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Atualizado às: 03 de novembro, 2005 - 04h29 GMT (02h29 Brasília)
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Apesar de apelo de Chirac, violência persiste em Paris
Fogo provocado por manifestantes em Aulnay-sous-Bois
Governo francês vem sendo criticado por reação a distúrbios
Houve mais confrontos entre moradores de subúrbios e a polícia em Paris, no sétimo dia consecutivo de violência na capital francesa, apesar dos esforços do governo para combater o problema.

Grupos de jovens foram às ruas com paus e garrafas e atearam fogo em dezenas de veículos durante a madrugada de quinta-feira.

Em Aulnay-sous-Bois, na região de Seine-Saint-Denis, uma estação policial chegou a ser cercada por um grupo de jovens, segundo um porta-voz do serviço de bombeiros. Os manifestantes também teriam posto fogo em um ginásio e em um estacionamento.

Ao todo, 40 veículos – incluindo dois ônibus – foram incendiados em nove cidades do Departamento de Seine-Saint-Denis, onde a violência começou na semana passada e onde a polícia afirma ter prendido 15 pessoas.

Duas escolas primárias, um posto de correio e um shopping centre também foram incendiados em subúrbios ao norte da capital francesa.

O correspondente da BBC em Paris Alasdair Sandford informa que a situação também permanece tensa em Clichy-sous-Bois, com incidentes como de uma gangue jogando pedras e bombas incendiárias contra veículos da polícia.

Estopim

Os distúrbios iniciados no bairro de Clichy-sous-Bois foram provocados pela morte de dois adolescentes que estariam fugindo da polícia, segundo os moradores. Eles morreram eletrocutados ao escalar uma estação de transmissão elétrica.

A polícia, no entanto, nega que estivesse perseguindo os adolescentes, de 15 e 17 anos, no momento das mortes. Uma investigação oficial foi aberta para apurar as circunstâncias das mortes.

Desde então, as tensões vêm se alastrando pelos subúrbios de Paris, habitados majoritariamente por imigrantes pobres de antigas colônias francesas.

Nesta quarta-feira, o presidente francês, Jacques Chirac, pediu calma às comunidades de imigrantes. Chirac pediu mais diálogo, dizendo que uma crescente falta de respeito às autoridades levaria a uma "situação perigosa".

A crise tem gerado críticas às supostas falhas do governo em lidar com a situação dos imigrantes, afetados por uma taxa de desemprego acima da média nacional.

O primeiro-ministro francês, Dominique de Villepin, e o ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, adiaram viagens ao exterior para tentar acalmar a situação em Paris.

Ambos se reuniram com os pais dos dois jovens, policiais e líderes comunitários na terça-feira num esforço para aliviar as tensões

Na quarta-feira, o primeiro-ministro francês convocou os ministros para discutir o problema.

Após a reunião, Villepin disse em discurso no Congresso que uma minoria problemática não deve servir para condenar toda a população dos subúrbios.

"Vamos evitar estigmatizar áreas", disse Villepin. "Vamos evitar confundir uma minoria perturbadora com a vasta maioria de jovens que querem se integrar à sociedade e serem bem-sucedidos."

Correspondentes da BBC dizem que os comentários de Villepin são um revide ao seu adversário, o ministro do Interior Nicolas Sarkozy, que chamou os manifestantes de "corja".

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