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Atualizado às: 03 de outubro, 2005 - 08h27 GMT (05h27 Brasília)
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Sumiço do chá
Ivan Lessa
Para nós, brasileiros, é o cafezinho que resolve. Tanto para o amigo que não se via há séculos e é reencontrado na rua, logo convidado para tomar um cafezinho para se botar o papo em dia, quanto para se servir numa certa hora do velório.

O cafezinho não precisa – mais: não deve – ser bom. Ele precisa apenas existir. Trata-se de um protocolo, um ritual, um modo de se dizer “sim” à vida e “não” à morte. Não exagero.

Lamento que, como as estampas Eucalol, o fenômeno do cafezinho nunca foi estudado a fundo entre nós. Pelo cafezinho, se conhece o paisão. Preenchido o azulejo, volto-me para o lado de cá do balcão, da mesa. Volto-me para a Grã-Bretanha.

Aqui é o chá. Ou seja, o “cuppa”, conforme sua designação popular. “Cuppa” é corruptela, ou melhor, abreviação de “cup of tea”, isto é, a tão supostamente redundante “chávena de chá”.

O “cuppa” a tudo resolve a toda e qualquer hora ou situação. Estou falando do chá dito fuleiro, de saquinho, cubo de açúcar, valendo até leite em pó, se for esse o gosto do freguês. E todo cidadão britânico é freguês. No velório? “Cuppa” pro pessoal. Sistema nervoso abalado depois do acidente de trem? “Cuppa”. Colite? Bronquite? Resfriado? “Cuppa”, claro. “Cuppas” o dia inteiro. Tem gente que chega a tomar litros de “cuppas” por dia. Juram que não faz mal e que não tira o sono apesar de conter mais cafeína que o café.

E eis que toquei no ponto delicado. Chamem de decadência, do que quiserem, mas ainda não foi feita uma pesquisa social mais séria, mas a verdade é que o café vem tomando o lugar do chá na beberragem britânica quente e não intoxicante.

Um relatório fidedigno, como todos os relatórios publicados aqui, sugere através de seus números que o popular líquido, introduzido nestas ilhas por nossos queridos portugueses no início do século 17, vem perdendo sua clientela para a preciosa rubiácea, conforme se dizia quando não era para repetir a palavra “café” num texto.

O mercado do café em pó emparelhou finalmente com o chá em saquinho: 33,5% do mercado para cada um, quase 600 milhões de dólares.

Agora, gostoso mesmo, que é o chocolate quente, esse ficou lá embaixo: apenas 6,5% do mercado. Dependendo de mim, isso não fica assim.

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