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Cúpula das Américas 'esqueceu' corrupção, diz ONG | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A organização não-governamental Transparência Internacional acredita que a corrupção foi "o tema esquecido" da IV Cúpula das Américas, que está sendo realizada na cidade de Mar del Plata, na Argentina. A opinião é de Silke Pfeiffer, diretora regional das Américas da Transparência Internacional. "A corrupção deveria ser um dos temas cruciais do encontro. Basta olhar para o título da cúpula: Criando Empregos para Aliviar a Pobreza e Fortalecer a Governabilidade. A corrupção é um dos maiores obstáculos para a criação de empregos e para o desenvolvimento econômico na América Latina", afirma Pfeiffer. No entender da diretora, o tema teria sido colocado de lado por "falta de vontade política". "Combater a corrupção é uma tarefa que exige esforços. Receio que as desculpas para não destacar o tema foram fracas. O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Rafael Bielsa, disse que devemos nos concentrar mais em desenvolvimento econômico do que em corrupção. A economia é importante, mas a corrupção é claramente um dos maiores entraves ao desenvolvimento econômico", afirma. De acordo com Pfeiffer, a postura do Brasil em relação ao tema também foi decepcionante. "O governo brasileiro está atualmente sob grande pressão e poderia receber crédito internacional e entre os próprios brasileiros ao mostrar que está disposto a combater a corrupção", comenta. Promessas Segundo ela, quando ainda era candidato à Presidência, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva firmou uma série de compromissos com a Transparência Brasil, o ramo brasileiro da entidade. "Mas ele implementou poucas dessas reformas. Foi uma decepção. Esperamos que ele venha a cumprir suas promessas. Os atuais escândalos serviram para pelo menos colocar o tema da corrupção novamente na agenda", acrescenta. Mas ela acredita que o debate anticorrupção no Brasil ainda conta com distorções. "O foco ainda está ligado ao financiamento de partidos de campanhas políticas. É algo importante, mas há outros temas relevantes. Por isso, precisamos de bons diagnósticos e de planos abrangentes, que envolvam a inciativa privada e a sociedade civil." Em relação aos demais países latino-americanos, ela acredita que a região "já viu de perto as conseqüências da corrupção". "Sabemos que a corrupção teve um papel ativo nas crises institucionais no Equador e na Bolívia e na convulsão econômica e política na Argentina. Por isso, combater a corrupção não é um luxo." A líder da divisão das Américas acredita ainda que os Estados Unidos poderiam também ter feito mais em nome do combate à corrupção na América Latina. "Os Estados Unidos não exerceram uma liderança no sentido de fazer do combate à corrupção uma prioridade. É verdade que poucos países latino-americanos assinaram a Convenção Interamericana contra a Corrupção, mas entre os países do G-8, apenas a França ratificou a Convenção da ONU contra a Corrupção. É difícil estimular os outros a combater a corrupção, se você não limpa a sua própria casa." |
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