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Bush busca no Brasil diálogo com América do Sul | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente americano, George W. Bush, desembarca neste fim de semana em Brasília para uma visita de menos de 24 horas. Para os Estados Unidos, a viagem ao Brasil é uma oportunidade de criar com o país um canal de diálogo com a América do Sul. A região ocupa uma posição pouco privilegiada na lista de prioridades da Casa Branca, mas uma das preocupações do governo Bush é evitar que líderes como o venezuelano Hugo Chávez sirvam de modelo para os sul-americanos. "O Brasil está em uma posição muito interessante", afirma o cientista político boliviano Eduardo Gamarra, diretor do Centro para a América Latina e o Caribe da Universidade Internacional da Flórida, nos Estados Unidos. "O Brasil pode ser uma versão mais civilizada da esquerda latino-americana, uma esquerda com a qual os Estados Unidos podem ter relações ótimas". "Posição única" Poucos dias antes de chegar a Brasília, o próprio Bush declarou, em entrevista a jornalistas latinos, que o presidente Lula "ocupa uma posição única" na região e é "vital" para a consolidação da democracia na América Latina. Na semana passada, outros funcionários do governo americano adotaram o mesmo tom ao comentar a visita de Bush. Em Brasília, o embaixador John Danilovich disse que é interesse do Brasil "manter e fortalecer a democracia e o comércio no hemisfério". Em Washington, o subsecretário de Estado americano para a região, Tom Shannon, disse que o Brasil compartilha uma série de valores comuns aos Estados Unidos e, por isso, os dois países têm a oportunidade de trabalhar juntos em determinadas áreas. Interesses "O Brasil é o país que mais vai afetar a agenda dos Estados Unidos na América Latina", afirma Peter Hakim, presidente do instituto Diálogo Interamericano, em Washington. Para Hakim, o motivo é o papel que o Brasil desempenha nas reuniões internacionais para a liberalização do comércio, seja nas negociações para a criação da Alca ou como um dos líderes do G-20 – bloco de países em desenvolvimento que cobra uma redução dos subsídios agrícolas das nações industrializadas. "É importante que Brasil e Estados Unidos tenham um certo nível de entendimento, que possam consultar um ao outro, que mostrem respeito um ao outro e que tolerem as diferenças", diz Hakim. "Isso é fundamental para a agenda dos Estados Unidos na América Latina." Na opinião do cientista político Thomaz Guedes da Costa, professor da Universidade Nacional de Defesa, em Washington, o que move a aproximação de Bush e Lula são os interesses em comum dos dois governos. "Não é uma questão de amizade, é uma questão de interesses concretos", comenta o professor. "Há um conjunto muito grande de interesses que faz com que os dois países se aproximem, e com repercussões políticas importantes." Bolívia O boliviano Eduardo Gamarra concorda com a opinião de Thomaz Costa, e cita a Bolívia como um exemplo dos interesses convergentes que aproximam Brasil e Estados Unidos. Para Gamarra, o Brasil tem grande interesse em uma Bolívia estável, que não interrompa as exportações de gás natural para São Paulo, e teme que conflitos políticos no país ameacem os negócios da Petrobras na Bolívia. Até o final de 2006, mais de dez eleições presidenciais serão realizadas na América Latina, inclusive em países como Brasil, México, Chile, Bolívia e Equador. A perspectiva de vitória de líderes de esquerda é grande em boa parte desses países, e o que mais incomoda os Estados Unidos é a situação na Bolívia, onde o líder cocaleiro Evo Morales é um dos principais candidatos. "Se Evo Morales ganha na Bolívia, vai ser muito mais complicado para Estados Unidos e Brasil", avalia Gamarra. "Os interesses dos Estados Unidos e do Brasil coincidem porque, sendo um país grande com interesses estratégicos na Bolívia, o Brasil tem que atuar da mesma maneira que os Estados Unidos atuariam no caso de um vizinho." Protestos Bush chega a Brasília na noite de sábado. Na manhã seguinte, reúne-se com Lula e almoça na Granja do Torto. No final da tarde, o presidente americano deixa o país e segue para uma visita oficial ao Panamá. A UNE, a CUT, o MST e outros grupos integrantes da Coordenação dos Movimentos Sociais prometem uma série de protestos contra a política externa americana durante a passagem de Bush pelo Brasil. O Diretório Nacional do PT, partido de Lula, aprovou uma resolução de apoio às manifestações. Para evitar problemas, autoridades brasileiras e americanas montaram um forte esquema de segurança nas áreas de Brasília por onde o presidente dos Estados Unidos vai passar. Além de um monitoramento do espaço aéreo de Brasília, a operação contará com 500 agentes, metade dos serviços de inteligência e segurança dos Estados Unidos e metade da Polícia Federal brasileira. |
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