia informou nesta madrugada que um quarto dos carros foi queimado fora da região de Paris. Mais cedo, o primeiro-ministro francês, Dominique de Villepin, declarara o contário, que mais carros tinham sido queimados fora de Paris do que na periferia da cidade, onde os protestos de rua vinham se concentrando. Os outros incidentes desta madrugada ocorreram em Strasburgo (leste), Rennes (oeste) e Toulouse (sul). Os incidentes violentos registrados fora da capital francesa, no entanto, foram isolados e esporádicos, ao contrário do que acontece nos subúrbios de Paris, onde a revolta já dura nove dias e atinge principalmente a área de Seine-Saint-Denis. Fontes policiais disseram à agência de notícias France Presse que pequenos grupos de jovens voltaram a vagar pelas ruas dos subúrbios, mas sem buscar confrontos. Ainda assim, alguns puseram fogo em carros, dois prédios e uma padaria em Val d'Oise, segundo a agência Reuters. Dois galpões também foram incendiados em Seine-Saint-Denis. Tentando conter a tensão Villepin se reuniu nesta sexta-feira com 15 jovens dos subúrbios tomados pelos protestos para discutir formas de restaurar a calma. "Eu acho que ele apreciou este encontro e queria aprender coisas. Foi uma iniciativa muito boa, ele está realmente tentanto resolver os problemas", disse Anyss, de 18 anos, que estava no encontro, segundo a agência de notícias Reuters. As manifestações são vistas como a expressão do descontentamento de jovens pobres do subúrbio, muito deles imigrantes de ex-colônias francesas na África. A maioria dos distúrbios ocorreu na área de Seine-Saint-Denis, onde predominam comunidades de imigrantes, e 1,3 mil policiais foram enviados para o local. Exclusão social A revolta começou na quinta-feira da semana passada depois que os adolescentes Bouna Traore, de 15 anos, e Zyed Benna, de 17 anos, filhos de imigrantes, morreram eletrocutados por acidente em uma estação de energia quando, segundo testemunhas, fugiam da polícia. As autoridades negam que agentes policiais estivessem perseguindo os dois no momento do acidente. Desde então, os confrontos entre jovens dos subúrbios pobres e a polícia vêm ganhando terreno a cada noite, expondo o que os analistas têm rotulado como um óbvio fracasso de sucessivos governos em lidar com os problemas sociais dos subúrbios pobres e habitados majoritariamente por imigrantes africanos vindos das ex-colônias da França na África. O próprio ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, afirmou nesta sexta-feira que os problemas que estão na origem da violência nos subúrbios de Paris foram negligenciados nos últimos 30 anos. Segundo o ministro francês, rival político do premiê, ainda será necessário muito tempo para resolver o problema nos subúrbios. Líderes comunitários das áreas afetadas, onde predominam comunidades árabes e africanas, afirmam que estão tentando isolar os mais radicais entre os manifestantes. |
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