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Livro expressa desilusão de 'falcões liberais' no Iraque | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os "falcões liberais" são aves raras na política americana que abandonaram seus instintos antibelicistas para, em nome da intervenção humanitária, voar em formação com os neoconservadores, a começar nos Bálcãs nos anos 90, em uma jornada que culminou no apoio à invasão do Iraque em 2003. Este idealismo bateu de frente no ceticismo, ou realismo, de influentes professores como John Mearsheimer, da Universidade de Chicago, que prefere definir estas aves como "imperialistas liberais". Faz mais sentido citar a própria definição de um deles, George Packer: "Para dar um rótulo à minha posição, eu pertenço ao pequeno e insignificante campo de ambivalentes liberais pró-guerra". Rótulos à parte, estes adeptos da invasão do Iraque que partiram da esquerda (que nos EUA é melhor definida como liberal), sempre se sentiram desconfortáveis na companhia dos neoconservadores e dos projetos de política externa do governo Bush. Para muitos deles, seus argumentos idealistas foram seqüestrados pela Casa Branca quando ficou evidente que o Iraque não possuía as armas de destruição em massa, a principal justificativa para a invasão. A construção da democracia se converteu em uma espécie de casus belli retroativo. De sua parte, estes liberais se converteram em duros críticos das mazelas da ocupação americana e não se cansam de apontar o que consideram arrogância e inépcia do governo Bush. Hoje, em meio à violência e à precariedade dos arranjos políticos no Iraque, muitos destes "falcões de esquerda" estão desiludidos. Um dos melhores exemplos é George Packer, que acaba de publicar o seu livro The Assassins' Gate, que é um relato devastadoramente cândido da guerra do Iraque. Democracia pelas armas Packer defende seu idealismo muscular. Diz que as atrocidades nos Bálcãs "mudaram a maneira com a qual liberais americanos, em particular intelectuais, viam o seu país". Com o fim da Guerra Fria, eles queriam usar o poder militar dos EUA a serviço de objetivos como direitos humanos e democracia. No caso do Iraque foi o clamor exemplificado por outro "falcão liberal", Paul Berman, para que a democracia fosse implantada "pela força das armas". No seu livro, Packer expressa suas dúvidas. Para ele, quatro viagens ao Iraque pós-Saddam serviram para que suas noções ingênuas explodissem. A base de The Assassins' Gate são reportagens que Packer fez para as publicações The New Yorker e The New York Times Magazine. Antes de tudo, ele descarta as analogias comumente feitas entre o que está acontecendo no Iraque e outros dois momentos históricos – a Segunda Guerra Mundial e o Vietnã. São analogias usadas tanto por advogados como por oponentes da guerra no Iraque. Packer está mais interessado em discutir a política corrente do que a história. Ele acusa o governo Bush de ter mostrado um descaso pela vida humana no Iraque que equivale à "negligência criminal". Packer conclui que, apesar de tudo, a única justificativa ainda de pé para a guerra é a construção de uma democracia que melhore a vida dos iraquianos amargando atentados suicidas e a violência sectária. No seu relato amargo há pontadas de humildade e solidariedade com o povo iraquiano, sentimentos que costumam estar ausentes de frígidos debates políticos. Packer está amargo, mas não completamente derrotista. Ele arremata que ainda não ocorreu o colapso da intervenção humanitária. The Assassins' Gate |
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