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Atualizado às: 17 de outubro, 2005 - 12h06 GMT (09h06 Brasília)
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Basta de Bonds
Ivan Lessa
De cinco em cinco anos, os britânicos saem à procura de um novo James Bond, a quase, espero, imortal criação do escritor Ian Fleming.

Sean Connery, escocês, foi o Bond mais duradouro e mais querido. George Lazenby, australiano, vejam só, o mais breve dos Bonds: um único filme e o único fracasso comercial.

Roger Moore durou umas 4 ou 5 operações plásticas e várias de Botox. Timothy Dalton, britânico, foi o Bond menos querido do público e, mesmo assim, durou dois filmes.

A franquia Bond prosseguiu com Pierce Brosnan, irlandês. Brosnan pendurou os apetrechos tecnológicos este ano, dando ensejo assim à busca do novo 007, agora um ritual destas ilhas.

O novo James Bond é Daniel Craig, que ninguém no Brasil conhece, mas quem vê televisão, aqui no Reino Unido, está cansado de ver a cara.

Abramos o jogo: o homem é louro. Mais: tem cara de quem leva pelo menos uns 300 anos de "working class", de classe trabalhadora. Essas coisas são importantes aqui. O sistema de castas, por mais que queiram, continua em funcionamento, embora discretíssimo, feito um agente secreto.

Segundo as folhas, fico sabendo que, desde o primeiro filme do 007, aquele do Dr. No, de 1962, o homem com licença para matar já mandou desta para melhor (na época a gíria ainda valia) mais de 150 gênios do mal e acamou, digamos assim, 44 mulheres, bem menos, quero crer – e creio – que nosso playboy, o falecido Jorginho Guinle.

O próximo filme do novo James Bond (quase que escrevo Bonde) é baseado no primeiro romance em que ele aparece, Casino Royale, que, aliás, foi filmado em 1967, com vários diretores, inclusive John Huston, e vários James Bond, entre eles David Niven e Woody Allen.

Era para ser engraçado. Não foi. Agora, esgotaram-se os Bonds dos livros. Tudo filmado. O dinheiro, esse continua vindo. "Um Novo Dia Para Morrer", com o Bond irlandês, o Pierce Brosnan, pegou quase US$ 700 milhões nas bilheterias. Não é costume matar galinha ou Bond dos – perdão – ovos de ouro.

De minha parte, abro o jogo: desbondiei. Prefiro Harry Potter, um cara qualquer dos anéis, por aí.

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