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Atualizado às: 05 de agosto, 2005 - 11h36 GMT (08h36 Brasília)
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Livro expõe contradições dentro da Arábia Saudita

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No ano passado, Carmen bin Laden publicou um fascinante relato sobre a vida da elite da Arábia Saudita, país do seu ex-cunhado Osama. O jornalista britânico John R. Bradley nunca teve um acesso tão privilegiado como Carmen bin Laden aos bastidores desta terra de petróleo, fonte do extremismo islâmico e parceira estratégica dos EUA, mas ele foi mais fundo nas areias do deserto do que a imensa maioria dos observadores ocidentais.

Cultura, curiosidade, bom pique jornalístico e fluência no árabe ajudaram Bradley, mas ele teve sorte também. Bradley chegou ao país três meses antes dos atentados de 11 de setembro de 2001 (15 dos 19 suicidas eram sauditas) para trabalhar como editor na agência de notícias em inglês Arab News.

Ele ficou na Arábia Saudita por dois anos e meio, tendo a rara oportunidade de começar a viajar livremente pelo país justamente quando a proibição fora suspensa para jornalistas ocidentais.

Entre os privilégios (se é que a expressão faz sentido), Bradley testemunhou uma decapitação no deserto quando estava em um piquenique na companhia de um sobrinho de Osama bin Laden. Mas este livro não é uma coleção de clichês ou de teorias conspiratórias e sensacionalistas à la Michael Moore.

O foco na verdade está na conflituosa dinâmica de uma sociedade que tem tanto as riquezas jorradas pelo petróleo como um índice de desemprego de 35%; na tensão existente entre a pregação obscurantista de clérigos wahabitas que levam o islã ao pé da letra e as tentações da modernidade; e nas contradições entre um autoritário regime imperial e cidadãos e lealdades tribais e regionais mais fortes e anteriores à formação do reino do clã Saud em 1923.

Censura

O resultado obviamente não é do agrado de um governo que controla rigidamente a informação. Os créditos das reportagens de Bradley já foram retirados do arquivo online da Arab News. É um lance que apenas destaca a estreiteza de um regime que é pivô do jogo geopolítico mundial.

O contraste à estreiteza saudita é a ampla visão de Bradley. Ele escapa dos clichês quando recicla no livro reportagens que publicou na imprensa internacional nos últimos anos sobre uma Arábia Saudita onde o discurso inflamado contra a decadência e corrupção do Ocidente convive com clubes gays, prostituiçãp e abuso de drogas.

Bradley observa que as contradições, tensões e resistências dentro do país minam a legitimidade do regime e mesmo o "desenvolvimento de algum tipo de consciência nacional".

São dúvidas mais pertinentes do que nunca em um momento de especial ansiedade sobre o futuro da estratégica Arábia Saudita. Em um comentário publicado na terça-feira desta semana no jornal Washington Times, Bradley escreve que não aguarda grandes alterações na Árabia Saudita na esteira da morte do rei Fahd. O dia-a-dia de governo já estava há uma década nas mãos do príncipe regente Abdullah, o novo rei.

Como assinala Bradley, Abdullah nunca teve disposição para desafiar o poder e influência dos clérigos wahabitas, que são a fundação do jugo de um clã de potentados conservadores e inquietos com o turbilhão no Oriente Mëdio. O seu livro, no entanto, deixa claro, que mudanças na misteriosa e contraditória Casa de Saud virão de dentro e não impostas de fora.

SAUDI ARABIA EXPOSED
John R. Bradley
Palgrave Macmillan, 224 páginas, US$ 22,95

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