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Manifestantes criticam ausência de Lula em protesto | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Líderes da chamada "contra-Cúpula das Américas" afirmaram estar "decepcionados" com a ausência do presidente Lula no protesto realizado, nessa sexta-feira, com a participação do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. O evento, no estádio Mundialito, foi contra o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e organizações como o FMI. "Lula reforçaria nosso discurso em defesa da democracia na América Latina e contra o imperialismo americano. Mas, infelizmente, ele sequer insinuou que queria ser convidado ao nosso encontro", disse o Prêmio Nobel da Paz, Adolfo Pérez Esquivel. "Até agora não entendemos bem de que lado ele está", afirmou. Para Esquivel, Lula poderia entender que seu papel é "fundamental" para a região e que se "impôr" frente ao governo americano, resultará na conquista de mais espaços para o Brasil e toda a região. Quando perguntado sobre a crise política brasileira, ele disse: "Nós temos que torcer para Lula condenar a corrupção e sair bem dessa situação. Ele pode estar sendo alvo da ação das elites". A entrevista de Pérez Esquivel foi dada à BBC Brasil durante a caminhada de quase quatro horas pelas ruas de Mar del Plata, num dia frio e chuvoso. Além do Prêmio Nobel, outros participantes da marcha até o estádio reclamaram da ausência de Lula e revelaram preocupação sobre os resultados do encontro que ele terá com o presidente Bush, no Brasil. "Lula tem que decidir de que lado está. Se do nosso lado, do povo, ou daquele imperialista", atacou a presidente das Mães da Praça de Maio, Hebe de Bonafini. Mais cautelosa, Nora Cortinhas, da Linha Fundadora das Mães da Praça de Maio disse que "seria muito importante" contar com o apoio do presidente brasileiro, mas fez elogios à sua trajetória. "Lula é um símbolo na América Latina e devemos respeitá-lo como tal", afirmou. "Para nós, esse encontro mostra que temos uma alternativa à política que os Estados Unidos pretendem impôr à América Latina e é claro que pelo peso do Brasil e pelo papel do presidente Lula seria importante que ele tivesse ao nosso lado", disse. A venezuelana Maria Corotmoto Toro, da Central Unitária dos Trabalhadores da Venezuela, e coordenadora da entidade Mulheres Trabalhadoras Andinas, concordou: "É muito estranho que Lula não esteja aqui na nossa manifestação. Imagine o poder que teríamos vendo ele e Chávez juntos neste estádio", afirmou. O economista de esquerda Cláudio Lozano, da Central de Trabalhadores Argentinos, CTA, disse que está preocupado com o encontro que Lula terá com Bush, no fim de semana. "Nos preocupa porque o Brasil é um dos principais responsáveis em garantir que a Alca não se concretize. O peso econômico e político do Brasil é decisivo para o destino da regiao", afirmou. Quando questionado sobre a crise política brasileira, registrada quase diariamente pelos jornais argentinos, ele respondeu: "Lula paga pelas conseqüências de uma opção política e econômica que, sem dúvida, não é a que o levou a ser presidente do Brasil". Segundo ele, apesar disso, a trajetória de Lula, a criação do PT, e o fato de ele ser um trabalhador que chegou ao poder, no maior país da região, já serviram para "mudar a história". Maradona Para evitar tumultos, os organizadores da manifestação pediram a Maradona que saísse do trem, em que chegou de Buenos Aires com outros manifestantes, direto para o estádio Mundialito. Ele não participou da caminhada porque já na chegada na estação de trens provocou correrias, gritos e empurra-empurra. Ao longo da viagem, na madrugada, entre Buenos Aires e Mar del Plata, vários fãs acenaram às margens da linha do trem. No início da tarde, Maradona estava ao lado de Chávez no estádio Mundialito, onde os organizadores estimavam contar com a presença de cerca de 40 mil pessoas. |
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