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Lula: Corrupção não é desculpa para deixar combate à pobreza | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira em Nova York que nem a corrupção nem a instabilidade política podem ser desculpas para que o governo deixe de combater a fome a pobreza. Ao responder a uma pergunta da imprensa brasileira, Lula disse que a corrupção "é um mal no Brasil, é um mal no planeta, em qualquer lugar que tenha um ser vivo". "Entretanto, nem a corrupção nem a instabilidade política podem ser razões para que o Brasil não tenha uma política de combate à fome eficaz, uma política séria", acrescentou o presidente, que definiu a política brasileira contra a pobreza como "extremamente eficaz". Lula, que participa da 60ª Assembléia-Geral da ONU, também defendeu o processo de investigações no Congresso e na Polícia Federal do que chamou de "denúncias" e "insinuações". "Nunca se apurou tantas coisas no Brasil como tem se apurado agora, seja através do Congresso nacional, seja através da Polícia Federal. Você deve ser testemunha de quantas vezes pessoas que estavam sendo investigadas há 20, 30 anos, que estão sendo presas agora." Processo lento O presidente afirmou, entretanto, que o processo de apuração e recuperação de recursos desviados por esquemas de corrupção é lento. "Aquela advogada que roubou um dinheiro do Brasil nós estamos tentando, já faz algum tempo (reaver o dinheiro)", disse Lula, em aparente referência a Georgina de Freitas, acusada de fraudar o INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social). Ele acrescentou que "obviamente, se você tiver estabilidade política, a economia crescendo, as exportações e importações crescendo, o emprego crescendo, o salário crescendo, obviamente fica muito mais fácil você tratar do problema da pobreza." "E nós vamos fazê-lo com a certeza absoluta de que não há nenhuma razão para que um país do tamanho do Brasil, com o potencial e as riquezas do Brasil, tenha gente com fome. Eles têm fome porque durante séculos, durante décadas, quem governou o Brasil não governou para a totalidade da população, e nós queremos governar para a totalidade da população." Lula mencionou feitos do seu governo no âmbito social, como a política de crédito a pequenos agricultores, o programa de inclusão bancária e o programa bolsa família, que, segundo ele, a cada ano, transfere o equivalente a US$ 3 bilhões aos beneficiados e que ao final de 2007 deverá atender cerca de 8,7 milhões de famílias com renda abaixo da linha da pobreza pelo IBGE. O presidente fez as declarações durante a apresentação do programa de Ação Contra a Fome e a Pobreza que tem como patrocinadores, além do Brasil, os governos da França, Alemanha, Espanha e Chile, e conta com o apoio de 60 países. O programa estuda mecanismos para a arrecadação de fundos internacionais que financiem programas de combate à pobreza. Os governos dos países patrocinadores estudam a criação de um imposto entre 1 e 2 dólares a ser cobrado sobre passagens aéreas internacionais. Esses fundos também devem ser canalizados para o combate à Aids. |
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