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Annan lamenta pouco avanço nas reformas da ONU
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Reunião comemora 60 anos das Nações Unidas
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, disse nesta quarta-feira na abertura da reunião de cúpula do órgão em Nova York que grandes divergências impediram o avanço em várias áreas do pacote de reformas da ONU, especialmente em questões de não-proliferação nuclear, desarmamento e na reforma do Conselho de Segurança.

Mas Annan disse aos representantes de mais de 150 países presentes à reunião, inclusive do Brasil, que este é um bom começo e apelou a eles que completem seu trabalho.

No seu pronunciamento, Annan deu grande ênfase à questão da não-proliferação, lamentando o fato de o documento prevendo as reformas não estabelecer metas nessa área.

Em seu discurso inicial, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, agradeceu a comunidade internacional pela ajuda oferecida ao seu país depois da devastação provocada pelo furacão Katrina.

A Assembléia Geral aprovou na terça-feira uma versão diluída dos compromissos que serão adotados pelos chefes de Estado que participam da cúpula mundial a partir desta quarta-feira, em Nova York.

Negociações

Depois de intensas negociações que atravessaram o fim de semana e foram até terça-feira de madrugada, os representantes de um grupo de 32 países aceitaram uma versão do documento elaborada pelo presidente da Assembléia Geral, Jean Ping, do Gabão. O texto foi então submetido à assembléia, formada por 191 países.

“Não é um texto que resulta das negociações, é um texto apresentado pelo presidente da assembléia para que se chegasse a um acordo que pudesse ser aceitável”, afirmou à BBC Brasil o embaixador brasileiro na ONU, Ronaldo Sardenberg, que participou dos dois grupos, primeiro de 32 e depois de 15 países, que se dedicaram a tentar um acordo que agradasse a todos e ao mesmo tempo apresentasse avanços.

O embaixador disse que o texto é bem melhor do que o anterior, do qual havia reclamado bastante poucas horas antes. “Não é que estejamos inteiramente satisfeitos, mas houve avanços significativos”, afirmou Sardenberg.

O documento inclui uma promessa de honrar as Metas do Milênio da ONU, voltadas para a redução da pobreza no mundo, e de evitar genocídios como o que aconteceu em Ruanda em 1994.

Os delegados também concordaram na criação de um novo órgão para substituir a atual Comissão de Direitos Humanos, um dos pontos polêmicos que atravancavam as discussões. Ainda assim, o documento faz apenas uma menção genérica ao novo órgão, sem fornecer detalhes de como funcionaria.

Outros pontos sobre os quais não houve consenso, no entanto, foram deixados de fora, como a questão da não-proliferação nuclear e uma definição internacional para terrorismo.

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