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Para Amorim, reforma do Conselho de Segurança sai neste ano | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que acompanha o presidente Lula na 60ª Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), disse nesta quarta-feira em Nova York que a reforma do Conselho de Segurança (CS) deve ser aprovada até o final do ano. “Não teremos uma reforma ideal, mas acho que até o final do ano ela deve sair,” disse. “Isso faz parte do documento a ser aprovado pela Assembléia-Geral.” Amorim reafirmou a estratégia do Grupo dos Quatro (G4), que reúne o Brasil, Japão, Alemanha e Índia, para tentar convencer os países africanos a aderir à proposta que prevê a criação de seis novos membros permanentes para o CS sem o direito de veto. Tal prerrogativa hoje é exclusiva dos atuais cinco membros permanentes da instituição: Estados Unidos, China, Grã-Bretanha, Rússia e França. No último mês de agosto, a União Africana, que representa 53 nações, decidiu não apoiar a proposta do G4. Oposição de EUA e China “Isso é uma coisa evolutiva,” disse Amorim. “Nós temos conversado muito com os africanos, porque a chave desta questão está na África. Mas os africanos costumam atuar por consenso, mas isto é um problema porque alguns países têm defendido uma postura maximalista que inclui o veto dos novos membros permanentes e nós sabemos que isso é uma coisa irrealista.” “Nós temos que agir pela persuasão. Por todas as conversas que eu tenho tido, os africanos estão crescentemente convencidos de que é importante que exista a reforma.” Indagado sobre a atuação dos Estados Unidos e da China, que se opõem à ampliação radical do CS, e atuaram intensamente para demover os africanos da aliança com o G4, Amorim disse: “acho que há muitos fatores que operam aí, mas não sei se estes (EUA e China) são os únicos.” De acordo com o chanceler brasileiro, a estratégia do G4 permanece a mesma, no sentido de primeiro tentar obter pelo menos 128 votos, ou dois terços da Assembléia Geral para sua proposta, para só depois tentar convencer os EUA e a China no âmbito do próprio Conselho de Segurança. Mesmo que seja aprovada na Assembléia Geral, a proposta do G4, que emendaria os estatutos da ONU, precisaria ser ratificada pelos membros permanentes do CS, que detêm o poder de veto. “A pressão moral das grandes maiorias que expressam os desejos dos povos é muito forte. Estou otimista,” disse Amorim. Ele acrescentou que da “outra vez que o Conselho foi ampliado para abrigar novos membros não permanentes, houve dois membros permanentes que se opuseram à expansão na Assembléia Geral, mas que depois mudaram de idéia e acabaram ratificando a expansão.” O G4 se reúne nesta quinta-feira à tarde, na sede da missão da Índia na ONU. Haiti Ainda nesta quarta-feira, Amorim participou de uma reunião com a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, sobre o Haiti, no Hotel Waldorf-Astoria. A reunião, convocada por Rice, contou com a presença do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, entre outros diplomatas. Segundo o ministro, a avaliação sobre a missão de paz chefiada pelo Brasil é positiva. Amorim diz que a expectativa é que a missão permaneça no país além do mandato atual, que vai até fevereiro do ano que vem. “Parece haver um consenso sobre isso e, desde que eles queiram, vamos ficar até que as coisas melhorem”, afirmou. O Haiti tem eleições municipais e federais em novembro e dezembro deste ano. Segundo o ministro, o número de eleitores inscritos já é maior do que nas eleições anteriores. *Colaborou Denize Bacoccina. |
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