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Nova revista nos EUA reflete racha entre conservadores | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O governo Bush enfrenta uma insurreição conservadora, de falcões fiscais indignados com a folia de gastos a setores da direita religiosa revoltados com a escolha de Harriet Miers para uma vaga na Corte Suprema. Existe uma ebulição dentro do movimento conservador, com um questionamento acalorado sobre os rumos da política externa. O debate pega fogo dentro do establishment intelectual. O reflexo está na fundação de uma nova revista trimestral. The American Interest nasceu de um racha na publicação The National Interest. Os rebeldes têm à frente o lendário Francis Fukuyama, autor do livro O Fim da História, cujo argumento central é que com o fim do comunismo acabara o debate ideológico. Pelo visto, o debate é infindável. Iraque No seu manifesto, The American Interest se define como independente e não partidária. De fato, nas suas hostes estão poderosos intelectuais, alguns filiados aos dois grandes partidos americanos, e outros, não. O viés, porém, é conservador. Lá estão, além de Fukuyama, o ex-assessor de segurança nacional do governo democrata de Jimmy Carter, Zbigniew Brzezinski, e outro lendário acadêmico, Samuel Huntington, autor do polêmico O Choque das Civilizações. A publicação tem pretensões de influência global, e entre seus contribuintes regulares estarão o historiador britânico Niall Ferguson, a celebridade intelectual francesa Bernard-Henry Lévy e o escritor peruano Mario Vargas Llosa. No primeiro número em circulação, o debate sobre o Iraque dá uma medida da gama de opiniões dentro do movimento conservador. Elliot Cohen assinala que a "a decisão básica de derrubar o regime de Saddam Hussein foi não apenas correta, mas corajosa". Glenn Loury, no entanto, conclui que "nada na lógica da posição americana no mundo, nada inerente na sua cultura política e nada no interesse vital dos EUA necessitava esta desventura". Cisma O cisma na igreja intelectual conservadora é sugerido, mas não debatido abertamente nesta primeira edição de The American Interest e na corrente de The National Interest. A veterana publicação estava historicamente associada a visões mais idealistas (wilsonianas, como se diz no jargão), favoráveis ao uso da política externa americana para promover a democracia globalmente. Nos últimos anos, porém, The National Interest se apegou a uma visão mais realista da política externa (realpolitik, no jargão), algo mais na linha de Henry Kissinger, segundo o qual áridos interesses estratégicos contam mais do que nobres ideais. Fukuyama não gostou desta camisa-de-força teórica e liderou o racha em nome de um debate intelectual mais solto. É verdade que ele mesmo se insurgiu em um ensaio publicado no ano passado em The National Interest contra o que definiu como a celebração contínua dos seus colegas neoconservadores da invasão no Iraque como um sucesso. Muita água rolou desde então e hoje em dia até muitos neoconservadores deixaram de celebrar. Um dos mais célebres neoconservadores, William Kristol, editor da revista Weekly Standard, saudou com humor a rebelião liderada por Fukuyama. Kristol disse que em breve teremos mais publicações neoconservadoras do que neoconservadores. |
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