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Atualizado às: 30 de setembro, 2005 - 07h08 GMT (04h08 Brasília)
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Livro mostra evolução de radicais do idealismo ao poder

A Alemanha está no meio de uma novela política. O resultado das eleições do último dia 18 foi o impasse.

Não se sabe ao certo quem irá governar o país. Mas é muito provável que o Partido Verde (sócio minoritário da coalizão de governo chefiada pela social-democracia) reassuma seu tradicional papel de oposição.

Joschka Fischer, seu popular líder e ministro das Relações Exteriores desde 1998, já anunciou que não pretende buscar um papel de comando no Parlamento. Ele disse que "após 20 anos de poder, eu quero minha liberdade de volta".

Fischer foi o idealista que chegou ao poder. Idealismo é uma expressão que pode ter uma bagagem pesada, até violenta, como comprova o passado de Fischer.

Ele foi emblemático da geração 68. Na versão mais positiva, é uma história de romantismo, paixões, descaminhos e reencontros.

Paul Berman também integrou aquela geração, sua ala americana. Foi líder estudantil e hoje é jornalista, escritor e professor da New York University. Ele acaba de publicar seu livro sobre a trajetória do idealismo ao poder. A inspiração foi o ex-agitador estudantil alemão, um dos fundadores do Partido Verde e hoje peça-chave do establishment político europeu.

O primeiro capítulo de Power and the Idealists é uma atualização de um ensaio que Berman escreveu na revista The New Republic em setembro de 2001 sobre a "paixão de Joschka Fisher".

O ponto de partida para Berman sobre a trajetória de uma geração que exigia a imaginação e outras coisas no poder foi uma comoção gerada na Alemanha no começo de 2001.

Teve lugar assim que a popular revista Stern publicou uma sequência de fotos mostrando o jovem Fischer, em 1973, ao lado de outros militantes da esquerda radical, espancando um policial durante uma batalha de rua em Frankfurt. Fischer era um ativista truculento e próximo de integrantes de grupos armados, mas não aderiu ao terror urbano.

Na sequência, houve a evolução para batalhas políticas mais convencionais. Fischer, que em 1969 participara de uma conferência palestina em que se pregava a destruição do Estado de Israel, ganhou em 2002 o título de doutor honoris causa da Universidade de Haifa.

Para Berman, a evolução política de Joschka Fischer abre espaço para uma pergunta: será que o radicalismo com tonalidades violentas dos anos 60 e 70 é uma força para o bem social ou para o mal?

Não há mistério na resposta. Berman sai em defesa de sua geração. Ele relata não apenas a trajetória de Fischer, mas de outros companheiros de armas (no sentido politico da expressão) como o franco-alemão Daniel Cohn-Bendit, líder da revolta estudantil em Paris de 1968 e mais tarde deputado verde e vice-prefeito de Frankfurt, e Bernard Kouchner, que, após uma juventude radical, foi o fundador do grupo Médicos Sem Fronteiras.

Há até uma menção ao brasileiro Sérgio Vieira de Mello, o chefe de missões humanitárias das Nações Unidas morto em um atentado em Bagdá em agosto de 2003.

Berman argumenta que os ativistas radicais amadureceram, mas na caminhada nunca se desfizeram de uma lógica moral justa. Esta lógica levou muitos deles a se tornarem ardorosos defensores de um intervencionismo humanitário nos Balcãs nos anos 90. De um radicalismo de esquerda teria emergido um novo tipo de mentalidade antitotalitária.

Berman é o que no jargão político americano se conhece como "falcão liberal". Muitos neste ninho aderiram às campanhas internacionais de George W. Bush, do Afeganistão ao Iraque.

A paixão de Joschka Ficher, porém, não foi tão longe. Multilateralista resoluto, ele e Gerhard Schröder, seu sócio majoritário na coalizão de governo da Alemanha, se recusaram a marchar com os americanos até Bagdá. Dentro do poder, com dificuldades, Joschka Fischer manteve parte do velho idealismo. Fora, será, como sempre, mais fácil.

POWER AND THE IDEALISTS
Paul Berman
Soft Skull Press, 280 páginas, US$ 23,95

66Caio Blinder
Impasse eleitoral alemão frustra governo americano.
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